4 ações que superaram a Selic de 14,75% com dividendos; saiba quais são
A recente elevação da Selic para 14,75% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em sua reunião de maio de 2025 alterou o cenário de investimentos no Brasil. Com a Selic no maior nível desde 2006, os investidores observam uma migração de capital para a renda fixa, que oferece retornos livres de risco e com altos índices de rentabilidade.
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Descubra 4 ações do Ibovespa que superaram a Selic de 14,75% com dividendos em 2025. Conheça os papéis de destaque.
Nesse ambiente desafiador para a bolsa de valores, algumas ações do Ibovespa se destacaram ao entregar dividendos superiores à própria taxa de juros, oferecendo alternativas interessantes para quem busca rentabilidade.
Neste artigo, exploraremos as 4 ações que se sobressaíram no último ano, com dividend yields (DY) capazes de superar a Selic de 14,75%, e analisaremos as oportunidades e riscos desses investimentos.
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O desafio da Selic alta e a busca por alternativas de investimento
A elevação da Selic tem um impacto direto no mercado de ações. Em um cenário de juros altos, investidores tendem a buscar alternativas de renda fixa como títulos públicos e CDBs, que apresentam segurança e retornos mais previsíveis. Esse movimento pode diminuir a atratividade de ações de empresas no curto prazo, já que o risco de investir no mercado de ações se torna maior frente ao rendimento oferecido pela renda fixa.
Entretanto, a análise dos dividend yields das empresas pode revelar uma rota alternativa de rentabilidade. Algumas empresas, especialmente as que distribuem dividendos elevados, se tornam uma opção para investidores que buscam rendimento passivo, superando os ganhos proporcionados pela Selic.
O estudo da Elos Ayta Consultoria revela que, mesmo com o cenário adverso, algumas ações conseguiram se destacar com dividendos mais altos que a taxa básica de juros.
Ranking das ações que superaram a Selic em dividendos
De acordo com o levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria, quatro ações listadas no Ibovespa apresentaram dividendos que superaram a Selic de 14,75% no último ano. Veja abaixo o ranking das empresas que lideraram o mercado:
| Ações | Dividend Yield (DY) | Mediana do DY nos Últimos 3 Anos |
|---|---|---|
| Marfrig (MRFG3) | 30,18% | 10,4% |
| JBS (JBSS3) | 20,57% | 11,86% |
| Cemig (CMIG4) | 17,98% | 11,22% |
| CSN Mineração (CMIN3) | 15,16% | 14,48% |
Essas empresas não apenas estão entregando retornos substanciais, mas também têm chamado a atenção dos investidores que buscam alternativas rentáveis no cenário atual. Vamos analisar mais de perto o desempenho de cada uma delas.
Marfrig: a liderança em dividendos no setor de alimentos
Com um impressionante dividend yield de 30,18% nos últimos 12 meses, a Marfrig (MRFG3) se posiciona como a líder do ranking. A empresa, uma das maiores produtoras de carne bovina do Brasil, tem demonstrado grande resiliência no mercado de ações, oferecendo aos investidores retornos significativos.
A Marfrig apresenta um modelo de negócio sólido, com presença internacional e uma gestão eficiente, fatores que ajudam a sustentar os altos dividendos, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Nota: Mesmo com a alta nos dividendos, é importante avaliar os fundamentos da companhia a longo prazo, considerando a dependência de mercados externos e os desafios do setor.
JBS: rentabilidade consistente com perspectivas de crescimento
A JBS (JBSS3), com um dividend yield de 20,57%, também se destaca como uma das grandes pagadoras de dividendos. Reconhecida globalmente pela sua atuação no setor de carnes e alimentos, a JBS tem apresentado crescimento constante, com uma operação robusta em diversos mercados internacionais. Essa capacidade de geração de caixa, somada a um bom controle financeiro, permite que a empresa distribua dividendos elevados de forma consistente.
Ainda assim, é necessário cautela, pois o setor de proteínas animais pode ser volátil, dependendo das condições econômicas globais, como mudanças nos preços das commodities.
Cemig: o potencial do setor de energia em Minas Gerais
Com 17,98% de dividend yield, a Cemig (CMIG4) se destaca no setor de energia. A empresa é uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do Brasil e tem uma posição estratégica no estado de Minas Gerais. Além disso, o setor de energia tende a ser mais estável e menos afetado por crises econômicas, o que garante a Cemig uma geração de caixa mais previsível, essencial para sustentar dividendos consistentes.
Investir em empresas do setor energético, como a Cemig, pode ser uma excelente estratégia para quem busca estabilidade e rentabilidade, pois o consumo de energia tende a ser constante, mesmo em momentos de alta volatilidade econômica.
CSN Mineração: rumo a uma rentabilidade sustentável
Com um dividend yield de 15,16%, a CSN Mineração (CMIN3) completa o ranking das quatro ações que se destacaram no último ano. A CSN Mineração, parte do conglomerado CSN, atua no setor de mineração, com destaque para a extração de ferro e outros minerais. O aumento da demanda por commodities, principalmente em mercados como a China, tem impulsionado os resultados da empresa, permitindo que ela distribua dividendos elevados.
A CSN Mineração, embora menos rentável que as líderes Marfrig e JBS, ainda assim oferece uma boa rentabilidade, especialmente para investidores com um perfil mais voltado a commodities.
Vale a pena investir nessas ações?
Embora essas ações tenham se destacado com dividendos acima da Selic, é essencial analisar com cautela os fundamentos financeiros das empresas antes de tomar decisões de investimento. O dividend yield alto pode ser uma excelente oportunidade no curto prazo, mas é preciso avaliar a sustentabilidade desses retornos a longo prazo.
Empresas que distribuem altos dividendos muitas vezes enfrentam desafios relacionados à manutenção do preço das ações e ao impacto de fatores externos, como crises econômicas ou mudanças no mercado de commodities.
O método BESST de Luiz Barsi, um dos maiores investidores do Brasil, recomenda que os investidores busquem empresas dos setores essenciais, como bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações, que são mais resilientes a ciclos econômicos adversos e tendem a oferecer dividendos sustentáveis.
Ademais, reinvestir dividendos e realizar aportes periódicos pode ser a chave para maximizar os retornos ao longo do tempo. O efeito dos juros compostos pode multiplicar consideravelmente os ganhos, potencializando o crescimento da carteira de investimentos.
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