Em 5 de junho de 2025, o Bitcoin operava pouco acima de US$ 105.000, mas, ao contrário de ciclos anteriores, a volatilidade estava em seu menor nível em quase dois anos. A aparente estabilidade, porém, pode estar mascarando uma transformação profunda no ecossistema da criptomoeda mais valiosa do mundo.
Swan afirma que o Bitcoin entrou em seu último ciclo: “Fim de uma era”
A Swan Financial alerta que o Bitcoin pode estar atravessando seu último ciclo de quatro anos, com instituições assumindo o controle do mercado.
Segundo a Swan Financial, empresa sediada em Los Angeles e especializada exclusivamente em Bitcoin, o mercado estaria prestes a entrar em uma fase sem precedentes: a “última rotação”.
Trata-se de uma transferência gradual, mas significativa, do controle sobre o fornecimento de BTC dos especuladores para investidores institucionais com horizontes de décadas.
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O fim do ciclo de quatro anos?
Desde o surgimento do Bitcoin, os ciclos de mercado costumam seguir padrões de quatro anos, guiados principalmente pelos eventos de halving. Esses ciclos têm se caracterizado por três anos de acumulação e crescimento, seguidos por um ano de queda acentuada.
Contudo, 2025 parece desafiar esse modelo. Em vez de movimentos parabólicos como os observados em 2013, 2017 e 2021, o ano tem apresentado oscilações moderadas e longos períodos de lateralização. Para a Swan, essa estabilidade não é sinal de fraqueza, mas sim de um acúmulo institucional silencioso.
A tese do “Tédio que engana”
A empresa argumenta que o “tédio” que muitos analistas vêm nos movimentos de preço esconde um processo de redistribuição. Investidores antigos estão vendendo em lucro acima dos US$ 100 mil, enquanto grandes instituições estão absorvendo essa liquidez com métodos sistemáticos.
As três grandes rotações: Entidades, intenções e gerações

A Swan descreve três movimentos interconectados. O primeiro é a mudança nas entidades que detêm Bitcoin. Curadores, advogados e investidores individuais estão vendendo suas posições para fundos de investimento, ETFs, empresas como a BlackRock e Fidelity, e possivelmente balanços de estados-nação.
Michael Saylor, fundador da MicroStrategy, foi citado pela Swan como um exemplo dessa transição. A estratégia de sua empresa, de adquirir grandes quantidades de BTC para fins de reserva, ilustra como as tesourarias corporativas estão se tornando protagonistas no ecossistema.
Rotação de intenções: De especulação a alocação
A segunda mudança é de natureza filosófica: as intencionalidades mudaram. Os novos compradores não estão especulando a curto prazo. Eles estão alocando capital com objetivo de preservação de valor a longo prazo. Para esses atores institucionais, o Bitcoin funciona como uma reserva de valor estratégica e, uma vez adquirido, é retirado de circulação.
Rotação geracional: Millennials e o legado do capital
Por fim, a Swan aponta para uma mudança geracional. A Geração Silenciosa investiu em ouro. Os Baby Boomers em ações. A Geração X explorou o mercado de tecnologia. Agora, os Millennials, que estão entrando em sua fase de maior acumulação de capital e heranças, estão optando pelo Bitcoin.
Com trilhões de dólares previstos para mudar de mãos entre as gerações nas próximas décadas, o destino desses recursos pode ser determinante para o comportamento do mercado.
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Pressão macroeconômica aumenta atração do Bitcoin
A Swan destaca também o pano de fundo macroeconômico como catalisador dessa nova fase. Segundo a empresa, o mercado vive uma situação anormal: o dólar americano está se enfraquecendo ao mesmo tempo em que os rendimentos dos títulos do Tesouro aumentam. Essa “divisão rara e perigosa” pode empurrar investidores para alternativas como o Bitcoin.
Reserva de valor neutra
O argumento é que, diante da instabilidade dos ativos tradicionais, o Bitcoin emerge como uma opção neutra, escassa e descentralizada. Essa narrativa tem ganhado força à medida que investidores institucionais buscam segurança fora do sistema fiduciário.
Consequências de longo prazo: A retirada de BTC do mercado
Com mais BTC sendo armazenado por instituições e fundos que não pretendem vendê-los no curto prazo, a liquidez real do mercado diminui. Isso torna o fornecimento ainda mais inelástico e aumenta a sensibilidade do preço a qualquer choque de demanda.
A Swan conclui que o atual período de estabilidade em torno dos US$ 105 mil é menos um sinal de esgotamento e mais um prenúncio de uma explosão de liquidez. Segundo a empresa, quem vende agora está provavelmente entregando seus Bitcoins a entidades que jamais devolverão essas moedas ao mercado.
Considerações finais: Um novo capítulo no Bitcoin?

O relatório da Swan não apenas descreve uma mudança no comportamento do mercado. Ele propõe uma nova forma de interpretar o ciclo do Bitcoin: não mais como uma sequência previsível de altas e quedas, mas como um processo histórico de reconfiguração de propriedade, intencionalidade e geração de valor.
Se a tese estiver correta, o “último ciclo” pode, de fato, ser o começo de uma nova era para o Bitcoin — uma era definida não por traders, mas por investidores permanentes, por estados-nação e por uma nova geração que encontra na criptomoeda uma base sólida para construir o futuro.
