A última semana antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho e vai até o fim do mês, promete ser intensa na Câmara dos Deputados.
IR isento para quem ganha até R$ 7.350? Decisão sai esta semana
Parlamentares aceleram votações sobre IR e licenciamento ambiental antes do recesso, em meio a disputas políticas e ambientais.
Lideranças confirmam uma agenda de esforço concentrado para avançar na análise de pautas consideradas sensíveis, como o parecer sobre a isenção do Imposto de Renda, o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental e a retomada da PEC da Segurança Pública.
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Agenda apertada para votação de temas controversos

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), destacou os principais projetos que devem ser votados antes da pausa legislativa. Entre eles, o mais aguardado é o parecer da comissão especial que trata da isenção do Imposto de Renda, apresentado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL). O texto visa ampliar a faixa de isenção e reajustar alíquotas, em uma tentativa de dar resposta às demandas sociais e políticas após a polêmica envolvendo a derrubada do decreto do IOF.
Isenção do Imposto de Renda: consenso em busca de aprovação
Após semanas de embates, o Executivo e o Legislativo retomaram o diálogo em busca de um consenso para o projeto que altera a cobrança do IR para pessoas físicas. Arthur Lira, que também é ex-presidente da Câmara, leu o parecer que será discutido na comissão especial, que agora abre a fase de debates e votação.
Um dos pontos de destaque no relatório é a manutenção da alíquota de 10% para rendas acima de R$ 50 mil mensais, apesar de o projeto original prever redução dessa taxa. Para quem recebe até R$ 7.350, o relator ampliou a faixa de tributação reduzida, o que representa um aceno ao governo e aos eleitores de renda média.
Indicação ao STJ e articulações políticas
A recente indicação da procuradora Marluce Caldas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), feita pelo presidente Lula, é vista por analistas como um movimento estratégico que pode ajudar Arthur Lira em sua articulação política rumo às eleições de 2026. A indicação, segundo fontes, faz parte de um arranjo político que fortalece aliados do governo e cria um ambiente propício para avançar pautas de interesse do Executivo.
PEC da Segurança Pública volta à pauta da CCJ
Outra votação importante deve ocorrer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vai analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), retirou do texto um trecho que dava poderes exclusivos ao governo para legislar sobre temas de segurança, defesa social e sistema penitenciário.
A votação na CCJ está prevista para quarta-feira, e caso aprovada, a PEC seguirá para comissão especial e plenário apenas em agosto, após o recesso. O tema é considerado crucial diante do cenário crescente de violência e demandas por políticas públicas mais efetivas para a segurança dos brasileiros.
Licenciamento ambiental: pressão e resistência
Apesar de pressão de parlamentares para postergar a votação do projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental para agosto, a proposta está na pauta do plenário para esta semana. A matéria, defendida pelo governo, busca acelerar a liberação de áreas para construção civil e empreendimentos, mas enfrenta forte resistência de ambientalistas e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
José Guimarães destacou que tentativas de negociar um adiamento não prosperaram. Mesmo assim, ressaltou o diálogo com a ministra e afirmou que não será aprovado nada sem o aval dela, sinalizando que ainda há espaço para ajustes e negociações de última hora.
Polêmica e críticas ambientais
Ambientalistas temem que o projeto aumente riscos de danos irreversíveis ao meio ambiente ao afrouxar regras de fiscalização e licenciamento. A flexibilização poderia, segundo especialistas, beneficiar setores econômicos em detrimento da preservação ambiental, dificultando a proteção de áreas sensíveis.
Questão do IOF e mediação no STF

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O cenário político tem ainda mais um capítulo: a polêmica do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou uma audiência de conciliação com representantes do Executivo e do Legislativo para tentar resolver o impasse sobre decretos que regulam a cobrança do imposto.
Desde que os decretos foram suspensos pelo STF, as duas casas do Congresso – Câmara e Senado – tentam negociar uma solução que evite impactos negativos na economia e na relação entre os poderes.
Pontos de acordo e divergências
Segundo José Guimarães, a cúpula da Câmara sinalizou que pode aceitar o aumento do IOF apenas em operações que já tenham tarifa, desde que o governo recue em cobranças sobre empréstimos externos de curto prazo e planos de previdência VGBL.
Na última sexta-feira, o Congresso enviou ao STF um pedido para manter a suspensão dos decretos do governo, enquanto o Executivo prepara sua manifestação. A expectativa é que a audiência do dia 15 de julho ajude a pacificar a relação e defina um caminho para o imposto que afeta diretamente a economia nacional.
Fatores externos podem impactar a pauta
Além dos desafios internos, o Congresso acompanha atentamente o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou intenção de taxar em 50% produtos brasileiros a partir de agosto. Essa decisão pode provocar uma guerra comercial e afetar a economia brasileira.
O governo brasileiro, por sua vez, finaliza um decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade para responder a eventuais barreiras comerciais americanas com medidas semelhantes.
Imagem: Jefferson Rudy / Agência Senado
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