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Americanas anuncia prejuízo de R$ 98 milhões no 2º tri; veja detalhes

Americanas (AMER3) corta prejuízo para R$ 98 mi no 2T25, cresce receita e Ebitda e acelera integração entre lojas físicas e digital.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
Fachada de uma loja da Americanas dentro de um shopping center.

A Americanas (AMER3) divulgou um prejuízo líquido de R$ 98 milhões no segundo trimestre, significativa melhora frente à perda de R$ 1,85 bilhão observada um ano antes. Na mesma base de comparação, o Ebitda ajustado alcançou R$ 329 milhões, salto expressivo que reflete ganhos operacionais, disciplina de despesas e uma estratégia comercial mais concentrada nas lojas físicas. A receita líquida somou R$ 3,843 bilhões, avanço de 24,7% em 12 meses, apoiado em crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS) e na revisão de sortimento e preços.

Em síntese: menos “ruído” financeiro, mais tração operacional e um desenho de canais em que o digital serve ao físico, e não o contrário.

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Imagem: Leonidas Santana/shutterstock.com

O que mudou em relação a 2024

Efeito contábil ficou para trás

A diretoria financeira destacou que o prejuízo elevado do 2º tri do ano passado refletia efeitos contábeis ligados à fase de renovação da dívida, quando ainda se reconheciam juros sobre um passivo superior a R$ 30 bilhões. Em 2025, com a reestruturação avançada, o resultado financeiro se aproxima da alavancagem real da companhia, permitindo que a operação apareça com mais nitidez no demonstrativo de resultados.

Sazonalidade favoreceu vendas

Outro ponto que ajudou o trimestre foi a Páscoa ter caído no segundo trimestre deste ano, reforçando o giro de categorias sazonais e o fluxo nas lojas, tradicionalmente importante para o varejo de conveniência.

Principais números do 2º tri

Resultado líquido

  • Prejuízo líquido: R$ 98 milhões
  • Variação anual: forte redução frente ao prejuízo de R$ 1,85 bilhão no 2T do ano anterior

Geração operacional (Ebitda)

  • Ebitda ajustado: R$ 329 milhões
  • Evolução anual: crescimento de 1.216% ante o 2T anterior
  • Ebitda não ajustado: R$ 304 milhões (ante resultado negativo em R$ 53 milhões um ano antes)

Receita e crescimento de vendas

  • Receita líquida: R$ 3,843 bilhões
  • Variação anual: +24,7%
  • Vetores: aceleração de SSS, otimização de mix e precificação mais assertiva

Eficiência de despesas

  • SG&A no semestre: abaixo de 30% da receita líquida
  • Leitura: menor patamar desde o início da crise, sugerindo que a base de custos foi recalibrada para o novo tamanho do negócio

Estratégia de canais: digital como extensão do físico

fachada de uma loja da Americanas
Imagem: Jair Ferreira Belafacce/ shutterstock.com

“Esqueça o marketplace”: o que isso quer dizer

A gestão foi direta: o marketplace tradicional deixou de ser prioridade. Ao reduzir a participação de vendedores externos (sellers), a companhia retoma controle de sortimento e margem, cortando complexidade de catálogo, risco de ruptura e custos operacionais associados a uma plataforma ampla demais para o momento da empresa.

Como o online passa a jogar a favor da margem

  • Ship from store: o pedido feito no site ou app é separado no estoque da loja mais próxima, encurtando a última milha, reduzindo custo logístico por pedido e acelerando a entrega.
  • Pick up in store: o cliente compra online e retira na loja, driblando filas e aumentando o fluxo físico — um impulsionador de venda incremental.

Essa abordagem omnichannel enxuta transforma as lojas em mini hubs logísticos, melhora a experiência do cliente e reforça o papel do digital como funil de conversão e fidelização.

GMV: físico acelera, digital encolhe (por opção)

O retrato do trimestre

  • GMV total: R$ 5,2 bilhões (+15,6% a/a)
  • GMV físico: R$ 4,353 bilhões (+35,7% a/a)
  • GMV digital: R$ 213 milhões (–68,7% a/a)

A queda do GMV digital é coerente com a mudança de estratégia. Ao despriorizar o marketplace, o volume transacionado online encolhe, mas a rentabilidade potencial por pedido tende a melhorar, porque o mix passa a refletir o estoque próprio e o controle de preços das lojas.

Margem e rentabilidade: por que o Ebitda disparou

Três alavancas principais

  1. Loja produtiva: revisão de processos, redução de perdas, equipe ajustada e curadoria de sortimento maior por praça.
  2. Mix e precificação: foco em categorias com melhor margem e giro, com preços calibrados para sustentar rentabilidade sem abrir mão de volume.
  3. Menos distorção financeira: com a fase mais aguda da reestruturação contábil superada, o que se vê no Ebitda tem mais “jeito de operação” e menos efeito não recorrente.

O papel do SG&A abaixo de 30%

Segurar despesas de vendas, gerais e administrativas abaixo de 30% da receita cria folga estrutural para margens, especialmente quando o SSS está positivo. Essa disciplina torna mais provável que a expansão de vendas vire caixa em vez de ser consumida por custos.

Governança financeira e alavancagem

A Americanas saiu de 2023 — ano marcado por fraude contábil e recuperação judicial — com uma agenda clara de redução do endividamento, renegociação de passivos e simplificação do negócio. Em 2024, ainda houve trimestres com efeitos contábeis relevantes, inclusive com lucro em função da novação de dívidas. Em 2025, a fotografia é outra: menos excepcionalidade, mais normalidade. O lucro líquido ainda não veio neste trimestre, mas a trajetória de caixa operacional e a queda do prejuízo indicam que o caminho de volta à lucratividade passa por execução consistente, não por eventos extraordinários.

Operação de lojas: de “ponto de venda” a “hub de atendimento”

Por que a capilaridade importa

A capilaridade histórica da Americanas — pontos de venda espalhados em centros urbanos e bairros de alto tráfego — é um ativo logístico. Ao integrar estoques e sistemas, cada loja vira um nó de distribuição com capacidade de atender pedidos locais em poucas horas e oferecer retirada imediata. O resultado é experiência melhor e custo menor por entrega.

KPIs a acompanhar

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  • % de pedidos atendidos via ship from store
  • Tempo médio entre compra e retirada/entrega
  • Taxa de ruptura e acurácia de estoque
  • Vendas por metro quadrado e por colaborador
  • NPS (satisfação do cliente) e recorrência de compra

Comercial: sortimento e política de preços

Curadoria por região

A empresa ajustou o mix de produtos a hábitos regionais e à sazonalidade local, mitigando estoques “parados” e elevando o giro. Em categorias de maior margem, o abastecimento e a exposição foram priorizados, enquanto itens de baixa rentabilidade perderam espaço.

Preços e margem

Com o fim do marketplace amplo, diminui a pressão por “corridas ao menor preço” típicas de praças com competição por visibilidade. A política de preços migra para uma lógica de margem sustentável + conveniência (entrega rápida/retirada).

Comunicação com o investidor: sinalizações e próximos passos

O que a gestão está dizendo

  • A prioridade é crescer com rentabilidade, não apenas “fazer volume”.
  • O digital será mantido como alavanca do físico, com tecnologia para prever demanda e endereçar estoque local.
  • O corte de despesas e a padronização de processos continuam, mirando escala com eficiência.

O que o mercado observará no 2º semestre

  • Resiliência do SSS em datas-chave (Dia das Crianças e Natal).
  • Geração de caixa operacional recorrente e evolução do capital de giro.
  • Estabilidade de margem bruta frente à concorrência e ao ambiente macro.
  • Manutenção do SG&A em patamar controlado.
  • Evolução do NPS e indicadores de entrega/retirada.

Riscos e sensibilidades

Celular na horizontal com logo da Americanas na tela
Imagem: rafastockbr/shutterstock.com

Competição e cenário macro

O varejo segue competitivo e sensível à renda. Uma piora de confiança do consumidor, crédito mais caro ou pressão inflacionária podem reduzir tráfego e exigir promoções, afetando margem.

Execução da estratégia

A transição para um omnichannel mais enxuto exige acurácia de estoque, sistemas integrados e disciplina operacional. Falhas nesse ajuste podem gerar rupturas ou atrasos de entrega, com impacto direto em satisfação e venda recorrente.

Passivos remanescentes

Mesmo com a reestruturação, contingências e obrigações legais podem criar volatilidade no resultado, sobretudo no resultado financeiro e em eventuais provisões.

Imagem: rafapress / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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