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Anatel busca companhia para assumir obrigações da Oi e garantir serviços

Anatel garante serviços da Oi até 2028 com R$ 450 milhões e negocia transição após intervenção judicial.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Anatel

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) garantiu na sexta-feira (13) que os serviços essenciais atualmente prestados pela Oi estão assegurados até 2028, mesmo com o processo de intervenção judicial em curso. O presidente da agência, Carlos Baigorri, informou em coletiva de imprensa virtual que a Anatel mantém tratativas com o interventor judicial da operadora, e que R$ 450 milhões em garantias financeiras seguem disponíveis em uma conta vinculada para garantir a prestação dos serviços caso a Oi deixe de cumpri-los.

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Imagem: senivpetro – Freepik – EDIÇÃO: Seu Crédito Digital

Quais serviços estão protegidos pela Anatel?

Foco nos serviços essenciais

Segundo Baigorri, os esforços da Anatel se concentram em três categorias prioritárias de serviço, que têm alto impacto social e são considerados essenciais:

  • Serviços tridígitos: como os números de emergência 190 (Polícia), 192 (SAMU), 193 (Bombeiros), entre outros;
  • Interconexão entre operadoras: que permite a comunicação entre redes diferentes;
  • STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado): essencial em cerca de 7 mil localidades onde a Oi é a única prestadora.

“A preocupação maior do juízo e da Anatel é com a continuidade da prestação daqueles serviços que são objetos do termo de autocomposição”, afirmou Baigorri.

Garantia financeira de R$ 450 milhões

A continuidade desses serviços será custeada com recursos já disponíveis em uma conta vinculada no valor de R$ 450 milhões, que poderão ser acionados caso a Oi não consiga mais manter suas obrigações.

“Hoje a Oi tem a obrigação de manter a prestação desses serviços. Se ela não cumprir, usamos os recursos dessa conta para contratar outro prestador”, explicou o presidente da Anatel.

Transição depende de novo operador

Mercado será consultado

Baigorri informou que a Anatel já iniciou conversas com o mercado para identificar qual operadora poderá assumir as responsabilidades da Oi nesses serviços. Essa empresa, caso selecionada, receberá os recursos disponíveis para garantir a continuidade do atendimento à população.

“Estamos conversando com o mercado para encontrar a solução e quem possa assumir as obrigações da Oi”, disse.

No entanto, o presidente reconheceu que o prazo de 30 dias estipulado pela Justiça do Rio de Janeiro para apresentar um plano de transição é desafiador e possivelmente será reavaliado:

“O prazo é de 30 dias, mas certamente precisará ser reavaliado. Em 30 dias, é muito difícil chegar a uma solução tão complexa.”

Possível papel da V.tal

Questionado sobre a participação da V.tal — empresa de infraestrutura de fibra óptica controlada pelo BTG e antiga parceira da Oi — Baigorri foi cauteloso. Segundo ele, a V.tal não tem obrigação automática de assumir os compromissos da Oi conforme os termos da chamada “solução consensual”.

“Pelos termos da solução consensual, não necessariamente. A V.tal atua no transporte, mas as obrigações eram exclusivas da Oi”, esclareceu.

Riscos e complexidade da substituição

Oi
Imagem: Fernando Dias Fotografia / shutterstock.com

Descontinuidade afetaria serviços críticos

A eventual saída da Oi da prestação desses serviços poderia gerar um apagão de comunicação em milhares de localidades, especialmente nas mais remotas e com menor atratividade comercial. Além disso, a descontinuidade de números de emergência e de interconexão entre operadoras traria impactos diretos à segurança pública e à prestação de serviços de saúde.

Por isso, a Anatel trabalha para garantir uma transição suave e sem riscos à população, mesmo com a judicialização do processo de intervenção e a complexidade do cenário técnico e regulatório.

Histórico da crise da Oi e intervenção judicial

Recuperação judicial e perda de ativos

A operadora Oi está em sua segunda recuperação judicial, após anos de dificuldades financeiras que culminaram na venda de ativos importantes como:

  • A unidade de telefonia móvel (vendida para TIM, Claro e Vivo);
  • A operação de fibra óptica (transformada na V.tal, hoje separada do grupo).

Com isso, a empresa manteve principalmente a prestação de serviços fixos legados (como os orelhões e o STFC), muitos deles regulados por obrigações contratuais com o poder público.

Intervenção determinada pela Justiça

Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a intervenção judicial na Oi, nomeando um interventor para conduzir a reestruturação operacional da companhia e evitar colapso nos serviços regulados.

Situação do Cindacta e conectividade da aviação

Debate com DCEA ainda está em aberto

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Durante a coletiva, Baigorri também mencionou um ponto sensível fora do escopo direto da garantia de R$ 450 milhões: a manutenção da conectividade de dados do Cindacta, sistema que coordena a aviação civil e militar no Brasil.

Segundo ele, a responsabilidade pela continuidade desse serviço específico não está coberta pelas garantias financeiras e está sendo discutida com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA).

“Existe uma discussão específica sobre o serviço de dados do Cindacta com o DCEA e os envolvidos em encontrar uma solução de mercado”, afirmou.

O que está em jogo para o consumidor?

Impacto direto em serviços públicos

A eventual descontinuidade dos serviços da Oi afetaria diretamente o acesso a serviços públicos essenciais, como:

  • Emergências médicas (SAMU);
  • Segurança pública (Polícia, Bombeiros);
  • Conectividade de áreas remotas;
  • Comunicação entre operadoras;
  • Telefonia fixa em localidades isoladas.

Diante disso, a Anatel e o Ministério das Comunicações (MCom) estão sob forte pressão para assegurar um plano de transição eficaz e célere, preservando os direitos dos consumidores e a integridade da prestação dos serviços essenciais.

Caminhos possíveis para o futuro

Anatel
Imagem: Wirestock Creators/shutterstock.com

1. Substituição por nova operadora

A Anatel poderá selecionar uma nova prestadora para assumir os serviços deixados pela Oi, utilizando os R$ 450 milhões para custear essa transição. Essa alternativa demanda uma análise técnica e regulatória criteriosa, além de atratividade comercial para possíveis interessados.

2. Extensão da atuação da Oi sob supervisão

Outra possibilidade é que a própria Oi continue prestando os serviços sob vigilância direta do interventor e da Anatel, com financiamento parcial via garantias.

3. Soluções regionais ou segmentadas

Dada a complexidade, pode-se também adotar uma solução segmentada, com diferentes operadoras assumindo regiões distintas ou serviços específicos (ex: uma para os tridígitos, outra para o STFC).

Imagem: Reprodução / Anatel

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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