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B3 ganha espaço nas carteiras de dividendos em meio à volatilidade eleitoral

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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O mercado de ações começou outubro com uma mudança importante na composição das carteiras de dividendos acompanhadas por grandes instituições financeiras. Entre dez casas de análise consultadas, sete empresas aparecem com maior frequência nas recomendações para o mês, combinando geração de caixa, potencial de distribuição de proventos e perspectivas específicas para cada setor.

A B3 ganhou espaço entre os papéis preferidos. A operadora da bolsa passou a integrar quatro carteiras, em um movimento relacionado principalmente à expectativa de recuperação do mercado de capitais e ao possível aumento dos volumes negociados em um ambiente de maior volatilidade.

No grupo das empresas mais indicadas estão Petrobras, Allos e Itaú Unibanco, com seis recomendações cada. Na sequência aparecem Axia, Copel e Vale, com cinco indicações, enquanto a B3 soma quatro.

Mais do que observar a quantidade de recomendações, porém, o investidor precisa entender o que está por trás de cada escolha. Dividend yield elevado, sozinho, não garante que uma ação seja uma boa alternativa para geração de renda.

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Quais são as ações de dividendos mais indicadas em outubro?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

As carteiras elaboradas por Ágora Investimentos, Andbank, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Planner, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos colocam sete empresas no centro das estratégias de dividendos.

Petrobras e Allos aparecem com dividend yield de 12 meses de 11,59% e 12,85%, respectivamente. Itaú Unibanco registra 8,17%, enquanto Copel apresenta 8,80% e Vale, 9,75%.

A B3 aparece com 6,74%, e Axia registra 3,60% no período de 12 meses.

Esses números são históricos e não significam que o mesmo percentual será recebido pelo acionista nos próximos meses. O retorno futuro depende dos resultados das companhias, das decisões sobre distribuição de lucros e do preço de mercado das ações.

Petrobras mantém força entre as pagadoras

A Petrobras continua sendo uma das principais apostas para quem busca dividendos na Bolsa. Entre os argumentos utilizados pelas instituições estão a expansão da produção no pré-sal, a geração de caixa e a capacidade de manter margens em um cenário de petróleo ainda valorizado.

Outro ponto importante é o potencial de remuneração ao acionista. Algumas projeções das casas de análise consideram que a companhia poderá apresentar retorno relevante em fluxo de caixa ao longo dos próximos anos, desde que as premissas para petróleo e produção sejam mantidas.

A estatal, entretanto, também carrega riscos específicos. Mudanças na política de preços, investimentos acima do esperado e decisões relacionadas à alocação de capital podem alterar a capacidade de distribuição de proventos.

Allos ganha espaço entre as teses defensivas

A Allos aparece entre as empresas mais recomendadas, apoiada principalmente pela percepção de que sua operação de shopping centers possui características defensivas dentro do setor imobiliário.

A companhia vem sendo observada pela capacidade de manter níveis relativamente baixos de vacância e controlar sua alavancagem. A geração recorrente de receitas também contribui para a tese de distribuição de proventos.

A estratégia, porém, não está livre de riscos. Juros elevados, endividamento das famílias e desaceleração do consumo podem afetar o desempenho dos lojistas e, consequentemente, os resultados dos empreendimentos.

Ainda assim, algumas instituições trabalham com dividend yield projetado próximo de 10% para a companhia em 2026.

Itaú segue como destaque entre os bancos

O Itaú Unibanco é outra presença constante nas carteiras de dividendos. A instituição é vista por algumas casas como uma alternativa de maior qualidade dentro do setor bancário brasileiro, especialmente pela gestão de risco e pela solidez de seus ativos.

O banco também chama atenção pela capacidade de gerar lucro mesmo em ambientes econômicos mais desafiadores. No segundo trimestre, o resultado líquido chegou a R$ 12,4 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio permaneceu em patamar elevado.

Para os analistas, uma eventual desaceleração do crédito não necessariamente representa uma mudança estrutural na tese. A postura mais conservadora na concessão pode, inclusive, funcionar como proteção caso a inadimplência aumente.

Axia e Copel combinam dividendos e características defensivas

A Axia perdeu algumas posições nas carteiras de outubro, mas continua entre as empresas mais lembradas. Um dos fatores que sustentam a tese é o programa de recompra de ações, ampliado para R$ 7,7 bilhões em 2026.

A recompra pode beneficiar o acionista ao reduzir a quantidade de papéis em circulação e aumentar a participação relativa dos investidores que permanecem na empresa. Além disso, as perspectivas para o setor elétrico e a redução da alavancagem continuam entre os pontos acompanhados pelas casas.

Na Copel, os analistas destacam o crescimento do Ebitda ajustado, a exposição à transmissão e possíveis ganhos relacionados à reorganização societária.

A companhia também vem sendo avaliada pela mudança para o Novo Mercado e pela política de dividendos. Entre os riscos está o impacto de restrições de geração sobre determinados ativos.

Vale continua no radar apesar das pressões

A Vale permanece entre as principais escolhas para outubro, mesmo depois de uma queda expressiva em setembro.

A preocupação com custos logísticos, especialmente fretes, reduziu parte do entusiasmo de curto prazo. Também existe atenção aos investimentos necessários e ao comportamento dos preços do minério de ferro.

Apesar disso, a tese de longo prazo continua apoiada pela disciplina financeira e pela tentativa de ampliar a participação de metais considerados estratégicos, como o cobre.

Para o investidor que busca renda, a Vale pode oferecer dividendos relevantes, mas sua remuneração tende a ser mais sensível ao ciclo das commodities do que a de empresas com receitas reguladas ou operações financeiras mais previsíveis.

B3 é a novidade entre as carteiras de outubro

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A B3 é um dos destaques da mudança de composição das carteiras. A empresa entrou nas estratégias de algumas instituições justamente em um momento no qual o mercado espera uma possível retomada da atividade no mercado de capitais.

Um dos argumentos é o crescimento dos volumes negociados em períodos de maior volatilidade. Além disso, a companhia possui receitas recorrentes que ajudam a reduzir sua dependência direta do mercado de ações.

No segundo trimestre, o volume médio diário negociado em ações cresceu 21%, enquanto as receitas recorrentes avançaram 17%, segundo os dados considerados pelas casas de análise.

A expectativa de juros menores também favorece a tese. Uma redução do custo do dinheiro pode estimular ofertas de ações, emissões de dívida, negociações no mercado secundário e outras operações que beneficiam a infraestrutura da B3.

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