Usiminas (USIM5) lidera quedas do Ibovespa após recomendação do Itaú BBA ser cortada
Ibovespa desde a abertura dos mercados. O papel chegou a cair mais de 6% nos primeiros minutos do pregão, o que levou a um leilão de abertura por oscilação máxima na B3.
Por volta das 11h (horário de Brasília), Usiminas (USIM5) recuava 5,27%, cotada a R$ 4,67. O movimento negativo persistiu ao longo do dia, e as ações encerraram a sessão com uma queda de 6,90%, negociadas a R$ 4,59.
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Rebaixamento do Itaú BBA pressiona ações
O principal gatilho para o recuo expressivo foi a revisão negativa do Itaú BBA sobre os papéis da siderúrgica. O banco rebaixou a recomendação de compra para “market perform”, equivalente a uma posição neutra, em razão da deterioração do cenário para o setor de aços planos no Brasil.
Citação do relatório
“Estamos revertendo nossa tese de investimento anteriormente mais positiva na Usiminas e rebaixando a classificação da ação devido a uma deterioração mais rápida do que o esperado nos preços de aços planos no Brasil — com queda de 14% desde março”, destacou o relatório assinado por Daniel Sasson e sua equipe de análise.
Apesar do rebaixamento, o Itaú BBA estipulou um preço-alvo de R$ 5,90 para a ação — o que implica um potencial de valorização de 19,7% frente ao fechamento da véspera (R$ 4,93).
Os fatores que motivaram a revisão negativa
Desempenho fraco nos preços de aço
O Itaú BBA destacou que os preços de aços planos no Brasil vêm sofrendo uma deterioração mais acentuada do que o antecipado. A queda acumulada de 14% desde março representa um fator relevante para os resultados da Usiminas, cuja operação de aço é altamente sensível à variação de preços por tonelada.
Custos operacionais e margens apertadas
Outro fator de preocupação apontado pelo banco é o desempenho de custos, considerado abaixo do esperado. Essa pressão adicional sobre as margens operacionais fez com que a projeção de Ebitda consolidado da empresa para 2025 fosse reduzida para R$ 2 bilhões — um corte de 33% em relação à estimativa anterior.
Projeção para o 2º trimestre
Para o segundo trimestre de 2025, a expectativa da equipe do Itaú BBA é que o Ebitda da companhia some cerca de R$ 500 milhões, refletindo o ambiente adverso de preços e custos.
Alavancagem operacional agrava cenário
O relatório ressalta ainda que a Usiminas possui uma alavancagem operacional elevada no segmento de aço, o que significa que mesmo variações modestas nos preços ou nos custos podem provocar impactos desproporcionais nos resultados da empresa.
Estabilidade no fluxo de caixa
Apesar da piora no cenário de curto prazo, os analistas projetam uma estabilidade no fluxo de caixa livre (FCF) entre 2025 e 2026. Entretanto, isso não foi suficiente para manter uma visão otimista sobre os papéis.
Avaliação de valor e múltiplos
USIM5 negociada a múltiplos justos, segundo o banco
Na visão do Itaú BBA, USIM5 está sendo negociada a um valor considerado justo, levando em conta os níveis históricos de avaliação. O valor de mercado atual da empresa é praticamente equivalente ao valor de seus estoques menos a dívida líquida.
“Embora os múltiplos da Usiminas e a geração de FCF não sejam atraentes, notamos que seu valor de mercado é equivalente aos seus níveis de estoque atuais menos a dívida líquida da empresa, o que implica nenhuma geração de valor à frente”, diz o relatório.
EV/tonelada abaixo da média histórica
O múltiplo EV/tonelada — que relaciona o valor da empresa ao volume de aço produzido — está em R$ 1.115. Isso representa um patamar cerca de 30% abaixo da média dos últimos dois anos e 50% abaixo da média de dez anos.
Para os analistas, esse nível não indica uma barganha, especialmente diante da falta de gatilhos que possam reverter o desempenho no curto prazo.
O que esperar das ações da Usiminas?
Ausência de catalisadores de curto prazo
A equipe do Itaú BBA acredita que, no cenário atual, não há catalisadores relevantes para impulsionar o desempenho das ações da Usiminas no curto prazo. A falta de perspectivas para recuperação dos preços de aço ou melhora operacional significativa reforça o viés mais cauteloso.
Impacto setorial e concorrência
A deterioração nos preços do aço afeta não só a Usiminas, mas todo o setor siderúrgico. No entanto, empresas com menor alavancagem operacional ou exposição geográfica mais diversificada podem enfrentar melhor esse período de baixa.
Histórico recente da ação USIM5
Em 2025, a ação USIM5 vem enfrentando forte volatilidade, acompanhando os movimentos do mercado global de commodities e a demanda interna por produtos siderúrgicos. A cotação chegou a ultrapassar R$ 6,00 em março, antes de iniciar uma trajetória de queda contínua.
Desempenho acumulado no ano
Com a queda de 6,90% na terça-feira (17), USIM5 acumula uma desvalorização superior a 20% no ano, refletindo as incertezas macroeconômicas, os desafios operacionais e a frustração com os resultados financeiros da companhia.
Perspectivas e recomendações

Itaú BBA adota postura neutra
Com a recomendação de “market perform”, o Itaú BBA sugere que o investidor mantenha cautela em relação à Usiminas, observando possíveis atualizações no cenário setorial e nos indicadores operacionais da empresa.
Outros analistas devem revisar estimativas
A depender da repercussão do relatório do Itaú BBA, é possível que outras casas de análise revisem suas projeções para a Usiminas nos próximos dias. O mercado deve continuar atento à divulgação de novos dados operacionais, especialmente no resultado do segundo trimestre.
Conclusão
A forte queda das ações da Usiminas (USIM5) nesta terça-feira evidencia a sensibilidade do mercado a revisões de perspectivas, especialmente em setores cíclicos como o siderúrgico. O rebaixamento do Itaú BBA, motivado por preços em queda e desempenho operacional fraco, jogou luz sobre os desafios enfrentados pela companhia em 2025. Sem catalisadores claros de curto prazo e com múltiplos considerados justos, o momento é de cautela para investidores que acompanham o papel. A Usiminas segue pressionada e dependerá de uma melhora nos fundamentos do setor para retomar o fôlego na Bolsa.
