Em um dos episódios mais impactantes da história recente do sistema financeiro brasileiro, o banco BMP conseguiu recuperar R$18,7 milhões dos R$541 milhões desviados em um sofisticado ataque hacker. A ofensiva, considerada pela Polícia Civil de São Paulo o maior golpe cibernético já registrado no país, ocorreu na madrugada de 30 de junho e afetou pelo menos seis instituições financeiras.
Após ataque hacker, banco consegue reaver R$ 18 milhões roubados por Pix
Em um dos episódios mais impactantes da história recente do sistema financeiro brasileiro, o banco BMP conseguiu recuperar R$18,7 milhões dos R$541 milhões desv
O BMP apresentou à Justiça um pedido de investigação e bloqueio de bens, apontando mais de 100 destinatários dos valores desviados, entre pessoas físicas e jurídicas. A ação expôs a fragilidade das cadeias de tecnologia de fornecedores e levantou alertas sobre a necessidade de medidas mais robustas para proteger o sistema de pagamentos instantâneos, como o Pix.
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Como os hackers agiram

O ataque ao sistema aconteceu por meio da empresa de tecnologia C&M Software, que conecta instituições ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Trata-se de um caso clássico de supply chain attack, no qual criminosos infiltram-se na cadeia de fornecedores para comprometer clientes estratégicos.
Segundo o BMP, as transações ilícitas começaram às 2h03 do dia 30 e seguiram até as 7h04, totalizando 166 operações por Pix. A empresa Soffy Soluções de Pagamentos, suspeita de ser de fachada e já denunciada em outros casos de fraude, foi a maior beneficiada, recebendo sozinha R$270,9 milhões em 69 transferências.
Milionários suspeitos
Entre os 79 beneficiários identificados pelo BMP, quatro se destacam por terem recebido somas superiores a R$15 milhões cada. São eles:
- Carlos Luiz da Silva Júnior: R$44 milhões em sete transferências
- André Luís Fonseca Costa: R$35,3 milhões em 11 transferências
- Vanessa Ribeiro Ritacco: R$20 milhões em quatro transferências
- Franciely Queiroz Cardoso: R$15 milhões em duas transações
A defesa dos suspeitos ainda não foi localizada. O banco conseguiu, por meio de rastreamento cibernético e da própria estrutura de compliance, bloquear judicialmente R$270 milhões depositados em contas receptoras.
O elo interno: funcionário da C&M preso
Dois dias após o golpe, João Nazareno Roque, de 48 anos, funcionário do setor de tecnologia da C&M Software, foi preso sob suspeita de ter facilitado o ataque. Ele teria entregue aos hackers suas credenciais de acesso aos sistemas em troca de R$15 mil.
De acordo com a Polícia Civil, a senha permitiu aos criminosos movimentar, em poucas horas, valores milionários entre contas de diferentes bancos para destinos fraudulentos, dificultando o rastreio. As investigações também indicam que os hackers estavam infiltrados nos sistemas da C&M há pelo menos seis meses.
O impacto no sistema financeiro

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O ataque paralisou temporariamente operações via Pix em diversas instituições atingidas e evidenciou um novo risco para o sistema de pagamentos brasileiro, tido até então como robusto e seguro. Para especialistas em cibersegurança, o caso reforça a urgência de auditorias mais frequentes e barreiras adicionais para proteger a comunicação entre bancos e fornecedores de tecnologia.
Fontes ligadas à Polícia Federal, que abriu um inquérito paralelo, afirmam que o prejuízo total do ataque pode ser ainda maior que o inicialmente calculado. O BMP, por sua vez, garantiu que seguirá trabalhando para recuperar o restante dos valores e colaborar com as investigações.
Uma ofensiva sem precedentes
A Polícia Civil classifica o episódio como “o maior ataque hacker da história do Brasil”. Até o momento, além da prisão de Nazareno e do bloqueio parcial dos recursos desviados, a investigação trabalha para identificar outros envolvidos e responsabilizar as empresas receptoras suspeitas de lavagem de dinheiro.
Os investigadores ressaltam que golpes desse tipo demandam meses de planejamento, além de uma rede de laranjas e empresas de fachada para dispersar os valores roubados.
Com informações de: Metrópoles
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