Os videocasts se tornaram uma tendência popular no YouTube. Canais como o Flow Podcast e Podpah foram precursores do formato, que ganhou milhões de consumidores no Brasil nos últimos anos. Eles constituem um bate-papo, realizado em uma “mesa de podcast”, onde os apresentadores recebem convidados de diferentes segmentos, dependendo do foco do programa.
A casa caiu! Canais no YouTube são investigados por falas polêmicas; saiba quais são
O MPF está investigando alguns canais muito famosos no YouTube por conta da veiculação de conteúdos polêmicos. Entenda.
Sendo assim, um dos nichos que mais cresceu dentro desse mercado foi o de videocasts com temas policiais. Esses canais entrevistam, em sua maioria, PM’s (policiais militares) que contam histórias de operações das quais eles participaram. Os relatos atraem visualizações de um público engajado, composto de milhões de espectadores.
No entanto, parte desses programas chamou recentemente a atenção do Ministério Público Federal, devido a algumas histórias contadas nas entrevistas.
MPF abre investigação
O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), abriu no dia 17 de abril, uma investigação sobre alguns dos canais que entrevistaram agentes de segurança pública. A ação, que começou com uma apuração interna, mira quatro canais do YouTube.
Nesse sentido, a entidade está investigando alguns vídeos onde PM’s do Rio de Janeiro e de São Paulo falam abertamente sobre abusos de autoridade que eles próprios teriam praticado. Nas gravações, é possível ver os agentes afirmando que a polícia estimula e encobre ações violentas, incluindo mortes.
DPU também participa do processo
Assim, o MPF e o DPU (Defensoria Pública da União) pediram ao Google – responsável pelo YouTube –, dados sobre a fiscalização desses vídeos. Ainda, a investigação das duas instituições federais visa apurar apenas as irregularidades cometidas pelos canais. Elas afirmam que quaisquer crimes e/ou transgressões confessadas pelos policiais nas entrevistas devem ser apuradas em escala estadual.
Desse modo, uma das metas do MPF na ação é estipular junto ao Google, limites para a veiculação de conteúdos desse tipo. O procurador do órgão, Julio Araújo, afirmou em entrevista ao UOL que a entidade está apurando se é possível controlar a exposição desses conteúdos sem precisar deletar os canais.
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+311 mil seguidores
Quais são os canais investigados?
Uma das páginas do YouTube que já teve dois vídeos excluídos é a de Danilo Snider. Em alguns dos conteúdos do canal, há depoimentos de que a polícia do Rio pratica atos de violência sem registro oficial, e de que o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) “mata os outros na faca.”
O canal de Snider atualmente conta com 1,54 milhão de inscritos e produz esse tipo de entrevista há mais de dois anos. Já o canal “CopCast”, do influenciador Renato Nascimento, é outro alvo das investigações do MPF. Em uma das entrevistas, um policial conta ter espancado uma criança de 12 anos e uma mulher grávida.
Imagem: LightField Studios/ shutterstock.com
