X de Elon Musk prepara carteira digital e serviços financeiros no app
Desde a aquisição bilionária do Twitter por Elon Musk, em 2022, a transformação da plataforma agora rebatizada como X tem sido um processo contínuo e repleto de reviravoltas. A mais recente e ambiciosa mudança foi anunciada recentemente: o X está prestes a ingressar no mercado financeiro, oferecendo aos seus usuários a possibilidade de realizar pagamentos, transferências peer-to-peer e até investimentos diretamente dentro do aplicativo.
A nova estratégia posiciona o X como mais que uma rede social. O objetivo declarado por Musk é torná-lo um super aplicativo, nos moldes do chinês WeChat, integrando comunicação, conteúdo, serviços e, agora, transações financeiras.
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O que é o X Money?
O projeto financeiro do X será viabilizado através de uma nova ferramenta batizada de X Money, que funcionará como uma carteira digital dentro da plataforma.
Entre os serviços previstos estão:
- Pagamentos peer-to-peer: Transferências de dinheiro entre usuários da plataforma.
- Envio de gorjetas: Uma funcionalidade voltada para criadores de conteúdo, permitindo que seguidores enviem pequenas quantias em reconhecimento por postagens, vídeos e análises.
- Armazenamento de saldo: Os usuários poderão manter recursos dentro do X, utilizando-os para pagamentos futuros.
- Ferramentas de investimento: Em uma segunda etapa, a plataforma deve integrar soluções para que os usuários realizem operações financeiras e investimentos, incluindo compra de ações, criptomoedas e outros ativos.
A expectativa é que o lançamento ocorra ainda em 2025, inicialmente nos Estados Unidos. O X já firmou uma parceria com a Visa para viabilizar cartões físicos e virtuais, permitindo que o saldo armazenado no aplicativo seja utilizado em compras no mundo real.
Estratégia inspirada no WeChat
O modelo que Elon Musk busca replicar é inspirado diretamente no sucesso do WeChat, super app chinês que combina mensagens, redes sociais, pagamentos e serviços bancários em uma única interface.
Com isso, Musk tenta inserir o X na tendência global de convergência entre tecnologia e serviços financeiros, uma corrida que já conta com grandes players como:
- Apple Pay
- Google Wallet
- Banco digital da Amazon na Índia
Essa integração entre conteúdo, dados e dinheiro virou uma das principais apostas das big techs para aumentar a retenção de usuários e criar novas fontes de receita.
O desafio de reverter a fuga de anunciantes
Desde que Musk assumiu o controle do Twitter, a plataforma enfrentou perda de relevância publicitária, com grandes marcas suspendendo campanhas por questões de moderação de conteúdo e mudanças na política da empresa.
Além disso, o modelo de assinaturas implementado para substituir parte da receita de anúncios não atingiu os resultados esperados.
Diante desse cenário, os serviços financeiros surgem como uma nova frente de monetização, permitindo ao X captar receitas com taxas de transação, parcerias com instituições financeiras e produtos de investimento.
A força da comunidade FinTwit

O histórico do antigo Twitter como ponto de encontro da comunidade global de finanças, apelidada de FinTwit, oferece uma base sólida para essa nova fase.
Durante anos, a plataforma foi palco de debates em tempo real sobre:
- Movimentos nas bolsas de valores
- Análises de moedas
- Tendências macroeconômicas
- Discussões sobre ações e investimentos
Perfis de investidores renomados, como Bill Ackman e Nouriel Roubini, utilizam o X para compartilhar opiniões que impactam diretamente os mercados financeiros.
No Brasil, a comunidade também é ativa, com participação de casas como Verde Asset, SPX e XP, além de milhares de traders e analistas independentes.
Da informação à transação: monetizando a influência
Ao integrar serviços financeiros diretamente no app, o X pretende transformar discussões em transações reais. Isso significa que, ao acompanhar um debate sobre determinada ação ou ativo, o usuário poderá, no mesmo ambiente, executar uma ordem de compra ou venda, sem a necessidade de migrar para outras plataformas.
Essa união entre conteúdo, rede de contatos e execução financeira tem potencial para criar um ecossistema único, onde o ciclo completo de informação e ação ocorre dentro do próprio X.
Principais funcionalidades previstas para o X Money
Transferências instantâneas entre usuários
Seguindo a lógica de plataformas como Pix no Brasil e Venmo nos Estados Unidos, o X permitirá que os usuários enviem valores uns aos outros de maneira rápida e com poucos cliques.
Integração com cartões Visa
A parceria com a Visa viabilizará a criação de cartões físicos e virtuais, permitindo o uso do saldo do X em compras no comércio físico e online.
Opções de investimento integradas
Embora os detalhes ainda não tenham sido totalmente revelados, Musk e sua equipe indicam que o X Money incluirá ferramentas de investimento. Os usuários poderão realizar aplicações financeiras diretamente no app, tornando o X uma plataforma de investimentos, semelhante ao que fazem hoje corretoras digitais.
Gorjetas e monetização de conteúdo
Uma das novidades será a possibilidade de os usuários enviarem gorjetas para criadores de conteúdo, incentivando a produção de postagens de qualidade e aumentando o engajamento.
Desafios regulatórios
A entrada do X no setor financeiro não será isenta de obstáculos. Para operar como uma instituição de pagamentos ou oferecer serviços de investimento, a plataforma precisará obter:
- Licenças específicas junto a órgãos reguladores como a Securities and Exchange Commission (SEC) nos Estados Unidos
- Cumprir normas de combate à lavagem de dinheiro
- Garantir a segurança dos dados financeiros dos usuários
Especialistas apontam que, dado o histórico recente do X em questões de moderação e segurança, a conquista da confiança dos órgãos reguladores será um dos maiores desafios.
Riscos e oportunidades
Do lado positivo, a iniciativa pode:
- Diversificar as receitas do X
- Aumentar o tempo de permanência dos usuários na plataforma
- Reduzir a dependência de publicidade
- Explorar o enorme potencial de monetização da base FinTwit
Por outro lado, os riscos envolvem:
- Possíveis falhas de segurança
- Problemas de conformidade regulatória
- Resistência inicial dos usuários a confiar seus recursos ao X
- Concorrência de outras big techs com infraestrutura mais madura
A visão de Elon Musk
A CEO do X, Linda Yaccarino, confirmou ao jornal Financial Times que o objetivo da empresa é construir um ecossistema financeiro completo, reforçando a visão de Musk de criar um super app que una todas as facetas da vida digital dos usuários.
Desde a compra do Twitter por US$ 44 bilhões, Musk tem buscado novas formas de recuperar a relevância e o valor da plataforma, e os serviços financeiros aparecem como a aposta mais ousada até agora.
Próximos passos
O lançamento do X Money está previsto para acontecer em etapas ao longo de 2025, começando pelos Estados Unidos. Ainda não há previsão oficial de chegada ao Brasil ou a outros mercados internacionais.
Enquanto isso, a equipe técnica do X trabalha na infraestrutura de pagamentos, na obtenção das licenças necessárias e na integração com instituições parceiras como a Visa.
Imagem: Frederic Legrand – COMEO/shutterstock.com