Tensões comerciais afetam o Ibovespa nesta segunda-feira (14); veja o que esperar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a agitar os mercados internacionais ao anunciar, no fim de semana, uma nova rodada de tarifas comerciais contra seus principais parceiros econômicos. A medida reacende os temores de uma guerra comercial em escala global e impacta diretamente commodities, bolsas de valores e as relações diplomáticas entre os blocos.
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Trump confirmou tarifas de 35% sobre produtos do Canadá e prometeu alíquotas de 30% sobre importações vindas do México e da União Europeia, com início previsto para 1º de agosto. A decisão pegou os mercados de surpresa e já provoca reações no cenário internacional.
União Europeia avalia resposta econômica
A União Europeia reagiu com firmeza. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o bloco poderá aplicar tarifas retaliatórias de mais de US$ 21 bilhões caso não haja avanço nas negociações com Washington. Apesar disso, o bloco optou por suspender as contramedidas até agosto, mantendo a porta aberta para uma solução diplomática.
Pressão nos mercados financeiros
A escalada tarifária adiciona incerteza à já tensa relação entre a Casa Branca e o Federal Reserve, que será testada novamente nesta semana com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a junho. O indicador pode definir os próximos passos da política monetária norte-americana e influenciar globalmente os juros e os investimentos.
A relação com o Fed se deteriora
A retórica de Trump tem pressionado publicamente o Federal Reserve, que até então mantinha uma postura mais cautelosa diante da inflação. A interferência política preocupa investidores, especialmente quando combinada com ações unilaterais de impacto global, como tarifas e sanções.
Dados da China superam expectativas
No cenário internacional, os dados divulgados pela China trouxeram certo alívio: as exportações cresceram 5,8% em junho, superando a expectativa de 5,3%. As importações subiram 1,1%, revertendo a queda anterior, mas levemente abaixo da previsão de 1,3%.
Com isso, a balança comercial chinesa teve superávit de US$ 114,77 bilhões, acima do esperado, o que sugere fôlego para a atividade global, apesar das tensões comerciais.
Petróleo em alta com novas sanções à vista
O petróleo registrou forte valorização, com o barril Brent ultrapassando os US$ 71. O mercado reage à tensão geopolítica causada pelas tarifas e à expectativa de um pronunciamento de Trump sobre a Rússia, que pode incluir novas sanções econômicas.
Commodities reagem à nova onda protecionista
Além do petróleo, o minério de ferro também teve leve alta, refletindo incertezas sobre a cadeia de suprimentos. Investidores monitoram o impacto potencial da nova rodada de tarifas em setores industriais estratégicos.
Criptomoedas sobem com debate regulatório nos EUA
As criptomoedas operam em alta, com o Bitcoin (BTC) cotado a US$ 122 mil, valorização de 3,6% no dia. O Ethereum (ETH) sobe 3,5%, chegando a US$ 3.052. A Câmara dos Representantes dos EUA discute uma estrutura regulatória nacional para o setor, o que impulsiona a confiança dos investidores digitais.
Ibovespa e dólar reagem à instabilidade global

No Brasil, o Ibovespa abriu em queda diante da escalada tarifária. No último pregão, o principal índice da bolsa caiu 0,41%, acumulando perda de 3,60% na semana. O dólar à vista subiu para R$ 5,5475, com valorização de 2,26% nos últimos cinco dias.
Investidores locais acompanham agenda econômica
A semana começa com a divulgação do Boletim Focus e do IBC-Br de maio, prévia do PIB brasileiro. A expectativa é de retração no indicador, o que reforça o cenário de desaceleração da economia interna.
Agendas de Lula, Haddad e Galípolo em foco
No campo político, o governo concentra esforços para aprovar pautas antes do recesso parlamentar. O Supremo Tribunal Federal realiza audiência de conciliação sobre o IOF, enquanto o presidente Lula reforça sua defesa do aumento do imposto.
Lula e ministros têm agendas movimentadas
A agenda presidencial inclui reuniões com ministros e assinatura de medida provisória sobre isenção de taxa para taxímetros. Já o ministro Fernando Haddad não teve compromissos divulgados. Gabriel Galípolo participa de evento da diplomacia francesa.