O sistema Atestmed, criado pelo INSS em 2023 para permitir a análise digital de laudos e atestados médicos, voltou ao centro do debate nacional após a Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) encaminhar ofícios a diversos órgãos da União solicitando sua extinção imediata.
INSS enfrenta pressão de peritos para acabar com o Atestmed
Associação de peritos solicita extinção do Atestmed, alegando aumento das filas do INSS e risco de fraudes. Saiba os impactos da medida e os próximos passos.
A entidade afirma que a ferramenta, implementada com o objetivo de reduzir filas e agilizar concessões, teria produzido o efeito contrário: aumento expressivo no volume de requerimentos, concessões indevidas e maior pressão fiscal sobre a Previdência Social.
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O que é o Atestmed?

Origem do sistema
O Atestmed foi instituído pela Portaria Conjunta MPS/INSS nº 38/2023, durante a gestão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. A ferramenta possibilitou que segurados enviassem, pela internet, laudos e atestados médicos para análise remota, eliminando a necessidade de comparecimento presencial à perícia.
Objetivo declarado
A proposta inicial era agilizar a concessão do benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), diminuindo a sobrecarga de agendamentos e o tempo de espera. O sistema foi amplamente divulgado como uma solução tecnológica para enfrentar o histórico problema das longas filas do INSS.
Críticas da ANMP
Aumento das filas
Segundo dados apresentados pela ANMP nos ofícios, a fila do INSS saltou de 1,67 milhão de requerimentos em agosto de 2023 para 2,62 milhões em agosto de 2025, um crescimento de 56,6% em apenas dois anos. Para os peritos, isso demonstra que a medida falhou em seu objetivo principal.
Concessões indevidas
A associação argumenta que, sem a presença física do médico perito, os controles se tornam frágeis, abrindo espaço para fraudes e concessões de benefícios sem a devida comprovação clínica. O aumento das aprovações teria ampliado a pressão sobre o orçamento previdenciário.
Desorganização institucional
Nos documentos, a ANMP acusa o Atestmed de gerar “descrédito institucional” e de comprometer a eficiência operacional do INSS. A entidade afirma que a medida, em vez de trazer agilidade, teria criado um acúmulo artificial de demandas.
Órgãos acionados
Os ofícios da ANMP foram enviados a uma ampla gama de instituições estratégicas do Estado brasileiro, entre elas:
- Ministério da Previdência Social
- Tribunal de Contas da União (TCU)
- Controladoria-Geral da União (CGU)
- Casa Civil da Presidência da República
- Advocacia-Geral da União (AGU)
- Câmara dos Deputados
- Senado Federal
- Procuradoria-Geral da República (PGR)
O objetivo é mobilizar diferentes frentes de fiscalização e decisão política para que seja determinada a revogação do Atestmed e o retorno da perícia presencial como regra obrigatória.
Argumentos a favor do Atestmed
Apesar das críticas, setores do governo e parte dos segurados defendem a manutenção do sistema.
Redução de deslocamentos
O Atestmed beneficiou especialmente segurados de regiões remotas, que muitas vezes enfrentam dificuldades de locomoção até uma agência do INSS.
Rapidez no processo
Em diversos casos, o envio digital de documentos encurtou prazos e evitou que trabalhadores afastados aguardassem meses por uma perícia.
Modernização tecnológica
O sistema foi apresentado como um passo rumo à digitalização dos serviços públicos, em linha com a transformação digital que o governo busca implementar em várias áreas.
Impactos financeiros
Pressão fiscal
A ANMP sustenta que a elevação no número de concessões indevidas aumentou o déficit previdenciário. Embora não haja consenso sobre os valores exatos, a entidade fala em um impacto bilionário no orçamento federal.
Questionamento do TCU
O Tribunal de Contas da União já havia apontado, em relatórios preliminares, a necessidade de monitoramento rigoroso do Atestmed, justamente pelo risco de ampliação das despesas obrigatórias.
O que pode acontecer a seguir?
Cenários possíveis
- Revogação imediata: caso os órgãos acionados acatem os pedidos da ANMP, o Atestmed pode ser suspenso e o exame presencial retomado como regra.
- Ajustes no sistema: o governo pode optar por manter o Atestmed, mas com critérios mais rígidos de análise e cruzamento de informações.
- Manutenção integral: outra hipótese é que, apesar das críticas, prevaleça a visão de que o sistema moderniza o atendimento e reduz a sobrecarga estrutural do INSS.
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Debate político
Na Câmara e no Senado, parlamentares já se movimentam para discutir o tema. Enquanto alguns defendem o retorno imediato da perícia presencial, outros argumentam que extinguir o sistema representaria um retrocesso na digitalização de serviços.
A visão dos segurados
Beneficiários satisfeitos
Muitos segurados que conseguiram acesso rápido ao benefício relatam que o sistema foi fundamental para evitar a perda de renda em momentos de incapacidade temporária.
Desconfiança crescente
Por outro lado, trabalhadores que tiveram pedidos negados ou enfrentaram dificuldades técnicas criticam a plataforma e cobram transparência nos critérios de análise.
Especialistas opinam

Médicos peritos
A ANMP insiste que apenas a perícia presencial garante avaliação clínica adequada. Segundo a entidade, a experiência médica não pode ser substituída por documentos digitalizados.
Economistas
Analistas de contas públicas alertam que o aumento de gastos previdenciários exige soluções equilibradas, que conciliem acesso facilitado e controle rigoroso.
Juristas
Especialistas em direito previdenciário avaliam que mudanças na sistemática do Atestmed podem gerar ações judiciais de segurados, seja por demora, seja por supostas irregularidades.
Considerações finais
O embate em torno do Atestmed expõe um dilema central da gestão pública: como equilibrar inovação tecnológica, controle de gastos e garantia de direitos sociais.
Se por um lado o sistema trouxe agilidade e comodidade, por outro gerou críticas contundentes de peritos, que denunciam aumento das filas, concessões indevidas e fragilização da credibilidade do INSS.
O futuro do programa dependerá da articulação entre governo, Congresso, órgãos de controle e sociedade civil. Até lá, o debate promete se intensificar, com reflexos diretos para milhões de brasileiros que dependem do benefício por incapacidade temporária.
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