A American Bitcoin Corp., empresa de mineração sediada em Miami e majoritariamente controlada por Hut 8, anunciou recentemente a captação de US$ 220 milhões em uma rodada privada de investimento, conforme documentos protocolados na SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA).
American Bitcoin capta US$ 220 milhões com apoio dos filhos Trump para impulsionar mineração de BTC
A American Bitcoin Corp., com apoio de Eric e Donald Trump Jr. e controlada pela Hut 8, levantou US$ 220 milhões para minerar e acumular Bitcoin.
O montante supera a meta da primeira oferta, fixada inicialmente em US$ 200 milhões, e contou com a participação da família Trump — com Eric Trump e Donald Trump Jr. detendo 20% da companhia, enquanto a Hut 8 mantém 80%.
Diferentemente de uma captação convencional, a American Bitcoin aceitou US$ 10 milhões em Bitcoin, adquiridos a US$ 104.000 cada, mostrando confiança mútua entre mineradores e investidores institucionais . Após taxas, o aporte líquido atingiu aproximadamente US$ 215 milhões, com a emissão de 11 milhões de ações Classe A exclusivamente para investidores credenciados.
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Objetivos do aporte: mineração e reservas em BTC

O novo capital será direcionado principalmente à atualização da infraestrutura de mineração — incluindo aquisição de equipamentos de última geração — e ampliação da reserva estratégica de Bitcoin no balanço da empresa.
Desde sua criação, em abril, a empresa já acumulou cerca de 215 BTC, avaliados em mais de US$ 23 milhões, conforme declarações à SEC. Essa estratégia clara de acumulação, definida como “o core business” da empresa, visa reforçar os ativos e prepará-la para seu IPO.
Estrutura societária: Trump e Hut 8 em ação
A American Bitcoin nasceu da transformação da American Data Centers — empresa fundada por Eric Trump e Donald Trump Jr. — em parceria com a Hut 8.
Sob essa estrutura, a Hut 8 transferiu aproximadamente 61.000 máquinas de mineração e manteve 80% de participação na nova plataforma, com os filhos do ex-presidente ocupando o cargo de sócios e participando ativamente da estratégia da empresa. Eric Trump exerce a função de Chief Strategy Officer, enquanto Don Jr. segue na diretoria.
Esse arranjo operacional — com a Hut 8 fornecendo infraestrutura e suporte operacional — é respaldado por acordos de longo prazo, voltados à eficiência e ao direcionamento estratégico conjunto.
Próximo passo: IPO via fusão com Gryphon Digital Mining
A American Bitcoin formalizou um acordo de fusões de ações com a Gryphon Digital Mining, que resultará em sua listagem na Nasdaq com o ticker “ABTC” no terceiro trimestre de 2025. A estratégia de reverse merger permite acelerar o acesso ao capital público sem enfrentar os trâmites burocráticos tradicionais de IPO.
Após a fusão, os atuais acionistas da American Bitcoin — incluindo os Trump e Hut 8 — deterão cerca de 98% da nova empresa, com a Gryphon mantendo apenas 2% da participação. A gestão da empresa será composta majoritariamente por membros do time americano, com Eric Trump à frente das decisões estratégicas.
Reserva estratégica e mining como core business
O anúncio de acumulação de 215 BTC desde abril reforça que a mineração, embora seja o motor de produção, não é o único objetivo da empresa. Os documentos dizem que:
“Bitcoin accumulation is not a side effect of ABTC’s business. It is the business.”
Esse posicionamento define o Bitcoin no balanço como ativo estratégico, visando tanto a valorização do criptoativo quanto a formação de caixa para expansão.
Operando em locais como Niagara Falls (NY), Medicine Hat (Canadá) e Orla (Texas) — e integrando o poder de hash da Hut 8 em pools como Foundry e Luxor — a empresa já tem hașhrate robusto, taxas baixas e infraestrutura consolidada.
Adoção institucional e ambiente favorável ao cripto
Paralelamente, o entorno político tem se mostrado propício aos ativos digitais. Durante a campanha, Donald Trump reverteu restrições à atuação de bancos com criptomoedas e sinalizou intenção de posicionar os EUA como “capital cripto do mundo”.
Esse cenário institucional dá respaldo ao início de atividades públicas da American Bitcoin — especialmente com a listagem e acesso a lançamentos fiscais e regulamentares positivos.
Valor reforça que os filhos Trump trabalham em múltiplos projetos de criptoativos firmemente apoiados por políticas federais mais brandas e alinhamentos mercadológicos.
Valor do aporte e impacto na empresa
A quantia captada representa um aumento expressivo na capitalização da American Bitcoin — que agora entra em uma fase de expansão intensa. O mercado reagiu positivamente: após a notícia, as ações da Hut 8 subiram na pré-abertura, embora tenham recuado ligeiramente no fechamento — ainda avaliada na faixa de US$ 18,40.
Efetivamente, o aporte soma peso à estrutura societária: com US$ 220 milhões levantados e US$ 10 milhões em BTC, a empresa está bem equipada para investir em capacidade de mineração e reforçar sua reserva estratégica.
Riscos e desafios da estratégia
Apesar do vigor na estratégia, alguns desafios permanecem:
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- Centralização de poder: com 80% controlados pela Hut 8 e grande influência dos Trump, a governança pode apresentar riscos de concentração.
- Dependência do mercado de mineração: a viabilidade do negócio depende dos custos de energia, dificuldade de mineração e preço do Bitcoin.
- Performance pós-fusão: o sucesso do listing via Gryphon depende da aceitação pública e da performance da nova gestão.
Além disso, eventuais mudanças regulatórias, críticas ao impacto ambiental da mineração e potencial contraste entre interesses políticos e financeiras podem influenciar a percepção do mercado.
Estratégia de longo prazo
A American Bitcoin pretende ser o maior minerador puro do mercado, com visibilidade global e posicionamento estratégico. Seu modelo combina:
- Produção de Bitcoin minimamente custosa via parcerias robustas com a Hut 8.
- Reserva de BTC como ativo estratégico a longo prazo.
- Acesso ao mercado de capitais via fusão e listing.
- Alavancagem política e institucional, com apoio da família Trump e ambiente regulatório favorável.
Essa combinação posiciona a empresa como um ator de destaque, capaz de atrair capital significativo e consolidar liderança operacional.
Implicações no ecossistema cripto
A entrada da American Bitcoin no mercado público pode ser um catalisador para o setor cripto, pois:
- Representa um caso de uso institucional de mineração baseada em reservas de BTC;
- Impulsiona a ideia de acumulação estratégica de Bitcoin como plano corporativo;
- Serve de exemplo para replicar o modelo de fusões reversas para captação e expansão.
Além do mais, a adesão da família Trump e a atuação da Hut 8 — já tradicional player da mineração — reforçam a mistura entre políticas, finanças e tecnologia cripto.
Considerações finais

A captação de US$ 220 milhões, incluindo US$ 10 milhões em Bitcoin, destaca uma aposta ambiciosa da American Bitcoin para crescer agressivamente até a IPO. Com suporte operacional da Hut 8, influência política da família Trump e um modelo de negócio estruturado para acumular BTC, a campanha sinaliza o fortalecimento do setor de mineração corporativa.
A empresa entra agora em etapa crítica: executar a fusão via Gryphon, manter disciplina operacional, conquistar confiança do mercado público e demonstrar que a mineração pode ser aliada a reservas estratégicas com valorização de longo prazo.
Se bem-sucedida, a American Bitcoin se tornará um exemplo de integração entre mineração eficiente, capital institucional e visão corporativa alinhada à evolução do mercado cripto global.
