O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alcançou a marca simbólica de 100 dias de governo na terça-feira (29), sob uma intensa onda de críticas e queda na confiança popular, principalmente no que se refere à sua gestão econômica — tema que foi decisivo em sua eleição e que, até então, era considerado um dos pilares de seu apoio.
Após 100 dias, Trump perde apoio na economia, área-chave de sua eleição
A confiança dos americanos na gestão econômica de Donald Trump despenca 13 pontos em seus 100 primeiros dias de mandato.
Segundo pesquisas, a confiança dos eleitores na capacidade de Trump em lidar com a economia caiu de 65% em dezembro para 52% em abril, uma redução de 13 pontos percentuais em apenas quatro meses. Essa é a maior queda entre os seis temas avaliados pelo levantamento, indicando um desgaste considerável na imagem do republicano.
Além disso, 61% dos entrevistados afirmaram desaprovar a condução econômica do governo, o maior índice registrado desde que Trump assumiu pela primeira vez o cargo, em 2017.
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A economia como centro da política americana
Historicamente, a economia sempre ocupou lugar central na política dos Estados Unidos. Durante as eleições presidenciais, ela foi o tema mais citado como decisivo para o voto, segundo pesquisas da Gallup. Em outubro do ano passado, 52% dos eleitores apontaram a economia como o principal fator na escolha presidencial, entre 22 assuntos listados, como saúde, imigração, mudança climática e política externa.
Naquele momento, Donald Trump venceu sua adversária, Kamala Harris, por nove pontos percentuais (54% a 45%) no quesito competência econômica.
Queda de popularidade e aumento da desconfiança
A queda de 13 pontos percentuais na confiança econômica é significativa e vem acompanhada de um aumento proporcional da desconfiança, que subiu de 35% para 48% no mesmo período, de dezembro a abril.
Esse movimento pode ser explicado por dois fatores centrais:
1. Aumento da inflação e dos preços ao consumidor
A inflação segue sendo um ponto sensível no cotidiano dos americanos. Segundo a CNN, 64% dos entrevistados desaprovam a forma como o presidente está lidando com a alta de preços, um aumento de oito pontos em apenas um mês. Embora Trump tenha prometido restaurar a confiança econômica e controlar a inflação herdada do governo Biden, os números indicam o oposto.
2. Tarifas de importação: mais custos do que empregos
Outro aspecto determinante foi a recente decisão de Trump de aumentar tarifas de importação, especialmente sobre produtos da China e de outros parceiros comerciais estratégicos. A medida, anunciada no início de abril, teve repercussão negativa em diversos setores da economia.
Segundo pesquisa divulgada pela Gallup, realizada entre 12 e 17 de abril:
- 66% dos americanos acreditam que as novas tarifas vão aumentar os preços ao consumidor.
- Apenas 25% acham que a medida criará empregos na indústria — um dos principais argumentos do presidente.
- Para 70% dos entrevistados, os custos das tarifas superarão os benefícios no curto prazo.
- No longo prazo, o pessimismo permanece: 62% mantêm a visão negativa.
Rejeição maior que durante o primeiro mandato
Durante seu primeiro mandato, Trump enfrentou diversas crises, mas nunca havia registrado uma desaprovação econômica superior a 50%. O fato de agora 61% da população rejeitar sua condução econômica acende um alerta, especialmente com a proximidade das eleições legislativas e os primeiros movimentos para a reeleição em 2028.
Analistas políticos avaliam que, embora Trump ainda mantenha uma base sólida de apoiadores, a economia sempre foi um trunfo de sua retórica populista e nacionalista. O desgaste nessa área pode comprometer seriamente sua estratégia política.
Inflação: o desafio que uniu críticas a Biden e agora recai sobre Trump

Durante o governo Biden, a inflação foi apontada como uma das principais razões para a queda de sua popularidade. Agora, os mesmos problemas parecem se repetir com Trump.
Com a manutenção de altos preços em alimentos, combustíveis e moradia, muitos americanos expressam frustração por não sentirem melhora em seu poder de compra, mesmo com promessas agressivas de recuperação econômica.
O governo Trump, por sua vez, alega que as medidas de estímulo à indústria e as tarifas sobre produtos importados são “sacrifícios temporários” que trarão “benefícios duradouros” à economia nacional. Mas esse argumento parece não convencer a maioria dos cidadãos, que já enfrentam os impactos negativos em suas finanças pessoais.
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Divisão política também pesa
Além dos dados econômicos, a polarização política permanece como um fator de tensão no país. Eleitores democratas mantêm alto índice de desaprovação ao presidente, enquanto parte dos republicanos demonstra insegurança sobre a eficácia das políticas atuais, principalmente no setor agrícola e industrial — bases eleitorais relevantes para o partido.
O crescimento da desconfiança entre os independentes também é notório. Entre esse grupo, que costuma decidir eleições em estados-chave, a aprovação de Trump na economia caiu 17 pontos, sinalizando que a insatisfação é mais ampla do que apenas entre opositores tradicionais.
Avaliações setoriais: quem mais desaprova a política econômica de Trump?
A pesquisa da CNN/SSRS também destacou os grupos mais críticos à condução econômica do presidente. Os seguintes segmentos mostraram maiores taxas de desaprovação:
- Mulheres: 68% desaprovam.
- Latinos: 71% desaprovam.
- Jovens de 18 a 34 anos: 74% desaprovam.
- Moradores de áreas urbanas: 69% desaprovam.
Esses públicos já vinham demonstrando resistência a Trump nas eleições passadas e agora reforçam a rejeição diante do impacto direto das políticas econômicas em suas realidades.
Possíveis reações e ajustes do governo

Diante do cenário, membros do alto escalão do governo Trump sinalizam ajustes na política tarifária e possíveis novas medidas de alívio fiscal, voltadas para pequenos empresários e consumidores. Há também discussões sobre incentivos à produção doméstica, redução da carga tributária para importação de insumos industriais e criação de uma linha de financiamento para alimentos básicos.
Especialistas, no entanto, alertam que medidas de curto prazo podem não ser suficientes para reverter a percepção negativa se não forem acompanhadas de melhora real nos indicadores econômicos, como:
- Crescimento do PIB.
- Queda no desemprego.
- Redução da inflação.
- Aumento do poder de compra da população.
Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com
