O governo federal criou um comitê interministerial, liderado por Geraldo Alckmin, para articular com empresários da indústria e do agronegócio uma resposta às tarifas de até cinquenta por cento impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A decisão de criar o comitê foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que autorizou a estrutura para organizar uma resposta estratégica do Brasil à medida anunciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, candidato à reeleição em 2026.
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Quem compõe o comitê interministerial

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O comitê será formado por representantes de:
- MDIC
- Ministério da Fazenda
- Casa Civil
- Ministério das Relações Exteriores
A depender do tema abordado em cada reunião, o grupo será ampliado com a participação de outras pastas, como os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, da Pesca e de Portos e Aeroportos.
Reuniões com indústria e agronegócio
O grupo já começou a trabalhar. As primeiras reuniões acontecem nesta terça-feira (15).
Indústria nacional pela manhã
- Siderurgia e metalurgia (aço e alumínio)
- Celulose e papel
- Aviação
- Máquinas e equipamentos
- Calçados e têxteis
- Autopeças
Além das entidades de classe, algumas empresas exportadoras também foram convidadas individualmente.
Agronegócio à tarde
- Suco de laranja
- Frutas frescas
- Carnes bovina, suína e de frango
- Pescado
- Couro e derivados
- Mel
Nessa reunião, além dos quatro ministérios fixos, também participarão representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Pesca.
Interdependência nas cadeias produtivas
A estratégia do governo brasileiro inclui mobilizar não apenas os exportadores nacionais, mas também empresas norte-americanas que podem ser impactadas negativamente. O governo busca o apoio da Câmara de Comércio Brasil-EUA (Amcham) e outras entidades empresariais americanas para pressionar por uma revisão das tarifas.
Tentativas anteriores de negociação
Encontros com autoridades americanas
O vice-presidente também mencionou encontros com representantes do governo dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o embaixador Michael Grier, ligado ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Segundo Alckmin, a sinalização dessas autoridades foi de interesse em manter diálogo, mas não houve avanço concreto.
Brasil ainda não fez pedido oficial de redução
Alckmin negou que o governo brasileiro tenha solicitado oficialmente uma redução da tarifa ou apresentado contrapropostas formais neste momento. O foco, segundo ele, está em ouvir os setores prejudicados e construir uma articulação conjunta com o setor privado.
Impactos potenciais da tarifa sobre o Brasil

A imposição de tarifas de até 50% pode ter efeitos profundos sobre a balança comercial brasileira, especialmente em setores dependentes do mercado norte-americano. Estima-se que dezenas de bilhões de reais em exportações estejam sob risco, o que pode afetar empregos, investimentos e o crescimento industrial do país.
Além disso, a medida representa um retrocesso nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, tradicionalmente parceiros estratégicos em diversos setores.
FAQ — Perguntas frequentes
O que motivou o comitê coordenado por Alckmin?
A criação do comitê foi motivada pela decisão dos EUA de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. O objetivo é definir estratégias para reverter ou atenuar os efeitos da medida.
O governo brasileiro já iniciou diálogo com os EUA?
Sim. Uma proposta de negociação foi enviada aos EUA em maio, mas ainda não houve resposta oficial.
O Brasil pediu a redução da tarifa?
Não. Até o momento, o governo não apresentou proposta de alíquota nem solicitou prorrogação de prazos. O foco está na mobilização empresarial.
Haverá reuniões com empresas americanas?
Sim. O governo brasileiro pretende dialogar com empresas e entidades dos EUA para mostrar que a medida afeta negativamente ambos os países.
Considerações finais
Nos próximos meses, o sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade de negociação com os Estados Unidos, da adesão dos setores produtivos e da habilidade em usar os canais diplomáticos e comerciais disponíveis. Em um contexto de crescente protecionismo internacional, a reação brasileira poderá definir os rumos da relação econômica entre os dois países — e do papel do Brasil no comércio global.

