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99Food libera novidade para atrair entregadores; saiba mais

O mercado de delivery no Brasil ganhou mais um capítulo na disputa acirrada entre os principais aplicativos do setor. A 99, por meio da plataforma 99Food, anunciou nesta terça-feira (20) o retorno de suas operações de entrega de refeições e, junto com ele, uma nova estratégia para atrair e fidelizar motociclistas entregadores.

A empresa divulgou um plano de remuneração fixa para quem alcançar a meta diária de 20 corridas, sendo 15 no transporte de passageiros ou objetos e outras 5 entregas de comida. O bônus: um pagamento mínimo de R$ 250 por dia. A ação marca a tentativa da 99Food de evitar que seus entregadores atuem simultaneamente para plataformas concorrentes.

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O retorno da 99Food ao Brasil

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Imagem: Divulgação 99Food

Uma pausa de dois anos e uma volta estratégica

Após dois anos fora do mercado de entregas de refeições, a 99Food prepara sua volta ao Brasil nas próximas semanas. O momento escolhido não é por acaso: o setor passa por transformações intensas, com a entrada de novos concorrentes e ajustes estratégicos de gigantes como iFood, Rappi e a chinesa Meituan.

Além da remuneração mínima garantida, a 99 anunciou que irá investir R$ 50 milhões nos próximos cinco anos para criar pontos de apoio aos entregadores em diversas cidades. Esses espaços contarão com banheiros, áreas de descanso e distribuição gratuita de água — uma promessa voltada a melhorar as condições de trabalho e garantir mais conforto aos parceiros da plataforma.

Como funciona o programa de remuneração diária

Detalhes da meta

Para ter direito ao bônus de R$ 250 por dia, o motociclista precisa completar:

  • 15 viagens com transporte de passageiros ou objetos
  • 5 entregas de comida por meio do aplicativo 99Food

Segundo a empresa, isso equivale a aproximadamente R$ 12,50 por entrega.

Cadastro e elegibilidade

O cadastro para motociclistas interessados foi aberto na própria terça-feira (20), mas vale destacar que a medida não se estende aos entregadores de bicicleta. A ação já está disponível nas mais de 3.300 cidades brasileiras onde o serviço de transporte da 99Moto está ativo.

Impactos no mercado de trabalho e segurança viária

Críticas ao incentivo por metas diárias

Apesar de representar uma oportunidade de renda mais previsível, a proposta da 99Food tem gerado críticas. Gilberto Almeida, presidente do Sindimoto-SP (Sindicato dos Motoboys e Motoentregadores do Estado de São Paulo), alerta para o risco de o modelo incentivar uma condução mais agressiva e perigosa no trânsito.

“O ideal seria fazer um regramento, com acordo coletivo, que desse mais segurança ao trabalhador, sem estipular missão ou quantidade de entrega para fazer leilão no trânsito”, afirma Almeida.

A fala do sindicalista remete às consequências de um sistema que, embora ofereça ganhos mais altos, pode pressionar entregadores a excederem limites para atingir as metas diárias impostas pelas plataformas.

Reivindicações da categoria seguem em pauta

99food
Imagem: Diego Thomazini / shutterstock.com

Demandas por melhorias e segurança

Recentemente, entregadores realizaram greves exigindo melhorias nas condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão:

  • Taxa mínima de R$ 10 por entrega
  • Aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50
  • Limitação do raio de entrega para ciclistas a 3 km
  • Pagamento integral dos pedidos agrupados

O pacote da 99Food tenta se posicionar como alternativa mais vantajosa, mas ainda não há sinalizações de que a empresa esteja disposta a negociar formalmente com entidades representativas dos trabalhadores.

O novo cenário competitivo no delivery nacional

iFood e Uber se unem

Em um movimento surpreendente, o iFood anunciou uma parceria com a Uber, permitindo que usuários acessem os serviços de entrega e transporte em ambas as plataformas. A colaboração busca enfrentar o crescimento de novos concorrentes e manter a liderança do iFood no setor.

Rappi responde com reajustes

O Rappi, por sua vez, reagiu ao anúncio da 99Food prometendo também reduzir as taxas cobradas dos restaurantes e anunciar um reajuste superior ao do iFood para entregadores — ainda não divulgado oficialmente. A disputa coloca o entregador no centro da estratégia de fidelização das empresas.

Meituan entra no jogo com força

A gigante chinesa Meituan, conhecida por sua atuação no setor de delivery e serviços locais, anunciou o lançamento de sua marca Keeta no Brasil. Com um investimento inicial de R$ 5,6 bilhões, a empresa quer disputar espaço com iFood, Rappi e agora também com a retomada da 99Food.

O papel da fidelização e da infraestrutura

Pontos de apoio como diferencial competitivo

A estratégia da 99Food vai além da remuneração. A criação de pontos de apoio físicos demonstra preocupação com a experiência dos entregadores. Os espaços são vistos como um diferencial competitivo num mercado em que as críticas ao descaso com as condições de trabalho são constantes.

Luis Felipe Gamper, diretor sênior de logística da 99, afirma que o pagamento mínimo de R$ 250 não será uma ação promocional temporária. A ideia é torná-lo parte permanente da estrutura da plataforma.

“Queremos que os entregadores saibam que podem contar com uma renda justa e um ambiente de trabalho mais digno”, diz Gamper.

Perspectivas para o futuro

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Imagem: Tricky_Shark / shuttestock.com

Sustentabilidade do modelo e relações trabalhistas

A disputa pelo mercado de delivery está longe de se encerrar. A 99Food quer reconquistar espaço num setor dominado por poucos gigantes e marcado por uma relação conturbada com os entregadores. O sucesso da nova estratégia depende não apenas do valor oferecido, mas da sustentabilidade do modelo e da aceitação dos trabalhadores.

Se por um lado o bônus de R$ 250 pode parecer atraente, por outro, especialistas alertam para a sobrecarga e o risco de precarização ainda maior. O caminho para um delivery mais justo e eficiente passa pelo equilíbrio entre remuneração adequada, segurança no trânsito e diálogo com os entregadores.

Conclusão

A retomada da 99Food no Brasil com uma proposta agressiva de fidelização de entregadores mostra que a disputa no mercado de delivery está cada vez mais centrada nos trabalhadores da ponta. Com a oferta de bônus diários e a promessa de melhores condições de trabalho, a empresa tenta se diferenciar num cenário competitivo e em transformação. No entanto, para que essas ações sejam sustentáveis e benéficas a longo prazo, será fundamental considerar as reivindicações da categoria e garantir que a segurança e a dignidade dos entregadores estejam no centro da estratégia.