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Web3: você está pronto para a nova internet?

A Web3, vista como a evolução da internet, tem por premissa permitir maior controle dos usuários sobre seus dados. Saiba mais!

A maioria das pessoas não percebe as revoluções em seu início. No caso do mundo digital, essas transformações passam quase despercebidas, mas isso não quer dizer que tais mudanças são pequenas. Pelo contrário.

No caso da Web3 (ou Web 3.0), estamos vivendo a consolidação do que já é um divisor de águas no modo como os processos digitais podem se tornar menos centralizados – principalmente pelas famosas Big Techs.

Em linhas gerais, a Web3, vista como a evolução da internet, tem por premissa permitir maior controle dos usuários sobre seus dados.

Em comparação ao modelo atual (Web 2.0), a 3.0 utiliza tecnologias como blockchain, contratos inteligentes (smart contracts) e ativos digitais, como criptomoedas e NFTs, para criar uma rede que preza por transparência, liberdade, segurança e mais autonomia aos desenvolvedores e usuários.

Da Web1 para a Web2

Antes de avançarmos sobre as principais transformações que a Web3 promete, vale a pena olharmos pelo “retrovisor” para entendermos como a linha do tempo da evolução dos processos da internet trouxe oportunidades e desafios.

Nos primórdios da World Wide Web, na década de 1990, o processo era unilateral, estático e estabelecido por páginas de leitura com pouquíssima interação. Esse período é compreendido com a Web1.

Novo milênio, nova internet. Nos anos 2000, foram dados os primeiros passos da ainda vigente Web 2.0, que deu início à era da interatividade e uma troca maior entre criadores de conteúdo e usuários. Esse conceito se amplia cada vez mais e está introjetado na cultura dos internautas, principalmente nas redes sociais.

Porém, a percepção de liberdade criativa e um conteúdo nunca antes acessível ao alcance de um clique têm um preço: o oligopólio da internet, quando quase tudo fica centralizado em gigantes como Google, Meta, Apple, Microsoft e Amazon – grupo conhecido também como Big Five.

A revolução da Web3 já caminha entre nós

Em função do descontentamento de quem sempre sonhou com o propósito colaborativo da rede, a Web3 começou a ser desenhada, primordialmente, para impedir esse sistema de abusivo controle de dados dos usuários e plataformas. Mas quais são as bases da revolucionária Web 3.0?

As mudanças mais relevantes dizem respeito ao fato de os dados não serem armazenados em servidores centrais. Em vez disso, eles são distribuídos através de peer-to-peer – arquitetura de redes de computadores em que cada ponto ou nó funciona tanto como cliente quanto servidor e que foi responsável, por exemplo, pelo surgimento do icônico Napster.

Já os contratos inteligentes, que são programas autoexecutáveis que rodam em blockchain, possibilitam transações abertas e seguras sem intermediações.

Web3 representa o fim das Big Techs?

Até o momento, não. Parece impossível, até porque são conglomerados gigantescos que introduziram culturas de acesso e consumo, além de sistemas que fazem parte do dia a dia de bilhões de pessoas ao redor do planeta. Porém, a expectativa é de que o controle dos dados e plataformas tal qual acontece atualmente dê lugar a um ambiente mais livre. 

E a explicação para que essas mudanças sejam colocadas em prática em maior escala em comparação ao que acontece atualmente – já que a Web 3.0 está aí – se dá com a introdução das DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas), que operam sem uma autoridade central, permitindo uma governança comunitária baseada em regras codificadas em smart contracts.

O papel das criptomoedas no advento da Web3

No mundo da tecnologia, há uma certa mitologia com as figuras que revolucionaram o mercado de computadores, internet, banco de dados, etc. Quem nunca ouviu falar de Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple), Mark Zuckerberg (Meta/Facebook), Larry Ellison (Oracle) e Jeff Bezos (Amazon)? 

Logo, a curiosidade sobre os “gênios” por trás da Web3 torna-se inevitável. Apesar de seu caráter coletivo e impessoal, é impossível não citar a liderança de nomes como Vitalik Buterin (Ethereum), Gavin Wood (Polkadot), além dos heads de empresas como ConsenSys e a Web3 Foundation. Buterin, por exemplo, emprestou todo seu conhecimento de vanguarda em blockchain.

A propósito, a relação entre Web 3.0 e as criptomoedas é umbilical, pois os ativos digitais são essenciais (quase como um mecenato) para a manutenção e expansão da rede descentralizada. Tanto que a própria Ethereum tornou-se mais do que uma cripto, mas uma plataforma para o desenvolvimento de aplicativos descentralizados (dApps).

O que pode ser jocosamente tido como a “farra das Big Techs” parece mesmo com os dias contados. Tal previsão foi feita há pouco mais de um ano pela futurista Amy Webb, apontada pela renomada revista Forbes como uma das cinco mulheres que estão transformando o mundo. Ela revelou, durante visita a um evento sobre tecnologia, em São Paulo, que os gigantes da Big Five devem perder controle sobre a nossa vida digital. A fala de Webb foi repercutida em entrevista concedida ao portal Uol.

Onde se vê Web3 na prática atualmente?

Crédito: Bram Van Oosterhout/Pexels

Não pense que a Web3 é promessa para o futuro, pois ela está muito presente na internet atualmente, com várias aplicações que funcionam de forma plena em uma clara demonstração de que se trata de um caminho sem volta – e teoricamente melhor e mais justo para a grande maioria dos usuários da rede mundial de computadores. Quer saber o que já existe sobre Web 3.0 na prática hoje em dia? Confira os principais exemplos a seguir:

Blockchain/criptomoedas

A “infra” do blockchain é a fonte da Web3, vide o sucesso das criptomoedas nos anos recentes. Bitcoin, Ethereum e outros ativos digitais estão ganhando cada vez mais protagonismo no que diz respeito a transações financeiras descentralizadas.

dApps (aplicativos descentralizados)

Talvez seja informação nova para quem estiver lendo, mas já existem milhares de dApps operando em diversas blockchains. São aplicações ligadas a serviços como finanças, games e redes sociais.

Os mais proeminentes exemplos são a Uniswap (plataforma de troca de criptomoedas sem intermediários), Aave e o jogo Decentraland (que roda com a criptomoeda MANA), entre outras.

Tokens Não Fungíveis (NFTs)

NFTs permitem a propriedade e troca de itens digitais únicos e fazem muito sucesso desde seu surgimento.

Artistas, músicos e criadores de conteúdo estão utilizando NFTs para monetizar suas obras diretamente por meio de plataformas como OpenSea, Rarible e Foundation.

Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs)

Citadas acima, as DAOs funcionam para organizar a governança coletiva de projetos e recursos sem uma autoridade central. Os principais exemplos são a MakerDAO e a DAOstack.

DeFi

Os Protocolos de Finanças Descentralizadas (DeFi) respondem por um dos setores mais ativos da Web 3.0, por oferecer serviços financeiros descentralizados – como empréstimos, poupança, seguros e trading – por meio de protocolos como Compound, Yearn Finance e Synthetix.

Identidade e Dados Descentralizados

Saiba que projetos como ENS (Ethereum Name Service) e DID (Decentralized Identifiers) estão criando sistemas de identidade descentralizados, que garantem aos usuários o controle de suas IDs digitais sem intermediários.

Redes Sociais Descentralizadas

Abram seus “olhos”, Instagram e TikTok! Na Web3, redes sociais como Mastodon e Peepeth oferecem alternativas descentralizadas, com a garantia de que os dados são controlados pelos próprios usuários.