Vender precatórios compensa? Especialistas explicam o que considerar antes da decisão
Descubra se vender seu precatório compensa e veja o que considerar antes da decisão. Leia agora e evite prejuízos!
Precatórios são ordens de pagamento expedidas pelo Poder Judiciário após condenações definitivas contra o Estado (União, estados ou municípios). Esses valores são devidos a pessoas físicas ou jurídicas e envolvem dívidas como salários atrasados, indenizações ou benefícios previdenciários.
Apesar de representarem valores já garantidos judicialmente, muitos credores optam por vender seus precatórios para receber parte do valor de forma mais rápida. A motivação principal: a longa espera para o pagamento.
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Diferença entre precatórios e RPVs
Antes de decidir pela venda, é importante entender a diferença entre os dois principais tipos de créditos judiciais:
- RPVs (Requisições de Pequeno Valor): valores de até 60 salários mínimos, pagos em até 60 dias após decisão judicial transitada em julgado.
- Precatórios: acima de 60 salários mínimos, entram em uma fila de pagamento e podem demorar anos para serem quitados.
Por que vender um precatório?
Demora no pagamento
O principal motivo que leva muitos brasileiros a venderem seus precatórios é o prazo de recebimento. Em 2025, os pagamentos federais começam apenas em agosto, e muitos estados e municípios enfrentam atrasos ainda maiores.
Essa espera, muitas vezes, pode ultrapassar cinco anos, principalmente em casos em que há disputa sobre a ordem de pagamento, recursos pendentes ou orçamentos limitados.
Necessidade imediata de dinheiro
Quando o credor está enfrentando dificuldades financeiras, precisa fazer um investimento urgente ou quer se livrar da incerteza e burocracia, a venda pode parecer uma boa saída — mesmo com o deságio (desconto aplicado sobre o valor total do precatório).
Como funciona a venda de precatórios?
Cessão de crédito judicial
A venda de precatórios é realizada por meio de um contrato de cessão de crédito, no qual o titular transfere seus direitos sobre o valor para outra pessoa física ou jurídica. Esse contrato deve ser registrado no Tribunal responsável pelo processo.
Em alguns casos, é necessária a anuência do ente público devedor, garantindo que o pagamento seja realizado ao novo titular.
Análise jurídica e negociação
Empresas interessadas em comprar precatórios realizam uma análise técnica e jurídica do crédito. São avaliados:
- O tipo do precatório (alimentar ou comum);
- O ente devedor (União, estado ou município);
- A existência de pendências judiciais;
- A previsão de pagamento;
- A documentação disponível.
Após a análise, a empresa propõe um valor com base no deságio, e, se aceito, o contrato é formalizado.
Quanto se perde ao vender um precatório?
Entenda o deságio
O deságio é o desconto aplicado sobre o valor total do precatório para que o comprador tenha lucro no negócio.
Segundo levantamento recente, os valores de deságio praticados em 2025 são:
- Precatórios federais: deságio de 30% a 50%;
- Precatórios estaduais: deságio de 40% a 70%;
- Precatórios municipais: deságio de até 70%.
Exemplos práticos
Um precatório de R$ 100 mil pode ser vendido por:
- R$ 70 mil, se federal;
- R$ 60 mil, se estadual;
- R$ 30 mil, se municipal.
Essa perda é compensada pelo recebimento imediato — mas nem sempre compensa, especialmente se o pagamento estiver próximo ou se o credor não estiver em necessidade urgente.
Quando vale a pena vender um precatório?
Casos em que pode ser vantajoso:
- Quando o precatório só será pago em muitos anos;
- Quando o credor está em situação financeira difícil;
- Quando há incerteza sobre a ordem de pagamento;
- Quando o deságio é considerado aceitável frente à urgência.
Casos em que não compensa:
- Quando o pagamento está próximo;
- Quando o deságio é muito alto;
- Quando não há urgência em receber o valor;
- Quando o credor pode usar o precatório como garantia para obter um empréstimo com juros menores que o deságio.
Alternativas à venda: empréstimo com garantia de precatório
Segundo especialistas, o crédito judicial pode ser usado como garantia para empréstimos em instituições financeiras, o que pode reduzir perdas, já que os juros geralmente são menores que os deságios praticados por empresas compradoras.
Mas, assim como a venda, essa opção exige cautela, pois envolve avaliação de riscos e possíveis cobranças.
Golpes envolvendo precatórios: fique atento!
Crescem os relatos de tentativas de fraude
Com o aumento do volume de precatórios liberados, também crescem os golpes. Criminosos entram em contato com credores, se passando por advogados ou representantes de escritórios, oferecendo antecipações ou “liberações imediatas” mediante pagamento de taxas.
Como se proteger:
- Não forneça dados pessoais a desconhecidos;
- Não faça pagamentos para antecipar recebimento de precatório;
- Confirme a identidade de quem entrar em contato;
- Sempre consulte o advogado responsável pelo processo;
- Acesse diretamente o site do tribunal responsável para consultar o status.
A Justiça Federal alerta que não há taxas para pagamento de precatórios e recomenda desconfiar de contatos de terceiros sobre o tema.
O que as empresas avaliam antes de comprar um precatório?

As empresas que atuam nesse mercado consideram diversos fatores:
- Precatórios federais são mais valorizados que estaduais e municipais;
- Créditos de natureza alimentar (salários, pensões) têm prioridade de pagamento;
- Créditos com documentação completa e sem pendências judiciais são preferidos;
- Tempo estimado de pagamento influencia diretamente o deságio.
Conclusão: vender ou esperar?
A decisão de vender um precatório deve ser tomada com cautela, levando em conta:
- Urgência na obtenção do dinheiro;
- Valor do deságio;
- Riscos de inadimplência por parte do ente público;
- Alternativas, como empréstimos com garantia do crédito.
Procure orientação jurídica especializada e nunca aceite ofertas sem verificar a idoneidade da empresa compradora.
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