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Justiça determina que Amazon retire anúncios do Prime Video de contas antigas

Decisão do TJGO determina que Amazon retire anúncios do Prime Video para assinantes antigos e suspenda cobrança adicional de R$ 10.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Justiça determina que Amazon retire anúncios do Prime Video de contas antigas

Uma decisão liminar da 4ª Vara Cível de Goiânia, proferida nesta quarta-feira (8), obriga a Amazon a suspender imediatamente a exibição de anúncios publicitários no serviço Prime Video para assinantes antigos, ou seja, aqueles que contrataram o serviço antes da inclusão das propagandas em abril de 2024.

A medida atende a uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), que acusa a empresa de violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

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Mudança unilateral no contrato e “venda casada”

Amazon Prime Video
Imagem: BigTunaOnline / Shutterstock.com

Publicidade imposta e cobrança adicional

A principal crítica do MPGO refere-se à mudança imposta pela Amazon sem consulta prévia aos consumidores. Desde abril, o Prime Video passou a exibir anúncios durante a exibição de filmes e séries, algo que não fazia parte do contrato original dos usuários antigos. Para assistir ao conteúdo sem interrupções, os assinantes passaram a ser cobrados com uma taxa extra de R$ 10 mensais.

A promotoria argumenta que essa prática se configura como “venda casada disfarçada”, já que o consumidor é forçado a pagar mais por um serviço que já havia contratado sem tais restrições. O juiz responsável acatou esse entendimento e apontou que a Amazon promoveu uma deterioração do serviço contratado, sem oferecer alternativas viáveis e sem respeitar os direitos básicos do consumidor.

“Não é razoável impor, de forma unilateral, uma piora significativa no serviço contratado, sob pena de comprometer a confiança no mercado digital”, destaca a petição inicial do MPGO.

Decisão judicial protege antigos assinantes

Manutenção do serviço sem anúncios pelo valor original

Na sentença, o Tribunal de Justiça de Goiás determina que a Amazon mantenha o serviço Prime Video para os usuários antigos exatamente nas condições inicialmente acordadas, ou seja, com o valor original de R$ 19,90 mensais e sem a exibição de anúncios publicitários.

A decisão ainda obriga a empresa a interromper imediatamente a cobrança da taxa adicional de R$ 10 para acesso ao conteúdo livre de anúncios. A medida protege diretamente os consumidores que contrataram o serviço com expectativas legítimas sobre sua continuidade nas condições originais.

Falta de transparência e direito à informação

Detalhes sobre os anúncios não foram esclarecidos

Outro ponto levantado pelo MPGO e aceito pela Justiça foi a falta de transparência por parte da Amazon. A empresa não teria informado adequadamente aos usuários sobre a quantidade, duração ou frequência das inserções publicitárias. Essa omissão comprometeu a compreensão do consumidor sobre o novo formato do serviço, caracterizando infração ao dever de clareza previsto no CDC.

Obrigações adicionais impostas à empresa

A sentença ainda impõe à Amazon a obrigação de reformular os contratos atuais para incluir detalhes explícitos sobre o volume e o formato das propagandas exibidas. Além disso, os novos usuários do Prime Video terão o direito de rescindir o contrato sem multas ou penalidades, caso discordem das novas regras impostas pela plataforma.

Canais de atendimento e penalidades

Amazon deverá criar canais exclusivos para consumidores prejudicados

Para garantir que os usuários afetados sejam devidamente informados, o juiz determinou que a Amazon estabeleça canais exclusivos de atendimento, voltados ao esclarecimento de dúvidas, solicitação de reembolso e demais direitos previstos em lei.

Caso a empresa descumpra qualquer uma das obrigações determinadas na liminar, poderá ser multada em R$ 50 mil por dia, com teto de R$ 3 milhões.

Repercussão da decisão e próximos passos

Amazon
Imagem: Sundry Photography / Shutterstock.com

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Empresa pode recorrer

A decisão proferida pela Justiça goiana tem caráter liminar, ou seja, é provisória e ainda pode ser revertida após o julgamento final do processo. A Amazon, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre a medida judicial, mas tem prazo legal para apresentar recurso.

A expectativa é de que a empresa apresente uma defesa técnica nas próximas semanas, podendo questionar a interpretação jurídica do MPGO e do TJGO, ou propor alternativas de adequação.

Proteção à boa-fé contratual

O Ministério Público ressalta que a medida tem como objetivo resguardar a boa-fé e o equilíbrio nas relações de consumo. Para a promotoria, práticas que deterioram a qualidade do serviço contratado sem consentimento prévio colocam em risco a confiança do público em plataformas digitais.

A decisão do TJGO poderá influenciar o entendimento de tribunais em outros estados e abrir precedente para novas ações judiciais similares, especialmente se outros serviços de streaming adotarem práticas semelhantes à da Amazon.

O que esperar daqui para frente?

Tendência de maior fiscalização no setor de streaming

A decisão da Justiça goiana reflete uma tendência crescente de judicialização das relações entre consumidores e plataformas digitais, especialmente em setores que operam com contratos contínuos e alterações unilaterais.

Especialistas em direito do consumidor alertam que empresas do ramo de tecnologia devem redobrar a atenção à transparência contratual e ao respeito aos direitos dos usuários. A imposição de publicidade em serviços já contratados, sem uma alternativa justa, poderá ser considerada abusiva pela Justiça.

Imagem: Reprodução/Divulgação

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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