O combate à entrada de materiais ilícitos em unidades prisionais do Rio Grande do Sul ganhou um importante reforço tecnológico. O uso de sistemas antidrone está aumentando em cerca de 20% a taxa de interceptações de itens que seriam lançados em cadeias gaúchas.
Tecnologia antidrone no Rio Grande do Sul eleva em 20% a captura de ilícitos em presídios
Presídios do Rio Grande do Sul registram aumento de 20% nas interceptações de ilícitos com uso de sistemas antidrone, revela o secretário Jorge Pozzobom.
A informação foi revelada pelo secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, durante entrevista à Rádio Gaúcha. Segundo ele, os primeiros resultados mostram que a adoção da tecnologia tem efeito imediato na repressão ao tráfico de drogas, celulares e outros dispositivos proibidos.
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A nova fronteira da segurança penitenciária

Nos últimos anos, o uso de drones por facções criminosas tornou-se uma ameaça real para o sistema prisional brasileiro. Pequenos, ágeis e difíceis de rastrear, esses equipamentos têm sido utilizados para transportar ilícitos por meio de lançamentos aéreos diretamente nos pátios ou telhados dos presídios. No Rio Grande do Sul, o avanço desse tipo de crime fez o governo estadual investir em sistemas de neutralização de drones.
Investimento milionário em alta tecnologia
No dia 23 de maio de 2025, o Estado entregou três kits de tecnologia antidrone, com investimento de R$ 4,9 milhões. As unidades foram alocadas em presídios com maior incidência de tentativas de entrega de materiais ilícitos por via aérea. De acordo com o governo estadual, os equipamentos serão utilizados principalmente pelo Grupo de Ações Especiais da Polícia Penal (Gaes), responsável pelas operações de alto risco.
Segundo Pozzobom, o investimento é estratégico e faz parte de um plano de modernização da segurança prisional. “É um investimento muito alto, de alta tecnologia. Evidentemente, se for necessário aumentar o número desses equipamentos, vamos aumentar. Tudo é feito com planejamento”, destacou o secretário.
Primeira interceptação em Charqueadas marca estreia do sistema
A estreia dos sistemas antidrone já rendeu resultados concretos. Na madrugada do dia 8 de junho, no Complexo Prisional de Charqueadas, uma ação do Gaes conseguiu neutralizar um drone em voo, impedindo a entrega de diversos itens ilegais. Três pessoas foram presas em flagrante.
Detalhes da apreensão
Com os suspeitos, a polícia apreendeu:
- Mais de 500 gramas de maconha
- 195 gramas de cocaína
- Três celulares
- Um relógio
- Seis chips de telefonia
- Um drone com baterias e controle remoto
A operação confirmou a eficácia do equipamento, que usa emissão de frequências radiofônicas específicas para cortar o sinal entre o drone e seu operador. Dessa forma, o dispositivo é forçado a pousar ou retornar ao ponto de origem, impedindo que os objetos sejam lançados no presídio.
Tecnologia de guerra adaptada à segurança pública
Sistemas semelhantes aos adotados pelo Rio Grande do Sul já são usados em zonas de conflito militar, como na guerra da Ucrânia. O uso em presídios demonstra uma tendência crescente de militarização das ferramentas de segurança pública para lidar com ameaças sofisticadas.
Panorama do sistema prisional gaúcho
De acordo com dados de dezembro de 2024, o Rio Grande do Sul conta com:
- 84 presídios e penitenciárias de regime fechado
- 17 unidades de regime semiaberto
O secretário Jorge Pozzobom reconhece que a quantidade de equipamentos antidrone entregues é pequena diante da estrutura do sistema penitenciário estadual. Ainda assim, destaca que o critério de escolha das unidades que receberam os kits foi baseado em inteligência penitenciária.
Riscos da ação de drones no sistema prisional
O uso de drones para introdução de drogas, armas, chips, celulares e até ferramentas de fuga representa um desafio crescente para a segurança das penitenciárias. Diferente de visitas presenciais ou encomendas, os drones operam à distância, dificultando a detecção dos responsáveis e permitindo o abastecimento contínuo de facções criminosas dentro dos presídios.
Além disso, esses dispositivos podem voar durante a noite, em horários de menor vigilância, e realizar entregas de forma precisa em pátios internos, telhados ou áreas isoladas, fora do alcance imediato dos agentes de segurança.
Por que o sistema antidrone é tão eficaz?
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A principal vantagem dos sistemas antidrone utilizados no Rio Grande do Sul está na sua capacidade de interferência direta nos sinais de rádio e GPS utilizados pelos dispositivos. Diferente de um bloqueador genérico, os sistemas entregues ao Gaes conseguem identificar, rastrear e interromper drones em voo, forçando a queda ou retorno controlado do aparelho.
Como funciona o bloqueio?
- O sistema detecta a frequência de operação do drone
- Interrompe o sinal entre o controle remoto e o dispositivo
- Induz o pouso ou retorno automático
- Impossibilita o lançamento de cargas
- Permite a localização dos operadores
Desafios e próximos passos

Embora o aumento de 20% nas interceptações represente um avanço, o governo reconhece que o número de equipamentos ainda está aquém da necessidade. Pozzobom afirmou que novas aquisições podem ocorrer, dependendo da análise dos resultados iniciais e da viabilidade orçamentária.
O Estado também aposta na integração entre inteligência policial e sistemas de vigilância eletrônica, incluindo câmeras de monitoramento, sensores de movimento e reconhecimento facial, para ampliar a eficiência das ações de repressão ao crime dentro das unidades prisionais.
Repercussão e apoio da sociedade
O investimento em tecnologia de ponta tem recebido apoio de entidades ligadas à segurança pública e do sistema judiciário. Para especialistas, o uso de tecnologia antidrone pode se tornar uma política pública permanente e integrada ao combate ao crime organizado nas prisões brasileiras.
Além disso, a atuação rápida e eficiente do Gaes em Charqueadas foi destacada positivamente por setores da imprensa e por representantes da categoria dos policiais penais, que veem no equipamento uma ferramenta crucial para sua segurança e para a manutenção da ordem nas unidades.
Considerações finais
O uso de sistemas antidrone nos presídios do Rio Grande do Sul inaugura uma nova etapa na segurança penitenciária brasileira. Com tecnologia de ponta, resultados concretos e potencial de expansão, a iniciativa demonstra que o enfrentamento à criminalidade deve acompanhar a evolução dos meios utilizados pelas facções.
Embora ainda restrito a poucas unidades, o sistema já mostra eficácia e pode se tornar essencial na gestão de presídios em todo o país, diante do uso crescente de drones no crime organizado. O futuro da segurança prisional passa, cada vez mais, pelo uso de tecnologia, planejamento e integração entre forças de segurança.
