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Cuidado: vírus que rouba Pix pode sumir com quase todo o saldo da sua conta

Vírus Brats, descoberto pela Kaspersky, permite que cibercriminosos roubem Pix em celulares Android, trocando a chave e valor da transferência.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Vírus

O Pix, sistema de pagamento instantâneo mais utilizado no Brasil, também se tornou o alvo preferido de cibercriminosos. Um novo tipo de vírus bancário descoberto pela Kaspersky, empresa de segurança digital, está alarmando especialistas e usuários ao redor do país. Chamado de Brats, o malware foi criado para agir silenciosamente em celulares com sistema Android, permitindo roubos automáticos de valores via Pix, muitas vezes sem que a vítima perceba imediatamente.

Segundo a empresa, o Brats já foi detectado mais de 1.500 vezes entre janeiro e setembro de 2023, e representa uma evolução perigosa do chamado golpe da mão invisível, substituindo o controle remoto humano por automação total via software malicioso.

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Tela de computador com vírus
Foto: solarseven/ shutterstock

Como o vírus Brats age durante uma transferência via Pix

O funcionamento do vírus é sofisticado e altamente discreto. Quando instalado em um celular Android, o trojan bancário se infiltra nos aplicativos de bancos ou carteiras digitais e interfere na transferência em tempo real, trocando a chave Pix do destinatário e, em muitos casos, alterando o valor da transferência.

O golpe em ação:

  • A vítima abre seu aplicativo bancário e inicia uma transferência.
  • Sem que perceba, o vírus entra em ação no momento do envio, alterando os dados.
  • Em vez de R$ 1, o sistema envia quase todo o saldo da conta, como mostra um vídeo divulgado pela Kaspersky, onde uma vítima tenta transferir um valor simbólico e acaba enviando R$ 636,95, ou 97% do seu saldo.

Um pequeno tremor na tela pode ser o único sinal visível da alteração. Fora isso, o golpe é quase imperceptível no momento da transação.

Brats: uma evolução do golpe da mão invisível

O nome Brats tem origem na fusão das palavras “Brasil” e “ATS” (sigla em inglês para Sistema Automatizado de Transferência). Diferente de outras pragas, o Brats não exige controle remoto humano em tempo real. Ou seja, o criminoso pode estar longe — na praia, por exemplo — enquanto o malware executa as fraudes automaticamente.

Diferença entre Brats e o golpe da mão invisível

CaracterísticaGolpe da Mão InvisívelBrats
ControleRemoto, em tempo realAutomatizado pelo malware
Presença do criminosoNecessária durante a operaçãoNão é necessária
Risco de detecçãoMaior (ações manuais visíveis)Menor (processo quase invisível)
AlcanceLimitadoPode atingir muitas vítimas simultaneamente

Essa automação permite que os criminosos executem fraudes em larga escala, aproveitando a velocidade das transações via Pix e a capacidade de dividir o dinheiro entre várias contas para dificultar o rastreamento.

Como o vírus é instalado nos celulares

O Brats não está disponível na Play Store, loja oficial de aplicativos Android. Ele é distribuído por meio de arquivos .APK, baixados de sites suspeitos ou falsos que prometem recompensas em dinheiro.

Etapas da infecção:

  1. A vítima acessa um site com a promessa de “ganhar dinheiro abrindo um baú”.
  2. O site direciona o usuário para baixar um aplicativo .APK (fora da loja oficial).
  3. O app solicita uma “atualização” falsa de um leitor de PDF ou Flash Player.
  4. Em seguida, solicita que a vítima ative permissões de acessibilidade no Android.
  5. Ao aceitar, o app ganha controle total sobre o sistema, podendo interagir com apps bancários sem ser detectado.

Sem a ativação da permissão de acessibilidade, o vírus não consegue executar a fraude. Esse é, portanto, o ponto crítico da instalação.

Por que o Pix é o alvo principal dos golpes

Pix
Imagem: Freepik e Canva

Com mais de 150 milhões de usuários ativos no Brasil, o Pix se tornou a principal ferramenta de transferências financeiras, substituindo DOCs, TEDs e até transações com cartão. Para os criminosos, é o sistema ideal:

  • Transferência instantânea
  • Funciona 24/7
  • Dificuldade de reverter valores
  • Pouco tempo para bloqueio após fraude
  • Fácil dispersão do valor em contas laranjas

Com o Brats, os criminosos não precisam mais esperar pela abertura do aplicativo ou por ações da vítima — o sistema atua automaticamente no momento mais vulnerável da transação.

Como se proteger do vírus Brats e de outros malwares bancários

1. Nunca instale apps fora da Play Store

A esmagadora maioria dos malwares para Android é instalada via arquivos .APK de fontes desconhecidas. Mesmo que o site pareça confiável ou prometa prêmios, não vale o risco.

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2. Desconfie de apps que solicitam permissões de acessibilidade

Essa permissão, voltada para pessoas com deficiência, dá ao aplicativo o controle total sobre a navegação do celular. Se um app não relacionado a acessibilidade pedir esse acesso, cancele imediatamente.

3. Mantenha um antivírus confiável instalado

Com a migração dos crimes digitais para dispositivos móveis, ter um antivírus atualizado no celular se tornou essencial, principalmente para quem realiza transações financeiras com frequência.

4. Acompanhe o extrato bancário com regularidade

Nem sempre o golpe é notado de imediato. Fazer uma checagem diária do saldo pode evitar maiores prejuízos e permitir uma reação mais rápida junto ao banco ou autoridades.

5. Habilite notificações de transações financeiras

Ative alertas via SMS ou e-mail para cada movimentação feita na conta. Assim, é possível saber em tempo real se algo foi feito sem sua autorização.

O que fazer se for vítima do vírus Brats

Ransomware
Imagem: Freepik

Se você suspeita que foi vítima do Brats ou de outro golpe de malware bancário, siga estes passos:

  1. Contate imediatamente o banco para tentar reverter a transação.
  2. Registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela Delegacia Virtual de Crimes Cibernéticos.
  3. Formate o celular ou procure ajuda técnica para remover o malware.
  4. Instale um antivírus de confiança e evite reinstalar apps de fontes externas.
  5. Altere todas as senhas de aplicativos e bancos utilizados no celular.

Imagem: Brian A Jackson / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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