A agenda econômica da semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026 concentra uma série de indicadores capazes de alterar a leitura sobre inflação, emprego, atividade econômica e juros no Brasil e no exterior. No mercado brasileiro, o foco estará nos dados de trabalho, no IGP-M, nas contas públicas e na produção industrial. Nos Estados Unidos, PCE, JOLTS e payroll formam o principal bloco de indicadores.
A agenda econômica também traz dados relevantes da China, Europa, Reino Unido e Japão. Para o investidor, a combinação dos números de inflação e emprego será especialmente acompanhada porque pode influenciar as expectativas para a política monetária.
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No Brasil, a terça-feira (29) concentra alguns dos indicadores mais importantes da agenda doméstica, com a divulgação da PNAD Contínua, do Novo Caged e do IGP-M. A PNAD Contínua de agosto está prevista no calendário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para essa data, enquanto o Caged referente ao mesmo mês aparece no calendário do Ministério do Trabalho e Emprego.
Na quarta-feira (30), entram no radar os resultados fiscais do setor público e o Índice de Preços ao Produtor (IPP). A sexta-feira (2) encerra a agenda brasileira com a produção industrial de agosto, outro indicador importante para avaliar o ritmo da economia.
Nos Estados Unidos, o calendário é igualmente movimentado. O relatório JOLTS, que acompanha vagas abertas e movimentações no mercado de trabalho, será divulgado na terça-feira. Na quarta, o mercado recebe o PCE de agosto e a terceira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.
O principal evento da semana americana ocorre na sexta-feira, quando o Bureau of Labor Statistics (BLS) publica o relatório de emprego de setembro, conhecido como payroll. A divulgação está programada para as 8h30, no horário de Nova York.
Por que o PCE e o payroll são tão acompanhados?
O PCE é um dos principais indicadores de inflação acompanhados pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O índice mede a variação dos preços pagos pelos consumidores por bens e serviços e possui uma metodologia diferente da utilizada pelo CPI, equivalente ao índice de preços ao consumidor americano.
O dado de agosto será divulgado em 30 de setembro, junto com o relatório de renda e gastos pessoais. O Bureau of Economic Analysis (BEA) confirmou a publicação para as 8h30, no horário de Washington.
Já o payroll apresenta um retrato mensal do mercado de trabalho americano. Além da criação ou perda de postos de trabalho fora do setor agrícola, o relatório traz informações sobre desemprego, remuneração média e jornada, entre outros dados.
Isso faz com que o mercado observe não apenas o número de vagas, mas também a composição do relatório. Uma alteração nos salários, por exemplo, pode mudar a avaliação sobre as pressões inflacionárias, enquanto revisões de meses anteriores podem modificar a leitura da trajetória do emprego.
Brasil terá uma bateria de dados sobre emprego e atividade
A segunda-feira (28) começa com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, além de indicadores relacionados ao setor externo, balança comercial semanal e dívida pública.
O Focus reúne projeções do mercado para variáveis como inflação, crescimento econômico, câmbio e taxa básica de juros. Por isso, suas revisões ajudam a acompanhar como as expectativas dos agentes financeiros estão evoluindo.
Na terça-feira, a atenção se desloca para o mercado de trabalho. A PNAD Contínua apresenta informações sobre ocupação e desocupação, enquanto o Novo Caged registra a movimentação do emprego formal.
Os dois levantamentos não são equivalentes. A PNAD tem como objetivo medir o mercado de trabalho de forma mais ampla, incluindo trabalhadores formais e informais, enquanto o Caged utiliza registros administrativos relacionados aos empregos formais.
IGP-M também entra no calendário
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) será divulgado na terça-feira. Calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador acompanha diferentes etapas de formação de preços e é tradicionalmente utilizado como referência em determinados contratos.
O comportamento do índice também ajuda a compor o quadro de pressões de preços na economia, embora não seja o principal indicador utilizado pelo Banco Central para conduzir a política monetária.
Contas públicas entram no radar na quarta-feira
A quarta-feira (30) será marcada pelos dados fiscais. O calendário prevê a divulgação do resultado primário do setor público consolidado, além de informações sobre o resultado do governo central.
O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do setor público antes do pagamento dos juros da dívida. O acompanhamento desse indicador é relevante para a avaliação da trajetória das contas públicas e da necessidade de financiamento do governo.
No mesmo dia, o IBGE divulgará o Índice de Preços ao Produtor (IPP) referente a agosto. O indicador acompanha a evolução dos preços recebidos pelos produtores da indústria extrativa e de transformação.
Também estão previstos dados sobre fluxo cambial e sobre a produção, vendas e comércio exterior de petróleo, derivados e biocombustíveis.
Produção industrial fecha a agenda brasileira
Na sexta-feira (2), o destaque doméstico será a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) referente a agosto.
O indicador do IBGE mede a evolução da produção da indústria brasileira e permite observar o comportamento de diferentes segmentos industriais. O dado pode ajudar a identificar se a atividade está ganhando ritmo ou perdendo força.
O calendário oficial do IBGE prevê a divulgação da produção industrial do Brasil em 2 de outubro.
Antes disso, a quinta-feira (1º) reúne o IPC-S, o Índice de Confiança Empresarial e o PMI Industrial, completando o conjunto de informações sobre preços, confiança e atividade.
Estados Unidos terão uma sequência de indicadores
A agenda americana começa de forma mais discreta na segunda-feira, com a sondagem industrial do Federal Reserve de Dallas.
Na terça-feira (29), o destaque é o JOLTS, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics às 10h, no horário da Costa Leste dos Estados Unidos. O relatório apresenta informações sobre vagas disponíveis, contratações e desligamentos.
Também serão divulgados dados de confiança do consumidor e preços residenciais, além de pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve.
Na quarta-feira (30), a programação fica mais carregada. O mercado acompanha o relatório de emprego privado da ADP, o PCE, a terceira estimativa do PIB do segundo trimestre e a balança comercial. O BEA confirmou que o relatório de renda e gastos pessoais de agosto, que inclui o PCE, será publicado nessa data.
Quinta-feira antecede o payroll
Na quinta-feira (1º), serão divulgados os pedidos semanais de seguro-desemprego, o PMI industrial e o índice ISM da indústria, além dos gastos com construção.
Esses dados ajudam a formar uma fotografia mais ampla da economia americana antes do principal indicador da semana.
Payroll será o grande destaque de sexta-feira
O relatório de emprego de setembro será divulgado pelo BLS na sexta-feira, 2 de outubro, às 8h30 no horário do leste dos Estados Unidos. A data consta no calendário oficial da instituição.
O documento reúne informações de duas pesquisas e fornece dados sobre emprego, desemprego e salários. Por isso, sua leitura não deve se limitar ao número de vagas criadas.
O mercado também costuma observar a taxa de desemprego, o crescimento dos salários, a jornada média e as revisões dos números divulgados anteriormente. O conjunto desses dados pode alterar a percepção sobre a força do mercado de trabalho e, consequentemente, sobre o espaço para mudanças na política monetária americana.
China também estará no radar
A China divulga na terça-feira (29) uma série de indicadores de atividade, incluindo os PMIs industrial, de serviços e composto, além dos levantamentos Caixin.
Os índices de gerentes de compras são acompanhados porque oferecem uma indicação antecipada sobre a atividade econômica. Para o Brasil, a economia chinesa tem relevância adicional devido à relação comercial entre os dois países, especialmente em setores ligados a commodities.
A quinta-feira (1º) será feriado pelo Dia Nacional da China.
Europa, Reino Unido e Japão completam a agenda
Na Europa, os principais eventos incluem dados de confiança econômica, inflação ao consumidor, PMI industrial e taxa de desemprego. A Alemanha também divulgará números de desemprego e atividade industrial.
No Reino Unido, o mercado acompanhará a terceira estimativa do PIB do segundo trimestre e os dados de transações correntes.
O Japão, por sua vez, terá indicadores de produção industrial, vendas no varejo, inflação e desemprego, além do resumo das opiniões do Banco do Japão.
Agenda econômica de 28 de setembro a 2 de outubro
| Data | Brasil | Estados Unidos | Exterior |
|---|---|---|---|
| 28/09 | Focus, sondagem da indústria, setor externo, balança comercial | Sondagem industrial de Dallas | — |
| 29/09 | IGP-M, PNAD Contínua, Caged, resultado do governo central | JOLTS, confiança do consumidor | PMIs da China |
| 30/09 | Resultado fiscal, IPP, fluxo cambial e dados de petróleo | ADP, PCE, PIB e balança comercial | PIB do Reino Unido; dados da Alemanha e zona do euro |
| 01/10 | IPC-S, confiança empresarial e PMI industrial | Seguro-desemprego, PMI, ISM e construção | PMI europeu; feriado na China |
| 02/10 | IPC-Fipe e produção industrial | Payroll e encomendas à indústria | Inflação e desemprego no Japão |
Os horários acima seguem os calendários divulgados pelos órgãos e pelas agendas econômicas consultadas; horários internacionais podem exigir conversão para o horário de Brasília.
O que pode mexer com os mercados?

A semana reúne indicadores de diferentes partes da economia. Por isso, a reação dos mercados dependerá não apenas de um número isolado, mas da combinação entre inflação, emprego, atividade e expectativas.
No Brasil, dados de emprego, inflação e produção podem alterar a percepção sobre o ritmo da economia e as perspectivas para a política monetária. Nos Estados Unidos, PCE e payroll são particularmente relevantes para a avaliação das condições econômicas pelo mercado.
Também é preciso considerar que indicadores econômicos podem ser revisados posteriormente. O próprio BLS, por exemplo, revisa dados anteriores do payroll à medida que recebe informações adicionais.
Para quem acompanha investimentos, a leitura mais útil é comparar os resultados efetivamente divulgados com as expectativas anteriores e observar como outros indicadores corroboram ou contradizem aquela informação.
Conclusão
A virada de setembro para outubro terá uma agenda econômica concentrada em emprego, inflação e atividade.
No Brasil, os principais pontos são PNAD Contínua, Caged, IGP-M, contas públicas e produção industrial. Nos Estados Unidos, JOLTS e PCE antecedem o payroll, que encerra a semana com um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado financeiro.
Como os calendários oficiais podem sofrer alterações, a consulta às páginas dos órgãos responsáveis deve ser usada para confirmar horários e eventuais mudanças próximas à divulgação. No caso brasileiro, o IBGE e o Ministério do Trabalho mantêm os calendários de seus respectivos indicadores.
