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Anvisa suspende venda de suplemento comum entre brasileiros; entenda os riscos

Anvisa proíbe suplementos com ora-pro-nóbis no Brasil por falta de comprovação científica. Planta fresca continua liberada para consumo alimentar.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou recentemente uma resolução que proíbe a comercialização, fabricação, distribuição, propaganda e uso de suplementos alimentares contendo a planta conhecida como ora-pro-nóbis. O motivo, segundo a agência, é simples e direto: a planta não é um ingrediente autorizado para esse tipo de produto.

Apesar de sua popularização recente como “superalimento” nas redes sociais e em rótulos de produtos, o ora-pro-nóbis carece de comprovação científica que justifique seu uso em suplementos alimentares.

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O que motivou a proibição?

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Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Avaliação obrigatória para suplementos

“Para um ingrediente específico ser autorizado como suplemento alimentar, é necessário que ele passe por uma avaliação de segurança e eficácia”, diz a nota da Anvisa.

Ou seja, não basta que uma planta seja conhecida popularmente por seus benefícios. As empresas precisam provar que o ingrediente contém nutrientes ou compostos benéficos ao corpo humano em níveis que façam sentido para uso como suplemento. Sem isso, a propaganda se torna enganosa.

O que é ora-pro-nóbis?

Origem e popularização

O ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é uma planta comestível amplamente utilizada na culinária brasileira, especialmente em Minas Gerais e Goiás. Suas folhas verdes e carnosas são consumidas cozidas, em refogados, sopas ou mesmo em bolinhos, e são apreciadas por seu sabor neutro e textura.

Valor nutricional

A planta ganhou o apelido de “carne de pobre” por conter uma quantidade relativamente alta de proteínas vegetais. Segundo dados divulgados pelo jornal O Globo, 100 gramas de folhas da planta contêm cerca de 2 gramas de proteína. Além disso, ela possui vitaminas C e E, com ação antioxidante.

O problema do exagero nas promessas

Apesar desses atributos, os fabricantes de suplementos exageraram nas promessas. Em rótulos e anúncios, o ora-pro-nóbis passou a ser vendido como milagroso: promessas de tratamento para artrite, fibromialgia, má circulação, entre outras condições de saúde, começaram a circular sem qualquer comprovação científica.

A propaganda enganosa de suplementos

Como os suplementos enganaram os consumidores

Produtos com ora-pro-nóbis vinham sendo vendidos com rótulos chamativos e linguagem pseudo-científica, oferecendo benefícios amplamente questionáveis. Em diversos casos, os fabricantes listavam funções terapêuticas, o que caracteriza infração sanitária grave.

“Suplemento rico em proteínas”, “regula a pressão arterial”, “combate a osteoporose” — essas foram algumas das frases encontradas nos produtos analisados pela Anvisa.

O papel da Anvisa no combate à desinformação

A Anvisa atua para proteger os consumidores e garantir que o que é vendido no Brasil tem base científica e comprovação de segurança. Quando isso não ocorre, como no caso do ora-pro-nóbis, a resposta é a interdição do produto.

O que está proibido?

Anvisa
Imagem: rafapress/Shutterstock.com

Abrangência da proibição

A resolução da Anvisa deixa claro que a proibição se aplica exclusivamente aos suplementos alimentares. Isso inclui:

  • Produção industrial de cápsulas e extratos da planta
  • Comércio desses produtos em farmácias, lojas de suplementos e pela internet
  • Qualquer propaganda que sugira efeitos terapêuticos

E a planta in natura?

O consumo da planta in natura continua permitido. O uso culinário do ora-pro-nóbis não foi afetado pela medida, já que seu consumo tradicional como vegetal não representa risco à saúde.

“A decisão não proíbe o consumo da planta em sua forma natural, apenas em suplementos alimentares que não passaram pela avaliação exigida”, esclarece a agência.

O que diz a ciência sobre o ora-pro-nóbis?

Estudos ainda são limitados

Até o momento, os estudos sobre o ora-pro-nóbis são preliminares e inconclusivos. Há indícios de que a planta pode conter compostos antioxidantes e aminoácidos, mas não há pesquisas robustas que confirmem seus efeitos terapêuticos.

Exemplo de uso tradicional não basta

Mesmo sendo usada há décadas por comunidades rurais e interioranas, isso não é suficiente para garantir sua segurança em forma concentrada ou industrializada. O uso tradicional não substitui testes clínicos, estudos toxicológicos e ensaios de eficácia.

Quais os riscos de tomar suplementos não autorizados?

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Dose concentrada pode ser tóxica

O uso de uma planta em sua forma natural é muito diferente de consumir seu extrato concentrado. Isso porque a concentração de compostos ativos pode aumentar muito, elevando os riscos de efeitos colaterais, como:

  • Problemas gastrointestinais
  • Interações medicamentosas
  • Reações alérgicas

Falta de controle de qualidade

Sem regulação, não há garantia sobre a procedência, higiene, pureza ou dosagem correta dos suplementos. Isso expõe o consumidor a graves riscos de saúde.

O que o consumidor deve fazer?

Atenção aos rótulos

Evite comprar suplementos que prometem “cura milagrosa” ou que têm rótulos exageradamente otimistas. Sempre verifique se o produto possui registro na Anvisa.

Denuncie produtos irregulares

Caso encontre suplementos à base de ora-pro-nóbis à venda, especialmente online, o ideal é fazer uma denúncia à Anvisa ou aos órgãos de vigilância sanitária locais.

Impactos no mercado de suplementos

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Imagem: Freepik

Fabricantes terão de se adequar

As empresas que vinham lucrando com esses produtos deverão interromper imediatamente a fabricação e venda. Caso desejem regularizar os suplementos, terão que apresentar documentação científica robusta que comprove segurança e eficácia.

Consumidores devem redobrar a cautela

O episódio serve como alerta para o público. Antes de adotar qualquer suplemento alimentar, o ideal é buscar orientação médica ou de nutricionistas, especialmente quando se trata de substâncias pouco conhecidas ou sem comprovação científica.

Conclusão: tradição não é autorização

O caso do ora-pro-nóbis é um exemplo clássico do conflito entre tradição popular e rigor científico. Embora a planta continue sendo valorizada na culinária brasileira, sua transformação em suplemento exige provas técnicas que ainda não foram apresentadas. Até que isso ocorra, a Anvisa seguirá firme em sua missão de proteger a saúde pública.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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