A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou recentemente uma resolução que proíbe a comercialização, fabricação, distribuição, propaganda e uso de suplementos alimentares contendo a planta conhecida como ora-pro-nóbis. O motivo, segundo a agência, é simples e direto: a planta não é um ingrediente autorizado para esse tipo de produto.
Anvisa suspende venda de suplemento comum entre brasileiros; entenda os riscos
Anvisa proíbe suplementos com ora-pro-nóbis no Brasil por falta de comprovação científica. Planta fresca continua liberada para consumo alimentar.
Apesar de sua popularização recente como “superalimento” nas redes sociais e em rótulos de produtos, o ora-pro-nóbis carece de comprovação científica que justifique seu uso em suplementos alimentares.
Leia mais:
Você emite nota fiscal? Receita Federal emite alerta urgente!
O que motivou a proibição?

Avaliação obrigatória para suplementos
“Para um ingrediente específico ser autorizado como suplemento alimentar, é necessário que ele passe por uma avaliação de segurança e eficácia”, diz a nota da Anvisa.
Ou seja, não basta que uma planta seja conhecida popularmente por seus benefícios. As empresas precisam provar que o ingrediente contém nutrientes ou compostos benéficos ao corpo humano em níveis que façam sentido para uso como suplemento. Sem isso, a propaganda se torna enganosa.
O que é ora-pro-nóbis?
Origem e popularização
O ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é uma planta comestível amplamente utilizada na culinária brasileira, especialmente em Minas Gerais e Goiás. Suas folhas verdes e carnosas são consumidas cozidas, em refogados, sopas ou mesmo em bolinhos, e são apreciadas por seu sabor neutro e textura.
Valor nutricional
A planta ganhou o apelido de “carne de pobre” por conter uma quantidade relativamente alta de proteínas vegetais. Segundo dados divulgados pelo jornal O Globo, 100 gramas de folhas da planta contêm cerca de 2 gramas de proteína. Além disso, ela possui vitaminas C e E, com ação antioxidante.
O problema do exagero nas promessas
Apesar desses atributos, os fabricantes de suplementos exageraram nas promessas. Em rótulos e anúncios, o ora-pro-nóbis passou a ser vendido como milagroso: promessas de tratamento para artrite, fibromialgia, má circulação, entre outras condições de saúde, começaram a circular sem qualquer comprovação científica.
A propaganda enganosa de suplementos
Como os suplementos enganaram os consumidores
Produtos com ora-pro-nóbis vinham sendo vendidos com rótulos chamativos e linguagem pseudo-científica, oferecendo benefícios amplamente questionáveis. Em diversos casos, os fabricantes listavam funções terapêuticas, o que caracteriza infração sanitária grave.
“Suplemento rico em proteínas”, “regula a pressão arterial”, “combate a osteoporose” — essas foram algumas das frases encontradas nos produtos analisados pela Anvisa.
O papel da Anvisa no combate à desinformação
A Anvisa atua para proteger os consumidores e garantir que o que é vendido no Brasil tem base científica e comprovação de segurança. Quando isso não ocorre, como no caso do ora-pro-nóbis, a resposta é a interdição do produto.
O que está proibido?

Abrangência da proibição
A resolução da Anvisa deixa claro que a proibição se aplica exclusivamente aos suplementos alimentares. Isso inclui:
- Produção industrial de cápsulas e extratos da planta
- Comércio desses produtos em farmácias, lojas de suplementos e pela internet
- Qualquer propaganda que sugira efeitos terapêuticos
E a planta in natura?
O consumo da planta in natura continua permitido. O uso culinário do ora-pro-nóbis não foi afetado pela medida, já que seu consumo tradicional como vegetal não representa risco à saúde.
“A decisão não proíbe o consumo da planta em sua forma natural, apenas em suplementos alimentares que não passaram pela avaliação exigida”, esclarece a agência.
O que diz a ciência sobre o ora-pro-nóbis?
Estudos ainda são limitados
Até o momento, os estudos sobre o ora-pro-nóbis são preliminares e inconclusivos. Há indícios de que a planta pode conter compostos antioxidantes e aminoácidos, mas não há pesquisas robustas que confirmem seus efeitos terapêuticos.
Exemplo de uso tradicional não basta
Mesmo sendo usada há décadas por comunidades rurais e interioranas, isso não é suficiente para garantir sua segurança em forma concentrada ou industrializada. O uso tradicional não substitui testes clínicos, estudos toxicológicos e ensaios de eficácia.
Quais os riscos de tomar suplementos não autorizados?
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Dose concentrada pode ser tóxica
O uso de uma planta em sua forma natural é muito diferente de consumir seu extrato concentrado. Isso porque a concentração de compostos ativos pode aumentar muito, elevando os riscos de efeitos colaterais, como:
- Problemas gastrointestinais
- Interações medicamentosas
- Reações alérgicas
Falta de controle de qualidade
Sem regulação, não há garantia sobre a procedência, higiene, pureza ou dosagem correta dos suplementos. Isso expõe o consumidor a graves riscos de saúde.
O que o consumidor deve fazer?
Atenção aos rótulos
Evite comprar suplementos que prometem “cura milagrosa” ou que têm rótulos exageradamente otimistas. Sempre verifique se o produto possui registro na Anvisa.
Denuncie produtos irregulares
Caso encontre suplementos à base de ora-pro-nóbis à venda, especialmente online, o ideal é fazer uma denúncia à Anvisa ou aos órgãos de vigilância sanitária locais.
Impactos no mercado de suplementos

Fabricantes terão de se adequar
As empresas que vinham lucrando com esses produtos deverão interromper imediatamente a fabricação e venda. Caso desejem regularizar os suplementos, terão que apresentar documentação científica robusta que comprove segurança e eficácia.
Consumidores devem redobrar a cautela
O episódio serve como alerta para o público. Antes de adotar qualquer suplemento alimentar, o ideal é buscar orientação médica ou de nutricionistas, especialmente quando se trata de substâncias pouco conhecidas ou sem comprovação científica.
Conclusão: tradição não é autorização
O caso do ora-pro-nóbis é um exemplo clássico do conflito entre tradição popular e rigor científico. Embora a planta continue sendo valorizada na culinária brasileira, sua transformação em suplemento exige provas técnicas que ainda não foram apresentadas. Até que isso ocorra, a Anvisa seguirá firme em sua missão de proteger a saúde pública.
