O Abono Salarial PIS/Pasep, um dos programas trabalhistas mais importantes do país, está prestes a entrar em uma nova fase que deve alterar profundamente o perfil dos beneficiários. A mudança, estabelecida pela Emenda Constitucional nº 135/2024, cria uma regra de correção do limite de renda que não acompanha mais o aumento real do salário mínimo.
Seu abono pode sumir: nova regra do PIS/Pasep promete cortar beneficiários em 2026
Nova regra do Abono PIS/Pasep em 2026 limitará acesso ao benefício, reduzindo gradualmente os trabalhadores elegíveis até 2035.
A partir de 2026, esse novo mecanismo passa a valer integralmente, provocando uma restrição gradual no número de trabalhadores contemplados.
Esse ajuste fiscal, segundo o Governo Federal, busca equilibrar as contas públicas e controlar despesas obrigatórias. No entanto, especialistas apontam o impacto social da medida, que poderá reduzir significativamente o acesso ao benefício até 2035.
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Contexto da mudança e a Emenda Constitucional nº 135/2024
A criação da EC nº 135/2024 integra um conjunto de ações voltadas para o ajuste fiscal. Publicada em dezembro de 2024, a emenda altera a forma como o limite de renda para recebimento do Abono Salarial será atualizado.
Historicamente, esse teto sempre acompanhou o reajuste do salário mínimo. Isso significa que, quando o salário mínimo recebia reajuste pela inflação e ganho real do PIB, o limite também aumentava na mesma proporção. Assim, os trabalhadores que ganhavam até dois salários mínimos podiam manter o direito ao benefício mesmo com aumentos salariais ao longo dos anos.
Com a nova regra, essa lógica deixa de existir. A partir de 2026, o limite de renda será corrigido apenas pela inflação medida pelo INPC.
O que a EC nº 135/2024 determina
A mudança central está no trecho da emenda que diz:
“A partir de 2026, o valor de referência para concessão do Abono Salarial será corrigido exclusivamente pelo INPC.”
Ou seja, o limite que define quem pode ou não receber o PIS/Pasep deixa de acompanhar o aumento do salário mínimo. Isso gera uma diferença progressiva entre ambos.
Por que o governo adotou essa alteração
A justificativa oficial está ligada à sustentabilidade fiscal. O governo alega que:
- O salário mínimo tem crescido acima da inflação, incorporando ganhos reais.
- Essa dinâmica pressiona as despesas obrigatórias, inclusive o Abono Salarial.
- A desvinculação traria “previsibilidade” ao gasto público.
Entretanto, economistas destacam que essa previsão afeta diretamente trabalhadores que dependem do benefício para complementar renda anual.
Restrição gradual e perda de direito ao benefício
A restrição sobre o Abono PIS/Pasep não será imediata. Trata-se de um processo gradual previsto para ganhar força a partir de 2026 e se intensificar até 2035.
Segundo as projeções do governo, no período de dez anos, o teto de renda equivalente a dois salários mínimos na regra atual deve cair, na prática, para aproximadamente 1,5 salário mínimo. Isso porque:
- O salário mínimo continuará subindo com inflação e crescimento econômico.
- O limite do PIS/Pasep subirá apenas pela inflação (INPC).
Como esse descompasso afeta o trabalhador
Considere um trabalhador que ganha hoje entre 1,5 e 2 salários mínimos. Mesmo que seu salário siga aumentando apenas com o reajuste do mínimo, ele perderá o direito ao benefício porque:
- O salário mínimo ficará mais alto a cada ano.
- O limite de renda não acompanhará o mesmo ritmo.
Na prática, muitos trabalhadores terão aumentos apenas nominais — sem ganho real — mas ainda assim serão excluídos do programa.
Quem deve perder o direito primeiro
Os grupos mais vulneráveis à exclusão inicial são:
- Trabalhadores com salário médio entre 1,6 e 2 salários mínimos.
- Pessoas que recebem aumento salarial proporcional ao crescimento do salário mínimo.
- Trabalhadores formais de setores onde reajustes seguem acordos coletivos alinhados ao salário mínimo.
À medida que os anos passam, mais pessoas serão empurradas para fora da faixa de acesso ao Abono Salarial.
Impacto previsto até 2035
Estudos técnicos indicam que, entre 2026 e 2035, o número de beneficiários pode cair significativamente. O teto, reajustado apenas pela inflação, não acompanhará o crescimento real do salário mínimo.
Essa diferença acumulada criará um cenário no qual:
- O Abono Salarial se tornará mais restrito.
- O benefício poderá atingir uma quantidade menor de trabalhadores formais.
- Famílias de baixa renda que dependem do recurso terão menor proteção econômica anual.
Regras do Abono que permanecem inalteradas
Embora a mudança no limite de renda seja significativa, outros requisitos permanecem exatamente os mesmos. Ou seja, continuam válidas as exigências abaixo:
Inscrição no PIS/Pasep por pelo menos cinco anos
O trabalhador precisa estar inscrito no programa há, no mínimo, cinco anos antes do ano-base considerado para pagamento.
Exercício de atividade remunerada por ao menos 30 dias no ano-base
É necessário ter trabalhado com carteira assinada — ou serviço público, no caso do Pasep — durante pelo menos 30 dias no ano-base de apuração.
Informações corretas no RAIS ou eSocial
Os dados devem ser enviados sem erros pelo empregador. Qualquer divergência pode impedir o pagamento.
Cálculo proporcional do Abono
O Abono Salarial continuará sendo calculado proporcionalmente aos meses trabalhados. Ou seja:
- 12 meses trabalhados = 1 salário mínimo.
- 6 meses trabalhados = 50% do salário mínimo.
Nenhuma dessas regras foi alterada pela EC nº 135/2024.
Como ficará o pagamento do PIS/Pasep nos próximos anos
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Com a mudança programada, o calendário continuará sendo anual, mas o número de beneficiários deve reduzir conforme o teto de renda fica defasado.
Anos de transição até 2026
Em 2025, tudo continua igual. A nova fórmula entra em vigor apenas em 2026, com base no teto de renda de 2025 ajustado exclusivamente pelo INPC.
De 2026 a 2035: curva de redução
Durante esse período:
- O salário mínimo seguirá crescendo aliado ao PIB.
- O limite do Abono crescerá apenas com a inflação.
- A defasagem crescerá ano após ano.
Possíveis impactos sociais
Entre os impactos mais citados por especialistas estão:
- Redução do complemento de renda anual para milhões de trabalhadores.
- Menor circulação de recursos na economia local.
- Aumento da desigualdade entre trabalhadores formais de baixa renda.
Alguns economistas destacam que a medida traz alívio fiscal, mas cria pressão social no longo prazo.
Por que o Abono Salarial é tão importante
O Abono funciona como um reforço financeiro importante no orçamento de famílias de baixa renda. Ele ajuda a:
- pagar dívidas
- comprar material escolar
- reforçar orçamento em meses críticos
- equilibrar despesas básicas
A retirada gradual desse direito pode enfraquecer a rede de proteção social que ampara trabalhadores formais com menor poder aquisitivo.
O que esperar nos próximos anos
Com a nova política de reajuste, o debate sobre o Abono PIS/Pasep deve se intensificar. A cada novo ano, será perceptível o aumento de trabalhadores que deixam de se enquadrar no limite de renda.
Além disso, entidades sindicais e especialistas devem pressionar por revisões ou medidas compensatórias, especialmente para quem está na faixa intermediária de renda.
Possíveis revisões futuras
Não está descartada a possibilidade de ajustes no futuro, considerando:
- mudanças políticas
- aumento da pressão social
- debates sobre proteção a trabalhadores formais
- necessidade de fortalecimento do consumo
No entanto, até que uma nova alteração legislativa aconteça, a regra estabelecida pela EC nº 135/2024 será aplicada integralmente.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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