A promessa de Donald Trump de colocar os Estados Unidos na liderança global das criptomoedas começou a ganhar contornos práticos. Em um relatório publicado nesta quarta-feira (30) pela Casa Branca, o governo detalhou uma série de recomendações regulatórias e legislativas que visam inaugurar a chamada “Era de Ouro das Criptomoedas” no país.
Donald Trump lança plano para colocar EUA na Era de Ouro das Criptomoedas, revela relatório da Casa Branca
Casa Branca publica relatório que detalha a estratégia de Donald Trump para transformar os EUA em líder global na Era de Ouro das Criptomoedas.
O documento é fruto do trabalho de um grupo interinstitucional formado a partir da Ordem Executiva 14.178, assinada por Trump com o objetivo de fortalecer a liderança americana em tecnologia financeira digital.
O grupo inclui representantes de órgãos reguladores como SEC (Securities and Exchange Commission), CFTC (Commodity Futures Trading Commission), Departamento do Tesouro, Federal Reserve e agências de inovação tecnológica.
A publicação do relatório marca um novo capítulo da política norte-americana em relação às criptomoedas e sinaliza um reposicionamento estratégico do país diante da crescente competição global no setor.
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Principais metas do plano: do marco regulatório à inovação em stablecoins
Legislação clara e supervisão equilibrada
Um dos principais pontos destacados pelo relatório é a necessidade urgente de o Congresso aprovar leis que preencham as lacunas atuais na regulação de criptoativos.
O foco principal está na atribuição da supervisão dos mercados à vista de ativos digitais à CFTC, desde que esses ativos não sejam considerados valores mobiliários, uma distinção fundamental para a indústria.
“É imperativo que os Estados Unidos estabeleçam um marco jurídico coerente, que ofereça segurança jurídica aos inovadores e proteja os consumidores”, afirma o relatório.
A recomendação fortalece a visão de que o modelo de regulação precisa se adaptar à realidade dos criptoativos, em vez de tentar forçá-los aos moldes do sistema financeiro tradicional.
Integração das finanças descentralizadas ao sistema tradicional
Outro destaque é o apoio explícito à DeFi (Finanças Descentralizadas). De acordo com o relatório, essas inovações devem ser “abraçadas e integradas” às finanças tradicionais, permitindo que o sistema financeiro americano usufrua dos benefícios de transparência, segurança e eficiência oferecidos pela tecnologia blockchain.
O papel da SEC, da CFTC e dos demais órgãos reguladores

Coordenação entre reguladores para eliminar incertezas
O relatório propõe que a SEC e a CFTC cooperem de forma mais ativa para:
- Permitir a negociação federal de ativos digitais de forma imediata;
- Clarificar regras sobre registro, custódia, negociação e compliance;
- Adotar ferramentas como safe harbors (zonas de segurança regulatória) e regulatory sandboxes (ambientes de testes controlados) para facilitar a inovação sem riscos legais excessivos.
Essa abordagem representa uma mudança de paradigma em relação ao ambiente anterior, marcado por conflitos entre as duas agências e processos judiciais de alto impacto, como os movidos contra Coinbase, Ripple e Binance.
Stablecoins como estratégia geopolítica e monetária
Prioridade à digitalização do dólar via stablecoins privadas
Em vez de promover uma CBDC (moeda digital de banco central) como muitos países estão fazendo, o plano de Trump foca em estimular o uso de stablecoins privadas lastreadas em dólar, como forma de modernizar a infraestrutura de pagamentos dos EUA e preservar a hegemonia do dólar globalmente.
Segundo o relatório:
“A adoção generalizada de stablecoins dolarizadas permitirá uma infraestrutura de pagamentos mais eficiente e competitiva, além de fortalecer o dólar como moeda de referência internacional.”
Esse posicionamento é consistente com o ceticismo do Partido Republicano em relação às CBDCs, que são vistas por muitos de seus membros como instrumentos de vigilância estatal e risco à privacidade financeira dos cidadãos.
Criação de uma estrutura regulatória para inovação com segurança
De custódia a tokenização: tudo deve estar claro
O relatório recomenda que autoridades bancárias e financeiras esclareçam quais atividades envolvendo cripto são permitidas, incluindo:
- Custódia de ativos digitais por bancos;
- Emissão de stablecoins;
- Tokenização de ativos financeiros tradicionais;
- Interações com redes públicas de blockchain.
Essa clareza regulatória é vista como essencial para atrair instituições financeiras tradicionais para o setor cripto e permitir o surgimento de novos produtos financeiros mais acessíveis e eficientes.
Trump e as criptomoedas: de cético a defensor declarado
Uma guinada política e estratégica
Durante seu primeiro mandato, Donald Trump expressou desconfiança com relação às criptomoedas, chegando a chamá-las de “baseadas no nada”. No entanto, desde 2023, sua posição evoluiu drasticamente, refletindo mudanças na base eleitoral republicana e no cenário econômico global.
Ao longo de sua nova campanha, Trump se posicionou como:
- Defensor da soberania financeira individual;
- Crítico das CBDCs controladas pelo Estado;
- Aliado das empresas de tecnologia blockchain.
Seus discursos têm atraído votos de jovens investidores, empresários de tecnologia e conservadores econômicos que veem no Bitcoin e nas stablecoins um antídoto ao excesso de controle estatal.
Impactos potenciais do plano para o mercado global de criptomoedas
EUA como hub global de inovação cripto
A adoção das medidas propostas pode fazer com que os Estados Unidos se tornem o principal polo mundial de desenvolvimento de soluções blockchain, atraindo talentos, startups e investimentos de todos os continentes.
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Esse movimento teria impacto direto em:
- Adoção institucional das criptomoedas;
- Criação de empregos no setor tecnológico;
- Repatriação de empresas americanas atualmente sediadas no exterior, como a Circle e a Kraken.
Pressão internacional sobre outros países
A liderança dos EUA pode forçar outras nações a revisar suas políticas regulatórias. Países como Reino Unido, Japão e Suíça já adotam estruturas regulatórias mais claras. A entrada agressiva dos EUA nesse campo criará pressão competitiva sobre blocos econômicos como União Europeia e China.
Críticas, riscos e debates em curso
Preocupações com segurança, lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor
Embora o relatório da Casa Branca tenha sido bem recebido por setores da indústria, reguladores e ONGs levantaram preocupações sobre os riscos que um ambiente regulatório mais “amigável” pode trazer.
As principais críticas incluem:
- Possível aumento de crimes financeiros e lavagem de dinheiro;
- Risco de colapsos como o da FTX, se não houver fiscalização eficaz;
- Acesso indiscriminado a produtos financeiros complexos e arriscados pelo público leigo.
Debates no Congresso devem acirrar
Especialistas preveem que a implementação das medidas enfrentará resistência no Senado, sobretudo entre democratas e reguladores mais conservadores, como a senadora Elizabeth Warren, que critica abertamente o uso de criptomoedas como “meio de evasão e fraude”.
Próximos passos: cronograma e expectativas
Três etapas até 2026
Segundo fontes próximas ao grupo de trabalho da Casa Branca, a implementação do plano ocorrerá em três fases:
- Até dezembro de 2025 – Propostas legislativas devem ser formalizadas no Congresso;
- Entre 2026 e 2027 – Criação de infraestrutura regulatória e adaptação de órgãos de fiscalização;
- A partir de 2028 – Consolidação dos EUA como polo de blockchain, DeFi e stablecoins.
Conclusão: Trump aposta na cripto como símbolo de soberania financeira e liderança global

A publicação do relatório da Casa Branca marca uma virada histórica na postura dos EUA em relação às criptomoedas. Pela primeira vez, o governo sinaliza de forma clara e coordenada que deseja transformar a inovação digital descentralizada em alicerce do sistema financeiro americano.
Caso as medidas sejam implementadas, os Estados Unidos podem ultrapassar países pioneiros no setor e consolidar uma hegemonia cripto por décadas, transformando stablecoins, DeFi e tokenização em instrumentos de política monetária, econômica e até geopolítica.
Para Donald Trump, essa agenda cripto representa mais do que um projeto financeiro: é um símbolo da soberania individual, da resistência ao controle estatal e da liderança dos EUA na nova era digital.
