Primeiro registro da nova variante da Covid-19 no Brasil: confira as localidades
O Ministério da Saúde confirmou a presença da nova variante da Covid-19, denominada XFG, no Brasil. O primeiro registro ocorreu no Ceará, com seis casos confirmados entre 25 e 31 de maio, conforme divulgado na última sexta-feira (4) pela Secretaria da Saúde do Estado. Outros dois casos foram identificados em São Paulo, totalizando oito infecções confirmadas até o momento no país.
A variante XFG já foi detectada em 38 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica a cepa como uma “variante sob monitoramento”. Apesar da ampla disseminação, a organização informa que não há evidências de maior gravidade, reforçando que o risco global é considerado baixo neste momento.
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O que se sabe sobre a variante XFG
Segundo o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a XFG é fruto da recombinação de duas linhagens da Ômicron: LF.7 e LP.8.1.2. Esta última já vinha ganhando predominância global nos últimos meses.
“A LP.8.1.2 se tornou dominante, e agora a XFG, que deriva dela, passou a predominar na Índia e está se espalhando pelo mundo”, explicou Croda.
A presença da nova variante nos testes genômicos sequenciados globalmente subiu de 7% para 23% entre maio e junho de 2025, indicando uma tendência de maior transmissibilidade.
Por que a XFG está se tornando dominante?
Segundo Croda, o comportamento de dominância de uma variante se deve a dois fatores principais:
- Maior transmissibilidade
- Capacidade de escape imunológico
No entanto, ele destaca que não há relação direta com aumento de gravidade ou letalidade.
Situação no Brasil: casos no Ceará e em São Paulo
Dos oito casos confirmados no Brasil até agora:
- Seis foram registrados no Ceará, a maioria na capital Fortaleza.
- Dois foram detectados no estado de São Paulo.
A Secretaria de Saúde do Ceará reportou um discreto aumento na positividade de testes para Covid-19 nas últimas semanas de junho. O índice, que era praticamente zero no início do mês, subiu para 10% ao final do período, de acordo com dados do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen-CE).
“É possível que a nova variante seja responsável por esse aumento de casos, que nesse momento ainda é discreto, mas que pode se elevar nas próximas semanas”, afirmou o secretário executivo de Vigilância em Saúde do estado, Antonio Silva Lima Neto.
Expansão global da XFG
De acordo com a OMS, a variante XFG tem avançado rapidamente em diversas regiões do mundo:
Regiões com aumento de casos:
- Sudeste Asiático: de 17,3% para 68,7% dos casos — com destaque para a Índia, onde a XFG já é dominante.
- Américas: crescimento de 7,8% para 26,5% na proporção de casos.
- Pacífico Ocidental, Europa e África: também registram aumento na presença da variante.
Apesar dessa expansão, a organização ressalta que os casos graves e óbitos não aumentaram proporcionalmente. Por isso, o alerta é de monitoramento, mas o nível de risco global permanece baixo.
Sintomas da XFG: o que muda?
Os sintomas associados à XFG são semelhantes aos de outras variantes da Ômicron, com manifestações leves na maioria dos casos. No entanto, alguns quadros têm apresentado sintomas específicos, como:
- Dor de garganta intensa
- Rouquidão
- Irritação nas vias aéreas superiores
“Até o momento, não há evidência de que a XFG cause formas mais graves da doença. A principal preocupação é sua transmissibilidade”, destacou Croda.
Vacinas continuam eficazes contra a nova variante
O Ministério da Saúde e a OMS reiteram que as vacinas atualmente em uso seguem eficazes contra a variante XFG, especialmente na prevenção de formas graves e mortes.
A vacinação atualizada continua sendo a principal forma de proteção da população, especialmente em grupos de risco, como idosos e imunossuprimidos.
Situação da vacinação no Brasil:
- Mais de 14,2 milhões de doses foram distribuídas em 2025.
- A cobertura entre idosos ainda é considerada baixa, o que preocupa especialistas.
- Há uma recomendação expressa para que ao menos uma dose atualizada seja aplicada anualmente, nos moldes da vacina contra a influenza.
“Existe uma recomendação clara da OMS e do Ministério da Saúde para que os idosos recebam pelo menos uma dose atualizada da vacina. Mas a adesão está baixa”, alertou Croda.
Ministério da Saúde monitora situação
Em nota oficial, o Ministério da Saúde afirmou que:
- Monitora os sequenciamentos genômicos de forma contínua.
- Reforça a importância da vacinação atualizada.
- Afirma que, até o momento, não há mortes registradas pela variante XFG no Brasil.
A pasta também destacou que, embora o cenário atual não indique gravidade elevada, a chegada de novas variantes exige atenção constante, principalmente em relação à capacidade do vírus de se espalhar rapidamente.
XFG ainda não é o vírus respiratório dominante no país
Embora a nova variante esteja em ascensão, a Covid-19 não é atualmente o principal causador de hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil.
A influenza lidera os registros, mas a presença da XFG pode alterar esse panorama, dependendo do nível de imunidade coletiva da população e da velocidade de disseminação do novo subtipo.
Fatores que podem influenciar a expansão da XFG:
- Baixa cobertura vacinal
- Circulação de outras variantes do coronavírus
- Alta densidade populacional
- Relaxamento de medidas preventivas
O que a população deve fazer?
Apesar do momento ainda ser de monitoramento, especialistas reforçam medidas simples e eficazes para minimizar o risco de contágio, principalmente em locais com aumento de casos.
Medidas recomendadas:
- Vacinação atualizada, especialmente para grupos prioritários.
- Uso de máscara em ambientes fechados ou aglomerados, se houver aumento de casos locais.
- Higienização frequente das mãos.
- Evitar contato com pessoas com sintomas gripais.
“O comportamento da variante no Brasil pode ser diferente de outros países. Por isso, é fundamental garantir proteção principalmente nos grupos de risco”, ressaltou Croda.
Imagem: Tomas Ragina / Shutterstock.com