Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Vale lucra US$ 2,12 bi no 2º trimestre com queda de 24% na comparação anual

A Vale lucrou US$ 2,12 bi no 2T25, queda de 24% na comparação anual. Receita, EBITDA e custos refletem cenário desafiador para commodities.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Vale

A mineradora Vale S.A. (VALE3) divulgou nesta quinta-feira (31) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2025. O desempenho do período foi marcado por uma queda de 24% no lucro líquido, que somou US$ 2,12 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O resultado, ainda que superior às estimativas de alguns analistas, reflete um cenário de preços mais baixos para o minério de ferro, principal commodity da empresa, e desafios globais que continuam a pressionar o setor de mineração.

Leia mais:

Golpistas usam contas verificadas no WhatsApp para se passar por transportadoras

Prazo para completar cadastro no Fies 2025 acaba sexta-feira (1°)

Lucro líquido abaixo do ano anterior, mas acima do esperado

Vale
Imagem: Stock.com/CUHRIG/Empiricus | Edição CanvaPro

Apesar do recuo anual expressivo, o lucro de US$ 2,12 bilhões superou a estimativa de consenso da LSEG, que projetava R$ 1,438 bilhão. A reação do mercado, por ora, é cautelosa, uma vez que o desempenho do primeiro trimestre havia vindo abaixo das projeções.

O número divulgado inclui apenas o lucro líquido atribuível aos acionistas da empresa, critério frequentemente utilizado como referência nas análises de rentabilidade corporativa.

Receita líquida encolhe 11% e fica em linha com estimativas

A receita líquida da Vale no segundo trimestre de 2025 foi de US$ 8,8 bilhões, uma queda de 11% frente ao mesmo período de 2024. A projeção de analistas era de US$ 8,81 bilhões, praticamente em linha com o resultado divulgado.

Esse recuo está atrelado à redução dos preços de venda de suas principais commodities, principalmente o minério de ferro.

Ebitda proforma tem retração de 14%, mas supera previsões

O Ebitda proforma ajustado — indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo fatores não recorrentes — totalizou US$ 3,4 bilhões, uma retração de 14% na base anual.

Ainda assim, o valor superou a estimativa de consenso do mercado, que previa um Ebitda de US$ 3,32 bilhões. A Vale justifica o uso do Ebitda proforma para representar com maior fidelidade sua operação recorrente, especialmente na ausência de pagamentos extraordinários no trimestre.

“O forte desempenho dos segmentos de cobre e níquel, aliado ao menor custo caixa C1 de minério de ferro, compensaram parcialmente os menores preços de commodities”, destacou a mineradora em comunicado.

Preços de commodities pressionam margens da mineradora

A queda nos preços das commodities impactou diretamente os resultados da Vale no segundo trimestre:

  • Preço médio do minério de ferro: US$ 85,1 por tonelada
    • Queda de 6% na comparação com o 1º trimestre
    • Redução de 13% em relação ao 2º trimestre de 2024
  • Custo all-in do minério de ferro: US$ 55,3/tonelada
    • Dentro da faixa projetada (US$ 53 a US$ 57)
    • Recuo de 10% na base anual
  • Custo do cobre: US$ 1.450/t, queda anual de 60%
  • Custo do níquel: US$ 12.396/t, redução de 30%

A mineradora também revisou para baixo seu guidance de custo all-in do cobre, que passou de US$ 2.800–3.300/t para US$ 1.500–2.000/t, refletindo eficiência operacional e valorização inesperada do ouro, segundo a companhia.

Desempenho operacional melhora em meio a retração de embarques

A Vale informou que seu desempenho operacional evoluiu positivamente em todos os segmentos de negócios. No entanto, os embarques de minério de ferro caíram 3%, como resultado da estratégia de otimização do portfólio que já está em andamento.

Por outro lado:

  • Vendas de cobre cresceram 17%, totalizando 12,9 mil toneladas
  • Vendas de níquel subiram 21%, alcançando 7 mil toneladas

A empresa afirmou que essa performance reflete a consolidação de operações mais eficientes, especialmente nas frentes de metais básicos.

Dívida líquida reduzida amplia possibilidade de dividendos

A dívida líquida expandida da Vale chegou a US$ 17,4 bilhões no fim de junho, representando uma redução de US$ 0,8 bilhão em relação ao trimestre anterior. Esse número ainda se encontra dentro da faixa estimada pela empresa (US$ 10 a 20 bilhões).

Esse recuo pode aumentar a expectativa do mercado em relação a dividendos extraordinários, à medida que a dívida se afasta do teto da faixa prevista.

Além disso, a Vale aprovou o pagamento de R$ 1,90 por ação em juros sobre capital próprio, reforçando seu compromisso com a remuneração ao acionista.

Avanços estratégicos e destaques do trimestre

A companhia destacou alguns marcos relevantes atingidos no segundo trimestre de 2025:

Projeto Capanema realiza primeiro embarque

O projeto de expansão de Capanema, importante para os planos de médio prazo da companhia, realizou seu primeiro embarque no trimestre. A Vale aponta que esse projeto é fundamental para alcançar o guidance de produção anual.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Programa de reparação da Samarco e Brumadinho

A mineradora também apresentou atualizações sobre suas obrigações de reparação social e ambiental:

  • R$ 60 bilhões já foram desembolsados no programa de reparação da Samarco
  • No caso de Brumadinho, 77% dos compromissos do Acordo de Reparação Integral já foram cumpridos
  • Desde 2019, a empresa já pagou R$ 3,9 bilhões em indenizações individuais

“O Acordo de Reparação Integral de Brumadinho continua avançando em linha com os prazos estabelecidos”, afirmou a Vale.

Expectativas para o segundo semestre e próximos desafios

Apesar da queda nos lucros e receitas, a mineradora sinaliza otimismo moderado para o restante de 2025, apostando em:

  • Maior eficiência de custos
  • Recuperação gradual nos preços das commodities
  • Crescimento nas vendas de cobre e níquel
  • Conclusão de projetos estratégicos

Contudo, o cenário global ainda impõe desafios importantes, como a volatilidade nos mercados de metais, possíveis pressões regulatórias ambientais e incertezas macroeconômicas.

Reação do mercado e perspectivas para VALE3

Vale
Imagem: Reuters

Até o momento, a reação do mercado aos resultados do 2T25 é de expectativa e análise cuidadosa. O fato de a empresa ter superado estimativas de lucro e Ebitda pode sustentar a ação no curto prazo, mas o desempenho futuro dependerá de fatores como:

  • Sustentação dos preços do minério de ferro na China
  • Novas sinalizações sobre dividendos extraordinários
  • Avanços na agenda de descarbonização da empresa
  • Entrega de novos projetos no prazo

Analistas seguem monitorando o guidance de produção e a evolução da alavancagem financeira como principais vetores de recomendação.

Conclusão

O segundo trimestre de 2025 da Vale apresentou uma queda de 24% no lucro líquido, refletindo o impacto direto da queda nos preços das commodities.

Apesar disso, a mineradora conseguiu superar expectativas, melhorou sua eficiência operacional e mantém uma posição financeira saudável, com margem para potencial distribuição de dividendos extraordinários.

A continuidade da estratégia de diversificação, a melhora no custo de produção e a execução de projetos-chave como o Capanema reforçam a perspectiva de que a Vale está bem posicionada para enfrentar os desafios do mercado e manter sua relevância no setor global de mineração.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados