A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, na terça-feira (2), uma medida urgente proibindo a comercialização, distribuição, fabricação, importação, manipulação, propaganda e uso de anéis de acupressão que alegam falsamente medir os níveis de glicose no sangue, oxigenação e frequência cardíaca sem qualquer tipo de exame invasivo.
A proibição afeta diretamente produtos como GlicoMax, GlucoMax, GlucoMax PRO e o chamado Anel de Controle de Açúcar no Sangue por acupressão, todos com forte presença em redes sociais e marketplaces online.
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Produtos sem comprovação científica e sem registro sanitário
O que diz a Anvisa?
Segundo comunicado oficial, os dispositivos estão sendo comercializados sem qualquer registro sanitário, o que viola a legislação brasileira sobre dispositivos médicos. Além disso, não há qualquer comprovação científica que sustente as alegações de que esses anéis seriam capazes de medir parâmetros fisiológicos complexos apenas com base em acupressão.
“Trata-se de uma fraude que coloca em risco a saúde da população ao induzir consumidores ao erro”, afirmou a Anvisa em nota pública.
A prática, segundo a agência, é classificada como infração sanitária grave, pois pode levar pessoas com doenças crônicas, como diabetes e problemas cardíacos, a dispensarem métodos tradicionais de monitoramento, confiando em dispositivos ineficazes.
Como esses produtos são vendidos
Estratégias enganosas nas redes sociais
A maior parte da divulgação desses produtos acontece por meio de redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok, além de sites de compras populares, onde os anúncios prometem uma revolução no cuidado com a saúde: a possibilidade de medir glicose e frequência cardíaca sem agulhas, exames ou sensores complexos.
Uso indevido da imagem de celebridades
Diversos anúncios usam indevidamente a imagem de personalidades famosas, médicos fictícios e depoimentos forjados para atrair consumidores e dar legitimidade ao produto. Essa prática configura publicidade enganosa, também proibida pela legislação brasileira.
Quais são os produtos proibidos?
A Anvisa listou os seguintes itens como alvos da proibição:
- GlicoMax
- GlucoMax
- GlucoMax PRO
- Anel de Controle de Açúcar no Sangue (acupressão Glucomax)
Esses produtos, segundo a agência, não são autorizados para uso, venda ou divulgação em território nacional.
Por que esses anéis representam um risco à saúde?
Falsa sensação de segurança
O principal risco desses anéis é oferecer uma falsa sensação de segurança a quem os utiliza. Pacientes diabéticos, por exemplo, podem deixar de monitorar seus níveis de glicose de forma adequada, o que pode levar a complicações graves como hipoglicemia, hiperglicemia, coma diabético ou até mesmo a morte.
Risco de abandonar tratamentos convencionais
Outro ponto de alerta é que muitas campanhas de marketing associadas a esses produtos sugerem que usuários poderão “controlar a glicose naturalmente”, o que pode induzir ao abandono de medicamentos e terapias comprovadas.
O que o consumidor deve fazer
Denúncia é fundamental
A Anvisa orienta que qualquer pessoa que identificar a venda, propaganda ou uso desses produtos faça denúncia por meio dos canais oficiais da agência:
- Ouvidoria da Anvisa
- Central de Atendimento: 0800 642 9782
Cuidado com promessas milagrosas
A agência também reforça o alerta para que consumidores fiquem atentos a produtos que prometem:
- Diagnóstico sem exames;
- Medição de glicose ou batimentos cardíacos por meio de acupressão ou magnetismo;
- Resultados instantâneos e sem dor;
- Substituição de medicamentos convencionais por produtos “naturais”.
O que diz a ciência sobre acupressão e monitoramento de glicose

Acupressão tem uso complementar, não diagnóstico
A acupressão é uma técnica da medicina tradicional chinesa utilizada para alívio de dores e relaxamento, mas não possui validação científica para diagnóstico de doenças ou medição de indicadores fisiológicos como glicose ou batimentos cardíacos.
Monitoramento exige sensores específicos
Os dispositivos confiáveis para monitoramento de glicose (como glicosímetros e sensores de glicose contínua) utilizam tecnologia validada clinicamente, incluindo sensores invasivos ou subcutâneos. Não há, até o momento, nenhum anel aprovado por agências sanitárias internacionais que realize tal função.
Histórico de produtos semelhantes
Casos anteriores de proibição
Esta não é a primeira vez que a Anvisa atua contra dispositivos falsificados com apelo de “revolução médica”. Em outras ocasiões, a agência já proibiu a venda de pulseiras “quânticas” e aparelhos de ozonioterapia domésticos, todos sem qualquer eficácia comprovada.
O padrão, segundo especialistas, segue o mesmo roteiro:
- Produto surge no exterior com promessas exageradas;
- Ganha popularidade nas redes sociais;
- Começa a ser comercializado no Brasil sem registro;
- É identificado pela Anvisa após denúncias.
Especialistas alertam para o risco de “gadgets da saúde”
A opinião médica
Médicos endocrinologistas e cardiologistas vêm alertando para o crescimento de produtos que misturam tecnologia duvidosa com marketing agressivo.
“O maior problema é quando a tecnologia vira uma armadilha. Esses produtos criam a ilusão de controle total da saúde, mas sem nenhuma base científica, colocando em risco pessoas com doenças crônicas graves”, alerta a endocrinologista Mariana Faria, da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Como se proteger de fraudes em saúde

7 dicas para evitar armadilhas
- Desconfie de promessas milagrosas;
- Pesquise o nome do produto no site da Anvisa;
- Consulte seu médico antes de substituir qualquer método de controle de saúde;
- Verifique se há registro sanitário (número de registro na Anvisa);
- Evite comprar dispositivos de saúde em redes sociais;
- Não confie em anúncios com celebridades sem confirmação oficial;
- Denuncie sempre que possível.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital




