A última semana de janeiro foi marcada por temas estratégicos para o agronegócio brasileiro, combinando fatores de mercado, decisões corporativas e movimentos do governo federal. O etanol voltou ao centro do debate após o reajuste da gasolina, enquanto empresas do setor divulgaram sinais importantes sobre safra, volumes e estratégias de expansão. Ao mesmo tempo, declarações oficiais e decretos presidenciais trouxeram impactos diretos sobre crédito rural e estrutura fundiária.
BBAS3, agro e etanol: principais temas do Agro Times
Etanol, Petrobras, Raízen, Banco do Brasil e reforma agrária dominaram os temas do agro na última semana de janeiro.
A seguir, os assuntos que mais repercutiram no noticiário do agro e ajudaram a definir o humor do mercado no início de 2026.
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Etanol e combustíveis ganham protagonismo
O setor sucroenergético teve uma semana especialmente movimentada. O reajuste promovido pela Petrobras nos preços da gasolina reacendeu o debate sobre a competitividade do etanol, sobretudo em um momento de entressafra no Centro-Sul.
Analistas destacaram que, no curto prazo, o impacto é mais moderado, mas suficiente para frear novas altas do biocombustível. A leitura do mercado é que uma gasolina relativamente mais barata tende a reduzir a demanda por etanol hidratado, alterando a paridade entre os combustíveis e pressionando margens no setor.
5º lugar – Raízen (RAIZ4) supera expectativas em açúcar
A Raízen ficou entre os destaques da semana após a divulgação da prévia do terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26). Segundo análise do Safra, os volumes de distribuição de combustíveis no Brasil e as vendas de açúcar ficaram acima das estimativas, enquanto o etanol apresentou desempenho abaixo do esperado.
O banco manteve recomendação de compra (outperform) para a ação, com preço-alvo de R$ 1,40, o que representa potencial de valorização de cerca de 30%. A leitura é que o desempenho do açúcar ajuda a compensar a volatilidade do etanol, reforçando a diversificação do modelo de negócios da companhia.
4º lugar – Kepler Weber confirma projeto na Venezuela
A Kepler Weber confirmou a existência de um projeto de armazenagem e beneficiamento de milho na Venezuela, citado em reportagem publicada pelo Globo Rural em 21 de janeiro.
Segundo a companhia, a iniciativa faz parte da sua estratégia de expansão internacional, mas não deve ter impacto financeiro relevante nos resultados consolidados. O comunicado teve efeito limitado sobre as ações, mas chamou atenção por sinalizar a busca por novos mercados fora do Brasil, especialmente em regiões com demanda por infraestrutura de armazenagem.
Top 3 do agro da semana
3º lugar – Reajuste da gasolina e reflexos no etanol
O reajuste da gasolina promovido pela Petrobras foi avaliado como um fator de contenção para novas altas do etanol. De acordo com Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, o movimento ocorre em um momento em que o etanol já vinha subindo com força por conta da entressafra.
A expectativa é de que o reajuste:
- Limite novos aumentos de preço do etanol
- Arrefeça a demanda pelo biocombustível
- Favoreça temporariamente a paridade da gasolina frente ao álcool
Esse cenário reforça a sensibilidade do setor às decisões da política de preços dos combustíveis fósseis.
2º lugar – Banco do Brasil afasta crise no agronegócio
O Banco do Brasil rechaçou a avaliação de que o agronegócio brasileiro vive uma crise generalizada. Segundo Gilson Alceu Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, o setor enfrenta desafios pontuais, e não um colapso estrutural.
Entre os fatores citados estão:
- Selic em patamar elevado
- Prorrogações de custeio
- Problemas climáticos
- Oscilações de preços
- Falhas de gestão em algumas propriedades
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A mensagem do banco foi interpretada como um esforço para preservar a confiança no crédito rural e evitar uma deterioração generalizada das expectativas.
1º lugar – Governo Lula avança em desapropriações para reforma agrária
O principal destaque da semana ficou por conta da decisão do governo federal de avançar com desapropriações para fins de reforma agrária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de decretos publicados no Diário Oficial da União, confirmou a desapropriação de sete imóveis rurais, totalizando 5.554 hectares.
As áreas estão localizadas em:
- São Paulo (3 imóveis)
- Mato Grosso
- Rio Grande do Sul
- Minas Gerais
- Rio Grande do Norte
A medida reacendeu o debate sobre segurança jurídica no campo e política agrária, com potencial de impacto sobre investimentos e planejamento de médio e longo prazo no setor.
O que a semana revela sobre o agro
O conjunto de notícias mostra um agronegócio atravessado por múltiplas forças: mercado de combustíveis, decisões corporativas, crédito rural e política pública. Para investidores e produtores, o momento exige atenção redobrada tanto aos fundamentos econômicos quanto ao ambiente institucional.
A leitura predominante é de cautela, mas sem sinais de ruptura estrutural, especialmente para empresas bem posicionadas e produtores com gestão financeira mais sólida.
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Getty Images/wsfurlan
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