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Suspensão de importações pela China e UE pode derrubar preço dos ovos e frango no Brasil

Embargos da China e UE ao frango brasileiro podem reduzir preços de ovos e carne nas próximas semanas.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
gripe aviária

Em meio a embargos comerciais motivados por um surto de gripe aviária no Sul do Brasil, o mercado interno pode registrar uma queda no preço de frango e ovos.

A suspensão temporária das importações por países como China e União Europeia (UE) deve alterar a dinâmica da oferta e demanda, pelo menos nas próximas semanas.

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Exportações suspensas após surto de gripe aviária

frango
Imagem: Freepik

A descoberta do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul levou países importadores a interromper temporariamente a compra de carne de frango brasileira. Essa medida, tomada por mais de 20 nações, incluindo potências como China e blocos como a União Europeia, representa uma resposta preventiva para evitar a entrada do vírus aviário em seus territórios.

Essa decisão impacta diretamente o setor agropecuário nacional, sobretudo por envolver um dos produtos mais exportados do país: o frango, que responde por cerca de 34% do total das exportações brasileiras de proteína animal.

Oferta interna maior pode derrubar os preços

Segundo Juliana Inhasz Kessler, professora de Economia do Insper, a suspensão das compras por parte de parceiros internacionais deve, num primeiro momento, gerar reflexos no mercado interno. “A gente sabe que os embargos fazem naturalmente com que a venda de aves e ovos diminua nesse primeiro momento. Isso significa, num primeiro cenário, um aumento da disponibilidade do mercado doméstico desse produto para sociedade. Nesse aspecto, a gente já deveria, eventualmente, esperar uma queda de preço”, afirma.

Essa previsão é válida para as próximas duas ou três semanas, período em que os consumidores podem perceber preços mais baixos nas gôndolas dos supermercados. Porém, o cenário é ainda incerto, já que o avanço da gripe aviária pode comprometer a oferta futura, revertendo essa tendência de queda.

Possível impacto reverso no médio prazo

Embora o aumento na oferta interna seja um fator favorável para os consumidores no curto prazo, há um alerta importante dos especialistas. Se o surto de gripe aviária se espalhar e for necessário abater um grande número de aves, a oferta poderá ser severamente reduzida, o que causaria uma elevação nos preços.

“Se o cenário tomar uma proporção maior, levando ao abate de vários animais contaminados, a oferta pode sofrer uma redução e não conseguir acompanhar a demanda, e isso acaba encarecendo o produto”, explica Juliana Kessler.

Resposta do governo e negociações em andamento

Para conter os impactos econômicos e tranquilizar os mercados, o Ministério da Agricultura e Pecuária tem adotado uma postura ativa. O ministro Carlos Fávaro afirmou que, caso não haja novos registros de contaminação nos próximos 10 a 15 dias, o governo poderá negociar com os países que impuseram o embargo para restringir as sanções apenas ao estado do Rio Grande do Sul, epicentro do surto até o momento.

A estratégia busca proteger o restante da cadeia produtiva do país, evitando que o embargo se estenda a estados não afetados pela doença e, assim, reduzindo o impacto nas exportações.

E os ovos? Efeitos devem ser limitados

Apesar de os ovos também estarem ligados à cadeia produtiva avícola, o impacto no setor deve ser mais brando. De acordo com Érico Pozzer, presidente da Associação Paulista de Avicultura, o Brasil exporta menos de 1% da sua produção de ovos, o que limita os efeitos diretos do embargo nesse segmento.

Ainda assim, a suspensão das compras de carne de frango pode afetar indiretamente o mercado de ovos, uma vez que ambos os produtos compartilham insumos e canais de produção. Com a maior disponibilidade de carne no mercado interno, pode haver também uma leve sobra de ovos, pressionando os preços para baixo.

Rigor nas medidas sanitárias e destruição de produtos

As ações sanitárias adotadas após a identificação do foco da gripe aviária em Montenegro (RS) foram rigorosas. Todas as aves da granja foram abatidas, incluindo aquelas que ainda estavam saudáveis, numa tentativa de impedir que o vírus se alastrasse. Além disso, os ovos que haviam sido enviados da propriedade para outros estados foram destruídos preventivamente.

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“O país foi muito rápido e criterioso na resposta à crise”, destacou Érico Pozzer. Ele também fez um alerta importante à população sobre o consumo de produtos avícolas durante a crise sanitária.

Consumo de frango e ovos segue seguro

Mesmo diante do surto, especialistas e autoridades reforçam que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne de frango ou ovos. Essa informação é essencial para evitar pânico injustificado e perdas desnecessárias na cadeia produtiva.

“A população pode ficar absolutamente tranquila, que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo da carne de frango e nem de ovos. Pode ver que nos países no mundo inteiro existe essa doença, inclusive nos Estados Unidos, que estão com uma crise de abastecimento de ovos lá porque tiveram que sacrificar muitas galinhas (…) mas o consumo de ovos continua elevado, não existe restrição nenhuma no consumo de ovos por causa de alguma possível transmissão da doença. Não existe”, afirmou Pozzer.

Casos internacionais mostram efeitos econômicos graves

gripe aviária
Imagem: Freepik

Como referência, nos Estados Unidos, a gripe aviária causou uma grave crise na produção de ovos em 2022. Milhões de galinhas precisaram ser abatidas, o que afetou a oferta interna e fez os preços dispararem. Em abril daquele ano, o preço médio dos ovos no país subiu 79% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O exemplo norte-americano serve de alerta para o Brasil, que precisa agir com agilidade para evitar que o surto ganhe proporções maiores e atinja de forma duradoura a produção e os preços dos alimentos.

Expectativa de estabilização nas próximas semanas

Caso os esforços de contenção da gripe aviária surtam efeito, o mercado brasileiro poderá ver uma normalização dos preços nas próximas semanas. A chave para isso está na contenção regional do surto, nas negociações diplomáticas e na manutenção da confiança do consumidor quanto à segurança dos alimentos.

Com informações de: cbn

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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