Em 2024, os brasileiros devem arcar com R$ 100 bilhões a mais na conta de luz devido a “ineficiências” e subsídios, conforme um levantamento recente da Abrace — Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia. A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (5), baseia-se no reajuste das tarifas de energia a partir de agosto deste ano.
Brasileiros devem pagar R$ 100 bilhões em conta de luz este ano
Em 2024, os brasileiros pagarão R$ 100 bilhões a mais na conta de luz devido a ineficiências e subsídios, revela levantamento da Abrace.
De acordo com a Abrace, esses custos adicionais posicionam o Brasil entre os países com as tarifas de energia mais elevadas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), um indicador chave da atividade econômica nacional.
Principais Causas dos Custos Elevados

A associação identificou vários fatores que contribuem para o aumento dos custos na conta de luz, totalizando R$ 366 bilhões para o setor elétrico. Destes, 27% são atribuídos a tarifas que subsidiam políticas públicas e programas considerados ineficientes.
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Entre os principais elementos destacados estão:
1. Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)
A CDE é uma conta financiada pelos consumidores de energia, destinada a cobrir incentivos a diversos setores da economia. Para 2024, estima-se que o custo com a CDE será de aproximadamente R$ 33 bilhões. Esta conta cobre:
- Combustíveis fósseis para geração de energia em áreas não conectadas ao sistema interligado nacional.
- Descontos nas tarifas para usinas de energia solar e eólica.
- Carvão mineral para usinas termelétricas.
- Desconto na conta de serviços de água, esgoto e saneamento.
2. Geração Distribuída
A geração distribuída refere-se à produção de energia pelos próprios consumidores, como no caso dos painéis solares residenciais. O custo estimado para 2024 é de R$ 4,34 bilhões. Essa geração pode resultar em descontos nas tarifas para os usuários que possuem tais equipamentos.
3. Energia no Mercado Regulado

A Abrace argumenta que a energia comprada pelas distribuidoras e vendida aos consumidores residenciais e pequenos comércios é mais cara em comparação à comprada por grandes indústrias.
Isso se deve à forma como a energia é adquirida por meio de leilões e aos custos embutidos nas tarifas, com contratos longos corrigidos pela inflação. A associação aponta uma ineficiência de R$ 21 bilhões associada a esses custos.
4. Furtos e Receitas Irrecuperáveis
Os furtos de energia e as receitas irrecuperáveis, que são dívidas de consumidores inadimplentes, contribuem para um custo de R$ 2,1 bilhões em 2024. Esses custos são parcialmente transferidos para a tarifa do consumidor regularizado.
5. P&D e Proinfa
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Os projetos de pesquisa, desenvolvimento e eficiência energética são financiados pelas concessionárias de energia. A Abrace critica os recursos não utilizados, que somam R$ 636 milhões. O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa) também representa um custo de R$ 5 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões são considerados desnecessários.
6. Iluminação Pública
O custo da iluminação pública é repassado aos consumidores através de taxas municipais incluídas na conta de luz. Este serviço representa um custo de R$ 5,4 bilhões. A Abrace defende que esses custos sejam assumidos pelas prefeituras utilizando a receita de tributos, alegando falta de transparência no monitoramento desses recursos.
7. Tributos Sobre Ineficiências
Todos os fatores listados pela Abrace também incidem sobre tributos, que poderiam ser reduzidos se as distorções identificadas fossem corrigidas. A estimativa é que os tributos sobre essas ineficiências somem R$ 21,5 bilhões.
Conclusão
O levantamento da Abrace destaca a necessidade urgente de reformas no setor elétrico para reduzir as ineficiências e o impacto financeiro sobre os consumidores.
A associação critica a falta de transparência e a carga adicional imposta pelos subsídios e encargos, que elevam significativamente o custo da energia no Brasil.
Ficar informado sobre esses fatores pode ajudar os consumidores a entender melhor as razões por trás do aumento nas tarifas e a exigir maior clareza e justiça no sistema de preços de energia.
Imagem: Freepik
