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Após golpes com Pix, criminosos usam TED para desviar milhões

Golpistas agora usam TED após falhas no Pix, desviando milhões de fintechs e bancos no Brasil.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Criminosos criam site falso do IPVA e aplicam golpes em contribuintes

O sistema financeiro brasileiro vive uma nova onda de ataques virtuais que preocupa especialistas, instituições financeiras e órgãos reguladores. Após uma série de golpes milionários envolvendo transferências via Pix, criminosos passaram a explorar brechas no sistema tradicional de Transferência Eletrônica Disponível (TED).

O caso mais recente ocorreu nesta quinta-feira, quando a Sociedade de Crédito Direto (SCD) Monetaire teve aproximadamente R$ 5 milhões desviados por meio de uma operação fraudulenta. Embora os clientes da fintech não tenham sido afetados, o episódio acendeu um alerta sobre a necessidade de reforço na segurança das transações eletrônicas.

Leia mais: Spoofing telefônico: como se proteger de golpes no Brasil

Como o golpe foi realizado

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Imagem: Sora Shimazaki /Pexels

De acordo com informações preliminares, os criminosos tentaram inicialmente realizar a fraude via Pix, mas as barreiras de segurança da Monetaire impediram a operação. Persistentes, eles recorreram ao método tradicional de TED.

A fraude foi concretizada através de uma operação chamada “TED de não cliente”, modalidade em que a transferência é iniciada por meio de um depósito vindo de outra instituição financeira. Esse detalhe foi o suficiente para que os golpistas conseguissem contornar os sistemas de proteção e efetuar o desvio milionário.

Apesar da gravidade do ataque, a fintech confirmou que nenhum usuário final foi prejudicado e que o prejuízo ficou restrito à própria empresa.

Contexto: ataques anteriores preocupam o setor

Esse não é um caso isolado. Nos últimos meses, outras operações semelhantes chamaram a atenção pelo alto valor envolvido:

  • Sinqia (agosto/2025): A empresa de tecnologia, responsável por conectar bancos e fintechs ao sistema do Banco Central, foi alvo de hackers que desviaram cerca de R$ 710 milhões via Pix.
  • C&M Software (junho/2025): Outro provedor de tecnologia sofreu um ataque que resultou em mais de R$ 800 milhões roubados, também por meio de transferências Pix.

Esses episódios reforçam que as instituições financeiras e seus parceiros tecnológicos estão sob ataque constante, com criminosos testando diferentes brechas para movimentar valores de forma ilegal.

Por que os criminosos migraram do Pix para o TED?

O Pix, desde sua criação em 2020, revolucionou os meios de pagamento no Brasil. Com movimentações instantâneas e disponíveis 24 horas, tornou-se alvo frequente de tentativas de fraude. No entanto, as constantes melhorias implementadas pelo Banco Central e pelas instituições financeiras vêm dificultando o sucesso dessas operações criminosas.

Com as barreiras mais rígidas, os golpistas passaram a explorar outros mecanismos. O TED, apesar de mais antigo e considerado seguro, apresenta lacunas em operações específicas, como no caso das transferências de “não clientes”, que podem ser menos monitoradas em alguns sistemas de segurança.

Impactos para o sistema financeiro

Os ataques recentes levantam uma série de preocupações:

  1. Confiança do público: embora clientes não tenham sido afetados diretamente no caso da Monetaire, golpes dessa magnitude podem gerar desconfiança no sistema como um todo.
  2. Perdas milionárias: mesmo restritos às instituições, os prejuízos fragilizam a solidez das empresas e podem impactar sua capacidade de operação.
  3. Pressão regulatória: o Banco Central e órgãos de fiscalização devem ser pressionados a reforçar normas de segurança digital, exigindo atualizações nos sistemas das instituições financeiras.

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O que dizem os especialistas

Especialistas em segurança digital afirmam que a criminalidade financeira no Brasil está cada vez mais sofisticada. Os hackers testam constantemente os limites dos sistemas, adaptando suas estratégias às barreiras criadas pelas instituições.

Medidas de prevenção

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Imagem: ViChizh / shutterstock.com

Para enfrentar a escalada dos golpes, as fintechs e bancos devem investir em estratégias como:

  • Monitoramento em tempo real de transações suspeitas;
  • Integração entre bancos e reguladores para compartilhamento rápido de informações;
  • Atualização constante de sistemas de autenticação e segurança;
  • Educação financeira para clientes, reforçando práticas seguras.

Além disso, cresce a pressão para que o Banco Central crie novas diretrizes específicas para TEDs de não clientes, já que essa modalidade vem sendo explorada por criminosos.

O caso da Monetaire é um alerta de que os golpes financeiros estão em constante evolução. Se antes o foco estava no Pix, agora o TED também se tornou alvo dos criminosos. Embora os clientes não tenham sido prejudicados, o desvio de milhões mostra que nenhum sistema está totalmente imune.

A combinação entre tecnologia de ponta, fiscalização regulatória e colaboração entre instituições será fundamental para evitar que episódios como esse se tornem rotina no sistema financeiro brasileiro.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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