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Revolta nas redes: donos de carros novos perdem acesso ao Uber Black e se sentem traídos!

A Uber anunciou novas regras para os serviços Comfort e Black e excluiu carros como Citroën Basalt e Renault Kardian, gerando indignação entre motoristas.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
uber

A Uber atualizou as regras de elegibilidade dos veículos para suas modalidades Comfort e Black, que atendem o público premium do aplicativo.

As novas diretrizes, válidas a partir de 5 de janeiro de 2026, surpreenderam motoristas de todo o país ao excluir modelos recém-lançados no Brasil, como Renault Kardian e Citroën Basalt, ambos SUVs compactos que vinham sendo comprados por profissionais justamente para uso nessas categorias.

A medida gerou revolta nas redes sociais e em grupos de motoristas, que alegam terem feito altos investimentos em veículos novos confiando nas especificações técnicas exigidas anteriormente pela plataforma.

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Modelos banidos pela nova política da Uber

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Imagem: Lutsenko_Oleksandr / Shutterstock.com

De acordo com o comunicado da empresa, sete modelos de carros deixarão de ser aceitos para a categoria Uber Black, a mais lucrativa e exclusiva do aplicativo. A partir de janeiro de 2026, os veículos a seguir não poderão ser utilizados nessa modalidade:

  • Renault Kardian
  • Citroën Basalt
  • Caoa Chery Tiggo 3X
  • Peugeot e-2008
  • Hyundai Kona Hybrid
  • JAC J3 Turin
  • JAC iEV40

A decisão também impacta o Uber Comfort, categoria intermediária voltada para corridas com maior conforto, bancos de couro e mais espaço interno.

Segundo a Uber, o objetivo é atualizar os critérios de elegibilidade para manter o padrão premium das categorias, levando em conta avaliações de conforto, desempenho, design e percepção dos passageiros. No entanto, a falta de clareza sobre os critérios específicos gerou descontentamento entre motoristas.


Reações de motoristas e prejuízos financeiros

O caso teve ampla repercussão nas redes sociais, com relatos de motoristas que compraram veículos recentemente e agora se veem impedidos de usá-los nas categorias mais rentáveis do aplicativo.

O drama de Douglas Silva

Um dos casos mais comentados é o de Douglas Silva, motorista no Rio de Janeiro, que comprou um Citroën Basalt zero-quilômetro em junho deste ano. Ele conta que escolheu o modelo por atender tanto à Uber Black quanto à 99 Plus, categoria equivalente da concorrente.

“Colegas estavam para buscar o carro, já tinham dado entrada e pediram o dinheiro de volta na concessionária. Uns conseguiram desfazer o negócio a tempo, mas outros, como eu, que comprei o carro há três meses…”, lamentou Douglas.
“Paguei só três parcelas e ainda faltam mais 45. Foi o dinheiro que juntei com tanto esforço.”

Sem alternativa imediata, ele avalia devolver o veículo à concessionária e trocar por outro modelo aprovado pela plataforma.


Jonas Silva vive situação semelhante

O motorista Jonas Silva, também do Rio, afirma ter financiado um Citroën Basalt em 60 vezes, após esperar três meses pela entrega do veículo.

“Não fazia ideia de que isso iria acontecer. É um carro que atende, é novo, tem espaço interno bom e porta-malas elogiado. Todo mundo gostava”, contou.

Com a mudança, Jonas explica que o impacto financeiro é significativo:

“Não faz sentido pegar um carro para rodar em Comfort, pois as tarifas estão muito baixas. Pretendo priorizar a 99, onde o Plus é o que mais se aproxima do Uber Black.”


Mudança repentina e falta de comunicação

A principal queixa dos motoristas é a ausência de aviso prévio e de transparência nos critérios de exclusão. Muitos relataram que consultaram as exigências no site da Uber antes da compra e que os veículos estavam listados como aceitos nas categorias premium.

Com a nova regra entrando em vigor em menos de três meses, há pouco tempo para adaptação ou troca de veículos.

“Foi tão repentino que ainda não consegui parar para analisar. Vou ver se consigo devolver ou trocar o carro, mesmo que precise pagar mais caro em outro modelo”, afirmou Douglas Silva.


O que diz a Uber

Procurada, a Uber informou que as mudanças fazem parte de uma revisão periódica das categorias Comfort e Black, com o objetivo de manter o padrão de conforto e exclusividade esperado pelos usuários.

Em nota, a empresa afirmou:

“A Uber revisa regularmente os critérios de elegibilidade de veículos para garantir que as categorias ofereçam experiências diferenciadas aos usuários. A atualização de 2026 reflete novas exigências de mercado e preferências dos passageiros.”

A companhia não detalhou quais parâmetros técnicos foram utilizados para excluir os modelos nem se haverá suporte ou compensação aos motoristas impactados.


Categorias Comfort e Black: o que muda na prática

Uber Comfort

É voltada a passageiros que desejam mais espaço e comodidade, com carros mais novos, bancos de couro e avaliações elevadas dos motoristas.

Com a nova regra, alguns modelos compactos e SUVs menores deixarão de ser elegíveis, reduzindo a lista de veículos aceitos.

Uber Black

Considerada a categoria de luxo do aplicativo, o Uber Black exige:

  • Carros pretos ou em cores escuras;
  • Interior em couro;
  • Ar-condicionado digital;
  • Ano de fabricação recente;
  • Padrão de conforto elevado (ruído interno, suspensão, espaço e acabamento).

Esses critérios costumam ser mais rigorosos nas grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, onde há alta concentração de corridas premium.


Impacto econômico e psicológico para motoristas

A exclusão repentina de modelos populares entre motoristas de app tem efeitos diretos na renda e na estabilidade financeira da categoria.

Muitos motoristas financiam veículos novos em planos de 48 a 60 meses, calculando o retorno com base nas tarifas do Uber Black, que são mais vantajosas.

A partir de janeiro de 2026, milhares de profissionais podem ser forçados a:

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  • Migrar para categorias mais baratas, como UberX ou Comfort;
  • Buscar outras plataformas, como 99, InDrive ou Bolt;
  • Tentar revender veículos recém-adquiridos, com desvalorização imediata.

Além do prejuízo financeiro, há impactos emocionais: o sentimento de insegurança e desvalorização profissional entre motoristas que seguem as regras e, mesmo assim, são penalizados por decisões unilaterais.


99 e outras plataformas devem se beneficiar

A reação dos motoristas indica uma migração gradual para a concorrência.
A 99, principal rival da Uber no Brasil, pode sair beneficiada, já que seu serviço 99 Plus tem requisitos menos restritivos e remuneração semelhante à do Uber Black.

Alguns motoristas afirmam que já estão priorizando corridas pela 99, principalmente nas grandes cidades.
Outros avaliam o uso simultâneo de aplicativos para compensar perdas de faturamento.


A relação delicada entre plataformas e motoristas

A polêmica reacende o debate sobre a falta de diálogo entre as plataformas e os profissionais que mantêm o sistema em funcionamento.

Nos últimos anos, a Uber tem enfrentado críticas sobre transparência e previsibilidade nas decisões que afetam os motoristas, especialmente em relação a mudanças de tarifa e regras de categoria.

Sem uma comunicação prévia clara, muitos profissionais acabam assumindo dívidas longas com base em critérios que mudam repentinamente.


Especialistas criticam falta de previsibilidade

Analistas de mobilidade urbana e economia digital avaliam que a decisão da Uber poderia ter sido implementada de forma gradual, com um prazo de transição maior ou programas de compensação.

Segundo o economista Rafael Almeida, do Observatório da Mobilidade, a medida “mostra o quanto os trabalhadores de aplicativos continuam em uma posição frágil, sem qualquer tipo de segurança ou previsibilidade”.

“O motorista é, na prática, um microempreendedor, mas sem autonomia real. Ele depende totalmente das regras da plataforma, que podem mudar de um dia para o outro, como neste caso”, afirmou.


O futuro das categorias premium da Uber

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Imagem: PHOTOCREO Michal Bednarek / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Apesar da polêmica, a Uber sinaliza que o foco nas categorias premium continuará, especialmente nas grandes capitais e aeroportos.

A empresa pretende reforçar o posicionamento de luxo do Uber Black, atraindo passageiros dispostos a pagar mais por conforto e discrição.

Por outro lado, a redução da frota de veículos elegíveis pode diminuir a oferta de motoristas nessas modalidades, o que pode causar aumento de preços e tempo de espera para os usuários.


Considerações finais

A exclusão de modelos recém-lançados como Citroën Basalt e Renault Kardian das categorias Uber Comfort e Black gerou uma onda de insatisfação entre motoristas que apostaram no investimento em veículos novos.

Com a mudança válida a partir de janeiro de 2026, muitos profissionais terão que reavaliar seus financiamentos, buscar alternativas em outras plataformas ou se adaptar a categorias com tarifas menores.

O episódio expõe novamente a fragilidade da relação entre plataformas e trabalhadores, bem como a necessidade de regras mais transparentes e previsíveis no setor de transporte por aplicativo.

Enquanto a Uber reforça seu compromisso com o “padrão premium”, milhares de motoristas se perguntam quem, de fato, pagará a conta dessa atualização — e se o novo modelo realmente trará benefícios a longo prazo.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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