O ex-ministro da Defesa e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, publicou um vídeo em suas redes sociais criticando o Supremo Tribunal Federal (STF) horas após ser ameaçado de prisão pelo ministro Alexandre de Moraes durante depoimento à corte.
STF é alvo de críticas de ex-ministro e ex-presidente da Câmara após ameaça de prisão
Ex-ministro Aldo Rebelo critica STF após ameaça de prisão por Moraes durante depoimento sobre tentativa de golpe de 2022.
Rebelo afirmou que o Brasil não possui mais uma Constituição única, mas sim “11 constituições ambulantes”, referindo-se às interpretações divergentes dos ministros do STF.
Contexto do depoimento

Rebelo foi convocado como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, réu no julgamento sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Durante seu depoimento, Rebelo foi questionado por Moraes sobre uma declaração atribuída a Garnier, na qual ele teria colocado as tropas da Marinha à disposição de Jair Bolsonaro para um eventual golpe.
Rebelo explicou que a suposta fala de Garnier seria uma “força de expressão” e não poderia ser levada ao pé da letra. Moraes, então, perguntou se Rebelo estava presente na reunião em que a afirmação foi feita. Ao ser informado de que Rebelo não estava presente, Moraes afirmou que ele não poderia avaliar a língua portuguesa do almirante e pediu que se atentasse aos fatos.
Rebelo respondeu que sua apreciação da língua portuguesa era sua e que não admitia censura. O ministro advertiu Rebelo, dizendo que ele precisava se comportar ou seria preso por desacato. O momento gerou tensão na sessão, mas Rebelo manteve sua postura e questionou se poderia continuar seu raciocínio. Moraes reiterou que Rebelo deveria se ater aos fatos e que tinha liberdade para responder.
Críticas de Aldo Rebelo ao STF

Após o depoimento, Rebelo publicou um vídeo em suas redes sociais, retirado de uma entrevista anterior, no qual critica o STF. Ele afirmou que o país vive um processo de insegurança institucional, onde não se sabe mais qual é a atribuição de cada poder.
Rebelo sugeriu que o Brasil deveria organizar uma emenda à Constituição que restabelecesse o papel dos poderes, limitando o STF a ser um tribunal constitucional e não um “tribunal de tudo”, que legisla e escolhe ministros e delegados.
Ele também criticou o fato de os ministros do STF serem escolhidos pelo presidente da República, o que, segundo ele, gera insegurança jurídica para indivíduos, empresas e o próprio Congresso. Rebelo comparou essa situação à de alimentar um crocodilo, que será devorado por outro.
Repercussão e apoio

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As declarações de Rebelo geraram repercussão nas redes sociais e na mídia. Juristas e políticos se manifestaram sobre o episódio, com alguns defendendo a postura do ex-ministro e outros criticando a atuação de Moraes. A situação evidenciou o clima de tensão entre o STF e outras instituições, especialmente em relação à tentativa de golpe de Estado e à atuação das Forças Armadas.
O episódio envolvendo Aldo Rebelo e Alexandre de Moraes destaca as divergências sobre o papel do STF no sistema político brasileiro e as tensões entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A crítica de Rebelo ao STF reflete um sentimento de insegurança institucional e questionamento sobre a centralização de poder na corte.
A situação continua a ser monitorada por juristas, políticos e pela sociedade, que aguardam os desdobramentos do julgamento e as possíveis implicações para o equilíbrio entre os poderes.
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
