Em meio a tensões comerciais provocadas por declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, o vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou na última segunda-feira (7) que o Brasil não representa um problema para os Estados Unidos. Ao ser questionado sobre o anúncio de tarifas adicionais a países alinhados ao Brics, Alckmin reforçou que o caminho é manter o diálogo e trabalhar para fortalecer a relação econômica entre as duas maiores economias do continente.
Após Trump anunciar novas tarifas, Alckmin reforça diálogo e diz que “Brasil não é problema”
Vice-presidente reforça que Brasil não é problema para EUA e defende diálogo após anúncio de Trump sobre tarifas.
Trump, pré-candidato republicano às eleições de novembro, declarou que pretende impor uma tarifa extra de 10% a qualquer país que, segundo ele, siga “políticas antiamericanas” associadas ao bloco Brics, do qual o Brasil é fundador. A declaração ocorre justamente no dia em que Brasília sedia uma nova cúpula do grupo de economias emergentes.
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Brasil busca complementaridade, afirma Alckmin

Também ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin participou de um evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e foi questionado pela imprensa sobre as declarações vindas de Washington. Segundo ele, a estratégia brasileira é clara: mostrar aos americanos que Brasil e EUA têm economias complementares, capazes de gerar benefícios mútuos.
“O caminho é continuar o que está sendo feito, que é o diálogo e buscar complementaridade econômica. Quero reiterar: o Brasil não é problema para os Estados Unidos”, declarou.
O vice-presidente ainda acrescentou que o objetivo deve ser construir um ambiente de negócios “ganha-ganha” para ambos os lados. “Os Estados Unidos só têm a ganhar com o Brasil. Tem que ser um ganha-ganha. Win-win”, afirmou.
Brics defende multilateralismo sem confrontar diretamente os EUA
A cúpula do Brics realizada neste início de semana em Brasília tem enfatizado o multilateralismo como resposta a políticas comerciais unilaterais. Em comunicado divulgado no domingo (6), o bloco reafirmou seu compromisso com a cooperação econômica e o comércio global equilibrado, mas sem citar diretamente os EUA ou as ameaças de Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, já criticou em outras ocasiões políticas tarifárias como a anunciada por Trump, defendendo soluções multilaterais para disputas comerciais.
Trump ameaça novas tarifas para países do Brics
A tensão foi criada após Trump publicar, nas redes sociais, sua intenção de aplicar uma tarifa extra de 10% sobre as exportações de qualquer país que, segundo ele, se alinhe a “políticas antiamericanas do Brics”. A retórica segue a linha de suas políticas durante seu primeiro mandato, quando impôs tarifas a produtos de países como China, México e até mesmo Brasil.
Os termos mais detalhados sobre essas novas medidas ainda não foram divulgados oficialmente, mas segundo o anúncio do ex-presidente, as cartas com as condições começariam a ser enviadas nesta segunda-feira (7), ao meio-dia em Washington (13h no horário de Brasília).
Primeira rodada de tarifas já impacta exportações brasileiras
Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, a primeira rodada de tarifas, já anunciada pelos EUA, incide sobre produtos brasileiros exportados com uma alíquota de 10%, com exceção do aço e alumínio, que enfrentam tarifas ainda mais elevadas.
Apesar disso, o governo brasileiro sinaliza que está disposto a negociar, reforçando o argumento de que as relações comerciais entre os dois países são relevantes e estratégicas para ambos.
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O impacto para o comércio bilateral

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, o comércio bilateral somou mais de US$ 80 bilhões, com superávit brasileiro puxado principalmente por produtos agrícolas, minérios e aço.
Para especialistas em comércio exterior, um eventual endurecimento tarifário por parte dos EUA pode prejudicar setores sensíveis da economia brasileira, especialmente o agronegócio e a siderurgia. Por isso, a sinalização de Alckmin sobre diálogo é considerada fundamental para manter as pontes abertas com Washington.
Como o Brasil pode reagir
Além do diálogo, o Brasil já tem acionado fóruns multilaterais para reforçar a defesa de um comércio mais equilibrado. Segundo técnicos do Itamaraty, qualquer medida que seja considerada discriminatória ou desproporcional poderá ser levada à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Há ainda a possibilidade de buscar acordos setoriais ou temporários para garantir que as exportações brasileiras não sejam tão impactadas pelas novas tarifas.
Com informações de: G1
