Marca de whey protein é suspensa pela Anvisa por falha grave na composição
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata da comercialização do suplemento proteico 100% Full Whey, da marca Fullife Nutrition, após a constatação de irregularidades graves em sua composição. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (26) e inclui também o recolhimento de lotes do produto.
Entre os problemas encontrados, a Anvisa destacou a presença de glúten em um lote rotulado como “isento” da substância, o que representa um risco grave à saúde, especialmente para pessoas com doença celíaca. Além disso, foram detectadas matérias estranhas nos testes laboratoriais, contrariando os padrões sanitários vigentes no Brasil.
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Problemas identificados no whey protein da Fullife
Glúten em produto rotulado como “sem glúten”
A presença de glúten nos suplementos alimentares é uma questão de saúde pública. No caso da Fullife, o lote 2408J5 do produto 100% Full Whey foi analisado em laboratório, e os resultados mostraram contaminação por trigo, centeio e cevada, cereais que naturalmente contêm glúten. Essa descoberta contraria diretamente o que era informado na rotulagem do produto.
Segundo a legislação sanitária brasileira, qualquer produto que declare ser isento de glúten deve passar por um rigoroso controle de qualidade, incluindo testes que comprovem a ausência total da substância. A detecção de glúten, mesmo que em pequenas quantidades, pode desencadear reações adversas em pessoas com intolerância ou doença celíaca.
Alegações enganosas na embalagem
Outro ponto destacado pela Anvisa diz respeito às alegações não permitidas encontradas na rotulagem do produto. Essas declarações podem induzir o consumidor a interpretações equivocadas sobre os benefícios ou propriedades nutricionais do suplemento, violando normas de rotulagem e marketing de alimentos.
A agência não especificou quais foram as alegações consideradas enganosas, mas reforçou que rótulos de suplementos alimentares devem obedecer às normas de transparência e segurança, garantindo informações claras, corretas e verificáveis.
Matérias estranhas: um sinal de alerta
Além das irregularidades no rótulo e na composição química, o produto também foi reprovado nos testes que verificam a presença de matérias estranhas macroscópicas e microscópicas, ou seja, impurezas ou elementos indesejados como fragmentos de insetos, poeira ou outras contaminações.
Esses parâmetros são considerados essenciais para garantir a qualidade sanitária de qualquer produto alimentar. A presença de partículas não identificadas ou incompatíveis com a natureza do alimento é um indício claro de falhas no processo de fabricação e controle de qualidade.
Reações da empresa e novas medidas da Anvisa
Silêncio da fabricante SFS Alimentos Ltda.
Até o momento, a empresa responsável pelo suplemento, SFS Alimentos Ltda., não se manifestou sobre a decisão da Anvisa. A reportagem tentou contato com a empresa por meio de e-mail e redes sociais, mas não obteve retorno.
A falta de resposta agrava ainda mais a situação, uma vez que a legislação exige que as empresas demonstrem responsabilidade e transparência diante de alertas sanitários. A omissão pode acarretar penalidades administrativas, além de danos à imagem da marca perante os consumidores.
Medida vale para todo o território nacional
A suspensão da comercialização e a obrigatoriedade do recolhimento do lote afetado têm validade em todo o Brasil. Isso significa que distribuidores, revendedores e farmácias estão legalmente impedidos de continuar vendendo o suplemento. Quem já adquiriu o produto deve interromper o uso imediatamente e, se possível, devolvê-lo ao ponto de compra.
A Anvisa recomenda que consumidores que se sintam lesados ou tenham apresentado efeitos adversos após o uso do suplemento entrem em contato com os canais de denúncia da agência para o devido acompanhamento do caso.
Outro produto com problemas: canela da marca Kinino
A mesma edição do Diário Oficial também trouxe outra notificação preocupante: a Anvisa determinou o recolhimento do lote 371LAG2419 da canela-da-china em pó, comercializado pela empresa Kinino.
Adulteração com amido
Segundo os testes laboratoriais, o lote em questão continha amido, uma substância que não é característica da canela. A adição de amido, quando não informada no rótulo, configura fraude alimentar, pois altera a composição do produto e engana o consumidor quanto à sua pureza.
Contaminação por matérias estranhas
Além do amido, o lote também apresentou resultado insatisfatório na pesquisa de matérias estranhas. Assim como no caso do suplemento da Fullife, esse problema pode indicar falhas na produção, armazenamento ou transporte, comprometendo a segurança alimentar.
Kinino também não se manifestou
A Kinino, assim como a SFS Alimentos, também não respondeu aos questionamentos da imprensa até a publicação desta reportagem. A ausência de posicionamento público gera insegurança no consumidor e sugere falta de compromisso com as boas práticas de produção e comercialização.
O que dizem os especialistas
Riscos para celíacos e alérgicos
A presença de glúten em um produto rotulado como “sem glúten” é particularmente perigosa para indivíduos com doença celíaca, uma condição autoimune desencadeada pelo consumo da substância. Mesmo quantidades mínimas podem provocar sintomas como dores abdominais, diarreia, inflamações intestinais e danos prolongados à saúde.
Especialistas alertam que o uso prolongado de suplementos adulterados pode agravar condições pré-existentes ou causar novos quadros clínicos. Por isso, é essencial que os consumidores estejam atentos à origem e procedência dos produtos adquiridos.
A importância da fiscalização
A atuação da Anvisa em casos como esses é fundamental para manter o controle de qualidade dos alimentos vendidos no Brasil. A agência realiza inspeções regulares e investigações a partir de denúncias, garantindo que os produtos comercializados estejam em conformidade com a legislação.
Contudo, especialistas reforçam que o consumidor também precisa exercer um papel vigilante, denunciando irregularidades e evitando o consumo de produtos de origem duvidosa.
A suspensão do suplemento proteico da Fullife Nutrition e da canela em pó da Kinino reforça a importância da fiscalização sanitária e do consumo consciente. As falhas encontradas vão desde rotulagem enganosa até a presença de substâncias impróprias para consumo, colocando em risco a saúde da população.
É fundamental que os consumidores fiquem atentos às notificações da Anvisa, leiam atentamente os rótulos e exijam transparência das marcas que consomem. Em casos de dúvida ou suspeita, o melhor caminho é interromper o uso e procurar canais oficiais de orientação e denúncia.
Essas ações são essenciais para preservar a qualidade dos alimentos no mercado e proteger o direito do consumidor à informação clara, segura e verdadeira.