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65% dos brasileiros acreditam que bets deveriam ser proibidas

Pesquisa Datafolha revela que 65% dos brasileiros defendem a proibição das bets, com 78% se opondo aos caça-níqueis online. Entenda os números e as implicações dessa crescente rejeição no país

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Bets proibidas

Recentemente, uma pesquisa do Datafolha trouxe à tona um dado significativo e revelador sobre a percepção dos brasileiros em relação às apostas esportivas na internet, conhecidas como bets. 

Segundo o levantamento, 65% da população brasileira com 18 anos ou mais acredita que a prática deveria ser proibida, com um forte movimento contra a liberação dos caça-níqueis online, como o popular jogo do tigrinho. 

A questão da legalização e regulamentação das apostas continua em pauta no Brasil, com um debate que envolve aspectos econômicos, sociais e de saúde pública. Este artigo analisa as principais conclusões da pesquisa, o histórico da legalização das bets, e o impacto desse fenômeno no país.

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O Que Revela a Pesquisa Datafolha

A Opinião dos Brasileiros sobre as Bets

De acordo com a pesquisa realizada pelo Datafolha, quase dois a cada três brasileiros se opõem à legalização das apostas esportivas pela internet. 

O levantamento, que envolveu 1.935 entrevistas presenciais em 113 municípios de todas as regiões do Brasil, apontou que 65% dos entrevistados querem a proibição das bets. Quando o questionamento se restringe aos caça-níqueis virtuais, como o jogo do tigrinho, a rejeição cresce para 78%.

Bets inadimplentes
Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock.com

Diferenças de Opinião por Gênero e Faixa Etária

A pesquisa também revelou importantes variações nas opiniões dos brasileiros, de acordo com o gênero e a faixa etária. A rejeição às bets é mais expressiva entre as mulheres (68%), quando comparadas aos homens (61%). 

Além disso, a aceitação do jogo depende diretamente da idade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, grupo no qual as apostas esportivas são mais populares, 37% são contrários à proibição. Já entre os mais velhos, apenas 19% defendem a continuidade da legalização das apostas.

Rejeição em Diferentes Crenças Religiosas

Outro dado relevante da pesquisa é a comparação entre católicos e evangélicos. A diferença entre os dois grupos é pequena, ficando dentro da margem de erro, com 66% dos evangélicos e 63% dos católicos se posicionando contra as apostas online.

A Legalização das Bets no Brasil

Como as Apostas Foram Legalizadas

As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em dezembro de 2018, durante o governo de Michel Temer. A lei sancionada na época alterou as fontes de receita do Fundo Nacional de Segurança Pública, incluindo as apostas esportivas e loterias. A legalização, entretanto, foi apenas o primeiro passo. 

A regulamentação das bets, que deveria ser feita pelo Ministério da Fazenda, foi adiada várias vezes durante o governo de Jair Bolsonaro, e o setor operou sem uma supervisão adequada, o que contribuiu para o crescimento exponencial das apostas online no país.

A Nova Regulamentação das Bets e Caça-Níqueis

A regulamentação das apostas e dos caça-níqueis online ganhou mais atenção com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2023, o Congresso aprovou um novo projeto de lei, que incluía pela primeira vez jogos de azar como os caça-níqueis, como o jogo do tigrinho. 

A portaria do Ministério da Fazenda, publicada em julho de 2023, regulamentou definitivamente as apostas, com previsão de início da exploração legal a partir de janeiro de 2024.

No entanto, essa regulamentação está sendo contestada por diversos setores da sociedade, incluindo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da regulação das apostas.

O Impacto das Apostas na Saúde e na Economia

A Percepção dos Brasileiros sobre as Apostas

A pesquisa Datafolha também revelou que uma parte significativa da população enxerga as apostas como um problema de saúde pública e um desperdício de dinheiro. Para 54% dos entrevistados, apostar é considerado um vício, enquanto 30% acreditam que se trata de uma perda de dinheiro. 

Apenas 15% veem as apostas de forma positiva, considerando-as como uma forma de diversão ou uma possível fonte de renda. Essa visão negativa das apostas está diretamente relacionada ao aumento da compulsão pelo jogo, uma questão que afeta a saúde mental de muitos brasileiros.

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Imagem: Joédson Alves/ Agência Brasil

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A Visão dos Especialistas sobre os Riscos das Bets

O psiquiatra Rodrigo Machado, do Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-Amjo) do Hospital das Clínicas, alerta que a legalização das apostas pode agravar a situação de saúde pública, especialmente entre indivíduos vulneráveis. 

Ele destaca que a abertura do mercado de apostas online sem um controle adequado aumenta o número de pessoas envolvidas com o jogo do azar, resultando em um crescimento do número de pacientes com transtornos relacionados ao vício em apostas.

Em agosto de 2023, o Pro-Amjo precisou suspender a aceitação de novos pacientes devido à alta demanda de pessoas buscando ajuda para lidar com os efeitos do vício em apostas. Esse dado evidencia a preocupação com o impacto das apostas online na saúde mental da população.

A Opinião dos Brasileiros sobre o Jogo de Azar

A Popularidade das Apostas no Brasil

Apesar da crescente resistência à legalização das apostas esportivas e caça-níqueis online, o número de brasileiros que já apostaram na internet tem aumentado. A pesquisa Datafolha mostrou que 18% da população já fez apostas online, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. No entanto, o número de pessoas que continuam apostando também diminuiu, passando de 8% para 6%.

A queda nos gastos médios com apostas esportivas também é significativa. Em 2023, o gasto médio caiu de R$ 268 para R$ 214, o que pode refletir uma conscientização crescente sobre os riscos financeiros envolvidos nesse tipo de atividade.

Comparação com Outras Modalidades de Jogo

Apesar do crescente número de apostas esportivas, as apostas em loterias tradicionais, como a da Caixa Econômica Federal, continuam sendo mais populares. A pesquisa revelou que 29% dos brasileiros ainda apostam nas loterias, enquanto apenas 6% fazem apostas esportivas online. 

O jogo do bicho, apesar de ilegal, também segue com uma popularidade considerável, com 8% da população afirmando já ter apostado nessa modalidade.

Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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