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Pagamentos digitais na África antecederam modelos como o Pix

Conheça os sistemas africanos que revolucionaram os pagamentos digitais antes do Pix e transformaram a inclusão financeira.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Pagamentos digitais na África antecederam modelos como o Pix

O Pix se consolidou como uma das maiores inovações financeiras da história recente do Brasil. Desde seu lançamento pelo Banco Central em novembro de 2020, o sistema transformou a forma como brasileiros realizam transferências, pagamentos e recebimentos, tornando operações que antes levavam horas ou dias praticamente instantâneas.

Nos últimos anos, o Pix ganhou destaque internacional e passou a ser citado como um exemplo de sucesso na modernização dos meios de pagamento. Entretanto, a história da inovação financeira global mostra que soluções semelhantes já vinham sendo desenvolvidas em outras regiões do mundo muito antes de sua chegada ao mercado brasileiro.

Em especial, diversos países africanos criaram sistemas revolucionários para enfrentar um desafio comum: oferecer serviços financeiros a milhões de pessoas que não possuíam acesso ao sistema bancário tradicional. Essas iniciativas ajudaram a redefinir a inclusão financeira e demonstram que grandes inovações nem sempre surgem nas economias mais ricas do planeta.

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O debate sobre o Pix reacendeu o interesse pelos pagamentos digitais

Pix automático
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O Pix voltou ao centro das discussões públicas recentemente após se tornar alvo de debates políticos e econômicos nas redes sociais. O episódio acabou aumentando a atenção sobre a importância do sistema para o cotidiano dos brasileiros.

Além de facilitar pagamentos instantâneos, o Pix reduziu custos para consumidores e empresas, ampliou a concorrência entre instituições financeiras e acelerou a digitalização da economia nacional.

Mas embora o sistema brasileiro seja considerado uma referência mundial, sua trajetória se conecta a uma história maior de transformação financeira iniciada em diferentes partes do mundo, especialmente no continente africano.

O Quênia e a criação do M-Pesa: uma revolução da inclusão financeira

Quando se fala em inovação financeira na África, o exemplo mais conhecido é o do M-Pesa.

Criado em 2007 pela Safaricom em parceria com a Vodafone, o sistema nasceu para resolver um problema que afetava milhões de quenianos: a dificuldade de acesso aos bancos.

Na época, abrir uma conta bancária era um processo caro, burocrático e muitas vezes inviável para moradores de regiões rurais.

Como funciona o M-Pesa?

O sistema permitiu que usuários depositassem dinheiro em agentes autorizados e realizassem transferências utilizando apenas mensagens de celular.

Na prática, o telefone móvel tornou-se uma espécie de carteira digital antes mesmo da popularização dos smartphones.

Com o passar dos anos, o M-Pesa evoluiu e passou a oferecer:

  • Transferências entre pessoas;
  • Pagamento de contas;
  • Compras em estabelecimentos comerciais;
  • Recebimento de salários;
  • Microcrédito;
  • Produtos de poupança.

O impacto econômico do sistema

O sucesso foi tão expressivo que o M-Pesa se transformou em parte essencial da infraestrutura econômica do Quênia.

Atualmente, mais de 35 milhões de pessoas utilizam a plataforma no país. Em uma população estimada em cerca de 55 milhões de habitantes, o alcance do sistema é considerado um dos maiores do mundo em termos de dinheiro móvel.

Diversos estudos apontam que aproximadamente 90% dos adultos quenianos utilizam algum serviço de pagamento móvel, tornando o país uma referência global em inclusão financeira.

Os desafios do sucesso do M-Pesa

O crescimento acelerado também trouxe questionamentos.

Economistas e reguladores passaram a discutir o enorme poder de mercado concentrado pela Safaricom, que atua simultaneamente nos setores de telecomunicações e pagamentos digitais.

Entre os principais pontos debatidos estão:

Privacidade dos usuários

O volume de informações financeiras processadas pela plataforma gerou discussões sobre proteção de dados e uso das informações pessoais.

Concentração de mercado

Especialistas passaram a questionar se uma única empresa poderia acumular influência excessiva sobre setores estratégicos da economia.

Fraudes digitais

Assim como ocorreu posteriormente em diversos países, o avanço dos pagamentos eletrônicos também foi acompanhado pelo aumento de golpes virtuais.

Apesar das preocupações, o consenso entre especialistas é que o M-Pesa teve papel decisivo na inclusão financeira de milhões de pessoas.

Nigéria criou um sistema muito semelhante ao Pix

Se o M-Pesa revolucionou a inclusão financeira, a Nigéria desenvolveu uma solução tecnicamente mais próxima do modelo brasileiro.

O sistema chamado NIBSS Instant Payment (NIP) foi criado em 2011 pela Nigeria Inter-Bank Settlement System.

Diferentemente do M-Pesa, que surgiu em uma operadora de telefonia, o NIP foi concebido como uma rede nacional integrada entre bancos, fintechs e demais instituições financeiras.

O que aproxima o NIP do Pix?

Assim como o Pix, o sistema nigeriano permite:

  • Transferências em tempo real;
  • Liquidação instantânea;
  • Operação contínua;
  • Integração entre diferentes instituições financeiras.

Essa estrutura tornou o NIP uma das mais avançadas infraestruturas de pagamentos instantâneos da África.

Números impressionantes

Somente em 2024, o sistema processou cerca de 10,5 bilhões de transações.

O volume financeiro movimentado ultrapassou 1,07 quatrilhão de nairas, equivalente a aproximadamente 700 bilhões de dólares.

Esses números refletem os esforços do Banco Central da Nigéria para reduzir a dependência do dinheiro físico e ampliar a digitalização da economia.

Fraudes e segurança também desafiam os pagamentos instantâneos

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A experiência nigeriana mostra um fenômeno semelhante ao observado no Brasil após a popularização do Pix.

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O aumento do uso dos pagamentos instantâneos foi acompanhado pelo crescimento das tentativas de fraude.

Por isso, reguladores passaram a fortalecer medidas relacionadas a:

  • Segurança cibernética;
  • Proteção ao consumidor;
  • Monitoramento de operações suspeitas;
  • Regras para fintechs e bancos digitais.

Esses desafios têm sido comuns em praticamente todos os países que avançaram na digitalização dos meios de pagamento.

A Etiópia aposta no Telebirr para acelerar a digitalização

Outro caso de destaque no continente é o Telebirr.

Lançado em 2021 pela Ethio Telecom, o sistema surgiu em meio às reformas econômicas realizadas pelo governo etíope.

Em poucos anos, a plataforma alcançou mais de 50 milhões de usuários, um resultado expressivo para um país com cerca de 120 milhões de habitantes.

O papel do Telebirr

O objetivo principal da iniciativa é ampliar o acesso da população aos serviços financeiros digitais.

A plataforma permite:

  • Transferências de dinheiro;
  • Pagamento de contas;
  • Compras digitais;
  • Recebimento de benefícios;
  • Serviços financeiros básicos.

Para o governo, o sistema é uma ferramenta estratégica para acelerar a inclusão financeira e estimular o crescimento econômico.

Críticas ao modelo etíope

O projeto também enfrenta questionamentos.

Entre eles estão:

  • Forte participação estatal na operação;
  • Baixa integração com instituições privadas;
  • Riscos de concentração de dados financeiros em uma plataforma controlada pelo governo.

Ainda assim, o Telebirr é considerado uma das experiências mais relevantes da nova geração de pagamentos digitais africanos.

O que o Brasil pode aprender com a experiência africana?

As experiências do Quênia, da Nigéria e da Etiópia mostram que não existe um único caminho para o sucesso dos pagamentos digitais.

Cada país desenvolveu soluções adaptadas às suas necessidades econômicas e sociais.

Enquanto o M-Pesa transformou celulares simples em ferramentas bancárias, o NIP construiu uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos semelhante ao Pix. Já o Telebirr busca expandir a inclusão financeira em uma das maiores populações da África.

O elemento comum entre todos esses projetos é a busca por ampliar o acesso aos serviços financeiros, reduzir barreiras de entrada e estimular a participação econômica de milhões de pessoas.

Imagem: Reprodução

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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