Aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que precisam de assistência permanente para realizar tarefas básicas do cotidiano — como tomar banho, se alimentar, vestir-se ou se locomover — têm direito atualmente a um adicional de 25% no valor do benefício. Esse direito é previsto no artigo 45 da Lei nº 8.213/1991, mas é restrito hoje apenas aos aposentados por invalidez.
Aposentados: confira quem poderá ganhar 25% a mais com mudança nas regras
Projeto de lei propõe ampliar o adicional de 25% do INSS a aposentados por idade e tempo de contribuição. Entenda os critérios e impactos.
Contudo, um novo Projeto de Lei (PL 10772/18) avança no Congresso Nacional e pode mudar essa realidade, permitindo que aposentados por idade e por tempo de contribuição também possam solicitar o adicional, desde que comprovem a necessidade contínua de auxílio de terceiros.
A proposta representa um avanço significativo na política previdenciária brasileira, ao reconhecer as limitações físicas e cognitivas que surgem com o envelhecimento, independentemente da modalidade de aposentadoria.
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O que diz a legislação atual?

Atualmente, o adicional de 25% é regulamentado exclusivamente para aposentadorias por invalidez. O texto da lei é claro ao determinar que, se o aposentado depender de assistência permanente de outra pessoa, o valor do benefício deverá ser acrescido de 25%, mesmo que isso ultrapasse o teto do INSS.
No entanto, essa restrição legal tem sido cada vez mais questionada na Justiça e no Legislativo, uma vez que outros tipos de aposentadoria também podem envolver situações de fragilidade física e dependência, especialmente com o envelhecimento natural do ser humano.
O que prevê o Projeto de Lei 10772/18?
De autoria do deputado Vicentinho (PT-SP) e relatado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), o PL 10772/18 propõe uma mudança fundamental: permitir que o adicional de 25% seja concedido também aos aposentados por idade ou tempo de contribuição, desde que comprovada a necessidade de assistência permanente de terceiros.
A proposta já foi aprovada na Comissão de Previdência e Assistência Social da Câmara dos Deputados e segue agora para novas etapas no processo legislativo. Caso seja aprovada em definitivo, representará um marco na ampliação do acesso a benefícios previdenciários suplementares.
Benefício mesmo para quem recebe acima do teto
Um dos pontos destacados pelo projeto é que o adicional será devido mesmo que o valor do benefício ultrapasse o teto do INSS, atualmente em R$ 7.507,49. Essa é uma garantia importante para não limitar o benefício apenas a segurados com proventos menores.
O papel do STJ e da jurisprudência favorável
O debate sobre o tema ganhou força após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2018, quando a Corte entendeu que o adicional de 25% deveria ser concedido a qualquer aposentado que comprovasse a necessidade de assistência permanente, independentemente do tipo de aposentadoria.
Na ocasião, o entendimento impactou diretamente centenas de processos judiciais e fortaleceu o movimento por uma política previdenciária mais inclusiva. No entanto, como o STJ não tem o poder de mudar a legislação, a efetivação desse direito continua dependendo de ações judiciais ou da aprovação legislativa do projeto.
Quem poderá ter direito ao adicional com a nova regra?
Se aprovado, o adicional de 25% poderá ser concedido a todos os aposentados do INSS, não apenas os por invalidez, desde que:
- Sejam aposentados por idade ou por tempo de contribuição;
- Comprovem, por meio de perícia médica, a necessidade permanente de ajuda de outra pessoa para atividades básicas do dia a dia.
Essa ampliação permitiria o acesso ao adicional a uma parcela significativa da população idosa, que hoje arca sozinha com os custos de cuidadores, medicamentos, adaptações residenciais e transporte.
Quais são os critérios para concessão do adicional?
A avaliação é feita por peritos médicos do INSS, e o processo exige documentação completa e atualizada. Segundo o Decreto nº 3.048/1999, situações como as abaixo são reconhecidas como causadoras de dependência permanente:
- Cegueira total;
- Perda dos membros inferiores;
- Paralisia de membros;
- Alterações mentais graves;
- Doenças degenerativas severas;
- Incapacidade para se locomover sem ajuda;
- Doenças neurológicas avançadas.
A lista é apenas exemplificativa
É importante destacar que essa lista não é exaustiva. O médico perito pode considerar outras condições clínicas que justifiquem a concessão do adicional, sempre com base em exames, laudos e relatórios médicos detalhados.
Como solicitar o adicional de 25% ao INSS?
Passo a passo
- Acesse o portal Meu INSS (ou aplicativo no celular);
- Faça login com CPF e senha da conta Gov.br;
- Escolha a opção “Agendar Perícia”;
- Selecione a opção “Solicitar adicional de 25%”;
- Anexe laudos médicos, exames, relatórios e receituários;
- Aguarde a convocação para perícia presencial.
Dicas importantes
- Mantenha toda documentação médica atualizada;
- Solicite ao médico que descreva detalhadamente as limitações funcionais;
- Não omita informações clínicas durante a perícia;
- Caso o pedido seja negado, é possível recorrer administrativamente ou buscar a Justiça.
Qual o impacto do adicional para o valor final da aposentadoria?
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O valor do adicional representa um acréscimo de 25% sobre o benefício bruto. Por exemplo:
- Se o aposentado recebe R$ 3.000, passará a receber R$ 3.750;
- Se o valor for o teto do INSS (R$ 7.507,49), o aposentado poderá receber R$ 9.384,36 com o adicional.
Esse valor não é cumulativo com outros benefícios e é pessoal e intransferível — ou seja, não integra pensões por morte ou outros repasses.
Por que essa ampliação é importante?

A população brasileira está envelhecendo. Dados do IBGE mostram que, em 2030, o Brasil terá mais idosos do que crianças de até 14 anos. Com o avanço da idade, surgem limitações físicas e cognitivas, o que torna essencial o apoio contínuo de terceiros para garantir qualidade de vida.
Atualmente, famílias arcam sozinhas com:
- Custos com cuidadores;
- Adaptações em residências;
- Medicamentos e fisioterapia;
- Serviços de transporte adaptado.
O adicional de 25% pode aliviar significativamente esses custos, funcionando como um instrumento de proteção social, alinhado com políticas públicas internacionais.
Expectativas para a aprovação do PL 10772/18
O projeto já foi aprovado em comissão e agora segue para outras etapas na Câmara e, posteriormente, no Senado. Se aprovado em definitivo e sancionado, deverá entrar em vigor após publicação no Diário Oficial da União.
Especialistas em Direito Previdenciário consideram a medida urgente e justa, uma vez que:
- Reduz a necessidade de judicialização;
- Garante acesso mais rápido ao benefício;
- Valoriza o cuidado com os idosos em situação de dependência;
- Torna o sistema previdenciário mais equânime e solidário.
Considerações finais
O adicional de 25% do INSS, hoje restrito aos aposentados por invalidez, pode estar próximo de se tornar um benefício mais amplo, alcançando também os aposentados por idade e por tempo de contribuição. A proposta em análise no Congresso Nacional representa um avanço em termos de justiça social e inclusão, reconhecendo que a dependência de terceiros não se limita a um único grupo.
Se aprovado, o Projeto de Lei 10772/18 poderá beneficiar milhares de famílias brasileiras, garantindo maior segurança financeira e dignidade aos aposentados que mais precisam. O futuro do sistema previdenciário brasileiro, diante do envelhecimento populacional, passa por iniciativas como essa, que fortalecem a proteção aos cidadãos em situação de vulnerabilidade.
