O ex-presidente dos Estados Unidos e atual candidato à reeleição, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (6) que, caso volte ao poder, pretende impor uma tarifa de 100% sobre chips e semicondutores importados, a menos que as empresas envolvidas assumam o compromisso de produzir os componentes em território norte-americano.
A afirmação foi feita durante pronunciamento na Casa Branca e divulgada em primeira mão pela agência Reuters. Segundo Trump, a medida visa impulsionar a fabricação doméstica de tecnologia de ponta, colocando a segurança e a soberania econômica dos Estados Unidos como prioridades.
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“Então, 100% de tarifa para todos os chips e semicondutores que cheguem aos Estados Unidos. Mas se você se comprometeu a produzir (nos EUA), ou se você está no processo de fabricar (nos EUA), como muitos estão, não haverá tarifa”, afirmou Trump, de acordo com a Reuters.
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Pressão sobre a indústria global

A declaração de Trump foi recebida com preocupação por representantes do setor tecnológico e por líderes empresariais ao redor do mundo. A possível implementação de tarifas elevadas pode desencadear efeitos diretos na cadeia global de suprimentos, além de intensificar as tensões econômicas entre os Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais, incluindo países da Ásia e da Europa.
Os chips e semicondutores são componentes essenciais para a fabricação de celulares, computadores, automóveis, eletrodomésticos e uma infinidade de equipamentos eletrônicos. A dependência norte-americana dessas peças, majoritariamente produzidas na Ásia – com destaque para Taiwan, Coreia do Sul e China –, tem sido alvo de debate nos últimos anos, especialmente após a pandemia e os problemas de escassez enfrentados pela indústria.
Continuidade da guerra comercial
O anúncio se encaixa no contexto mais amplo da chamada “guerra comercial” protagonizada por Trump desde o seu primeiro mandato, iniciado em 2017. Durante esse período, o republicano adotou medidas protecionistas, elevando tarifas de importação, renegociando acordos comerciais e desafiando as normas multilaterais do comércio global.
A retórica de Trump se intensificou em sua campanha para um segundo mandato, com foco na defesa da indústria nacional. A imposição de tarifas tem sido apresentada como um mecanismo para incentivar empresas estrangeiras a instalar fábricas nos Estados Unidos, gerando empregos e diminuindo a dependência externa.
Consequências para os parceiros comerciais
Além dos chips, Trump também anunciou medidas similares contra produtos vindos de países latino-americanos, incluindo o Brasil. Uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras entrou em vigor na mesma quarta-feira, afetando setores como café e carne. No entanto, itens estratégicos como petróleo, suco de laranja e aviões foram poupados, o que, segundo analistas, teria beneficiado diretamente a Embraer.
As ações de Trump levantam dúvidas quanto à estabilidade de acordos já existentes com países aliados. Especialistas em comércio internacional alertam que essas políticas podem gerar retaliações e comprometer relações comerciais consolidadas, além de provocar aumento nos preços para consumidores e indústrias americanas.
Reações do mercado e da indústria
A indústria de semicondutores é estratégica para a segurança nacional e econômica dos Estados Unidos. Em resposta à fala de Trump, representantes da Semiconductor Industry Association (SIA), principal entidade do setor nos EUA, expressaram preocupação com possíveis consequências negativas.
“Medidas unilaterais e protecionistas podem comprometer a inovação e a competitividade americana, ao invés de fortalecê-las. O setor depende de uma cadeia de suprimentos global e de um ambiente de comércio previsível e estável”, afirmou a associação em nota.
Empresas multinacionais como Intel, Qualcomm, AMD e Nvidia ainda não se pronunciaram oficialmente, mas a declaração presidencial reacende o debate sobre a necessidade de investimento em fábricas domésticas, também conhecidas como fabs, nos Estados Unidos.
Incentivos já em curso
Vale lembrar que, em 2022, durante o governo Biden, foi aprovado o CHIPS and Science Act, um pacote de investimentos bilionário para fomentar a produção de semicondutores no país. O plano previa incentivos fiscais e financiamento para empresas que optassem por fabricar chips em solo americano.
A iniciativa buscava justamente resolver gargalos na cadeia de fornecimento e reduzir a vulnerabilidade externa. A proposta de Trump, portanto, não é isolada, mas representa uma intensificação da abordagem intervencionista no setor.
Estratégia política em ano eleitoral

O discurso de Trump também tem um componente eleitoral evidente. Ao prometer ações duras contra importações e focar no fortalecimento da indústria nacional, o ex-presidente mira diretamente no eleitorado que viu empregos industriais desaparecerem ao longo das últimas décadas.
A retórica populista e protecionista é conhecida entre seus apoiadores e tem funcionado como um pilar de sua campanha. Ainda assim, especialistas apontam que medidas extremas como uma tarifa de 100% podem ter efeitos colaterais, tanto econômicos quanto diplomáticos.
Perspectivas e riscos
A comunidade internacional acompanha com atenção os próximos passos. Caso Trump retorne à presidência em 2025 e implemente as tarifas prometidas, haverá impacto direto não apenas na indústria de tecnologia, mas também em setores como automobilístico, aeroespacial e de telecomunicações, que dependem fortemente desses componentes.
Além disso, há o risco de as tarifas desencadearem uma nova onda de instabilidade nos mercados e de afetar negativamente as relações dos Estados Unidos com seus aliados, especialmente os da Ásia.
Com informações de: VEJA

