Em um momento de debate intenso sobre a condução fiscal do país, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu neste sábado (5) uma combinação entre corte de gastos e aumento de receitas como caminho para alcançar a meta de déficit zero em 2025. Para ele, a chave está na eficiência da administração pública e na promoção de justiça tributária, eliminando privilégios e tornando a arrecadação mais equitativa.
Alckmin afirma no Brics que é possível cortar gastos e aumentar receitas ao mesmo tempo
Alckmin propõe eficiência nos gastos e justiça tributária para zerar o déficit em 2025. Entenda a estratégia.
A declaração foi feita durante o encerramento do fórum econômico do Brics, no Rio de Janeiro, evento que reuniu autoridades e empresários para discutir a situação econômica dos países do bloco. Alckmin reforçou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que critica políticas de austeridade e aponta a necessidade de preservar programas sociais.
Neste artigo, explicamos os detalhes da posição do governo, os desafios fiscais para 2025 e o impacto da proposta na economia brasileira.
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O contexto: déficit zero em 2025 e cobrança por cortes

O governo federal enfrenta uma pressão crescente por resultados fiscais melhores. A meta anunciada pela equipe econômica para 2025 é de déficit primário zero, ou seja, equilibrar receitas e despesas sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
No entanto, a gestão de Lula tem sido criticada por resistir a cortes profundos nas despesas, alegando que isso comprometeria áreas essenciais como saúde, educação e programas sociais. Na avaliação do Planalto, há pouco espaço para reduzir gastos sem afetar diretamente os mais pobres.
Diante disso, a estratégia do governo tem sido aumentar a arrecadação, revisando benefícios fiscais concedidos a empresas e criando mecanismos para cobrar impostos de setores com baixa tributação.
Alckmin: eficiência e justiça tributária não são excludentes
Questionado por jornalistas se cortar gastos é incompatível com elevar a arrecadação, Alckmin foi categórico: as duas medidas podem — e devem — caminhar juntas.
“Acho que uma coisa não exclui a outra. Você pode, de um lado, reduzir despesas, melhorando a eficiência do gasto público. E, de outro lado, melhorar a receita. Tirando privilégios e fazendo justiça tributária. Esse é o bom caminho”, disse o vice-presidente.
A ideia é aprimorar a gestão da máquina pública, combatendo desperdícios e priorizando investimentos em áreas de impacto social. Ao mesmo tempo, eliminar distorções tributárias, como isenções indevidas e regimes favorecidos para poucos setores, pode aumentar a arrecadação sem necessariamente elevar alíquotas para a população em geral.
O bom momento da economia e os desafios à frente
Na avaliação de Alckmin, o Brasil vive atualmente um “bom momento” econômico. Ele destacou a queda da taxa de desemprego, a valorização da bolsa de valores e a redução do dólar frente ao real como sinais positivos.
Esses indicadores reforçam o otimismo do governo em relação à capacidade do país de sustentar o crescimento, mesmo em meio às dificuldades fiscais. No entanto, o maior obstáculo, segundo Lula, continua sendo a taxa básica de juros, mantida em 15%, que limita o acesso ao crédito e encarece o financiamento da dívida.
Lula: críticas à austeridade e defesa de programas sociais
As falas de Alckmin ecoam a posição do presidente Lula, que voltou a criticar as políticas de austeridade econômica. Em sua visão, essas estratégias, aplicadas em outros países, serviram apenas para ampliar desigualdades, empobrecendo ainda mais os que já tinham menos.
Na sexta-feira (4), Lula afirmou que as demandas por cortes de gastos ignoram a realidade social brasileira e que a redução das despesas não pode comprometer o funcionamento do Estado e os direitos básicos da população.
O governo, por isso, tenta construir uma narrativa de que é possível equilibrar as contas sem sacrificar os mais vulneráveis, buscando novas fontes de receita entre os mais ricos e grandes corporações.
A estratégia para aumentar a arrecadação
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A Receita Federal já vem ampliando as ações para reduzir a evasão fiscal, combater fraudes e revisar regimes especiais de tributação. Entre as medidas em estudo estão a taxação de fundos exclusivos, a revisão de incentivos concedidos a setores como a indústria química e a mineração, além de um programa mais rigoroso de cobrança da dívida ativa.
Outra frente é a reforma tributária, aprovada em 2024, que, segundo o governo, simplificará os tributos e dará mais transparência ao sistema, combatendo a guerra fiscal entre estados e melhorando a arrecadação nos próximos anos.
O papel dos juros e a meta fiscal

Apesar dos avanços no lado da arrecadação e da atividade econômica, a taxa Selic elevada continua sendo um entrave. Lula e seus ministros defendem que o Banco Central reduza os juros para estimular a economia e aliviar o serviço da dívida pública.
Enquanto isso não acontece, o governo trabalha para dar sinais de responsabilidade fiscal, com o objetivo de reduzir incertezas e consolidar a confiança dos investidores.
Conciliação difícil: expectativa do mercado e realidade política
O mercado financeiro pressiona por cortes mais agressivos de gastos para acelerar a consolidação fiscal. Já a base social e política de Lula espera a manutenção e ampliação de políticas públicas. Encontrar um equilíbrio entre essas expectativas é o grande desafio do governo para 2025.
Alckmin, com sua experiência administrativa, tenta costurar um discurso que dialogue com ambos os lados, defendendo eficiência e justiça tributária como caminhos para um ajuste fiscal sustentável.
Com informações de: Poder360
