Uma nova pesquisa da SalaryFits, empresa do grupo Serasa Experian, revela que 54% dos trabalhadores brasileiros não conseguem fazer o salário durar até o final do mês. Os dados são parte da Pesquisa de Saúde Financeira e Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro 2025 e mostram uma melhora em relação ao ano passado, quando 62% afirmavam não conseguir equilibrar as contas.
Salário da maior parte dos brasileiros não dura até o fim do mês
Pesquisa revela que 54% dos brasileiros não conseguem fazer o salário durar até o fim do mês.
Segundo o levantamento, apenas 2 em cada 10 entrevistados declararam ter total controle sobre suas finanças pessoais, indicando que grande parte da população ainda enfrenta desafios significativos para manter o equilíbrio financeiro.
Dessa forma, embora tenha havido um avanço de 8 pontos percentuais, passando de 38% para 46% os que conseguem administrar o salário até o fim do mês, a situação ainda é preocupante para mais da metade da população economicamente ativa.
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Estratégias adotadas para equilibrar o orçamento

Entre os trabalhadores que não conseguem manter o salário até o fim do mês, a pesquisa identifica diferentes estratégias de compensação: 49% recorrem a uma renda extra, como trabalhos temporários ou freelances, para complementar o salário; 46% conseguem equilibrar despesas dentro do próprio orçamento, ajustando gastos e priorizando contas essenciais; 5% não chegam ao final do mês com dinheiro e nem possuem alternativas, situação que eleva o risco de inadimplência, segundo o CEO da SalaryFits, Délber Lage.
“Para essas pessoas, a inadimplência é um risco real, pois qualquer imprevisto, como doença ou manutenção inesperada, pode comprometer ainda mais suas finanças”, afirma Lage (Fonte: ISTOÉ DINHEIRO).
Para onde vai o salário dos brasileiros
O levantamento mostra que a maior parte da renda dos trabalhadores é destinada a despesas fixas essenciais, como:
- Alimentação
- Energia elétrica, água e gás
- Transporte
Em seguida, aparecem compromissos financeiros de médio e longo prazo, incluindo:
- Financiamentos de veículos ou imóveis
- Empréstimos pessoais e consignados
- Investimentos em educação
Segundo a pesquisa, o equilíbrio financeiro é mais difícil para quem possui diversas dívidas simultâneas, pois grande parte da renda é comprometida antes mesmo de cobrir necessidades básicas do mês.
Diferenças por faixa etária
A pesquisa também aponta variações significativas no comportamento financeiro conforme a faixa etária:
- Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012): direcionam 13% da renda extra para lazer, refletindo maior prioridade a experiências e consumo de entretenimento.
- Millennials (nascidos entre 1981 e 1996): concentram gastos em empréstimos e dívidas (15%) e alimentação (13%), mostrando maior preocupação com responsabilidades financeiras e manutenção do padrão de vida.
Essas diferenças indicam que políticas de educação financeira e de planejamento de orçamento devem ser personalizadas de acordo com o perfil do trabalhador, levando em consideração prioridades e hábitos de consumo de cada geração.
Perfil da pesquisa
Para a pesquisa de 2025, a SalaryFits entrevistou 1.029 trabalhadores, entre maio e junho, abrangendo funcionários de empresas públicas e privadas, com contratos CLT ou PJ. O levantamento buscou mapear não apenas a duração do salário, mas também:
- Nível de controle financeiro pessoal
- Uso de renda extra e reservas
- Distribuição da renda em despesas fixas, dívidas e lazer
- Comportamentos de planejamento orçamentário
O estudo fornece uma visão ampla do bem-estar financeiro da população brasileira, destacando desafios e oportunidades para educação financeira e políticas públicas.
Educação financeira como ferramenta de mudança
Segundo especialistas, a dificuldade de manter o salário até o fim do mês está ligada a ausência de planejamento e educação financeira adequada. Programas de capacitação podem ajudar trabalhadores a:
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- Controlar gastos mensais
- Priorizar despesas essenciais
- Evitar endividamento excessivo
- Planejar reservas para emergências
Além disso, a pesquisa mostra que quem mantém controle rigoroso sobre o orçamento consegue reduzir a dependência de renda extra e aumentar o bem-estar financeiro, mesmo com salários limitados.
Tendência de melhora nos próximos anos

Apesar do cenário ainda desafiador, a pesquisa de 2025 aponta sinais de melhora em relação ao ano anterior. O número de trabalhadores que conseguem manter o salário durante todo o mês subiu de 38% para 46%, um avanço de 8 pontos percentuais.
Entre os fatores que podem contribuir para essa melhora, destacam-se:
- Maior conscientização sobre educação financeira
- Crescimento de aplicativos de controle de gastos e orçamento
- Uso de planejamento familiar e financeiro
Ainda assim, a necessidade de renda extra para quase metade da população indica que medidas estruturais, como aumento de salários ou políticas de apoio a trabalhadores de baixa renda, continuam sendo essenciais.
Impacto social e econômico
A incapacidade de equilibrar o orçamento mensal tem consequências sociais e econômicas importantes, incluindo:
- Aumento da inadimplência e endividamento
- Redução do consumo discricionário, impactando setores de varejo e serviços
- Maior vulnerabilidade em situações de emergência, como saúde ou desemprego
Para especialistas, melhorar a saúde financeira da população é uma prioridade não apenas individual, mas também macroeconômica, pois trabalhadores com maior estabilidade conseguem consumir mais, investir e contribuir para o crescimento econômico.
