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Spoofing: saiba como se proteger de golpes por telefone

Saiba o que é spoofing, como funciona essa técnica de golpes por telefone e quais medidas de segurança adotar para evitar fraudes.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Telefónica

Golpes por telefone têm se tornado cada vez mais sofisticados no Brasil, e uma das principais técnicas utilizadas pelos criminosos é o spoofing.

O método consiste em falsificar o número de origem de uma ligação, induzindo a vítima a acreditar que está recebendo contato de um banco, empresa ou até de um conhecido. Esse tipo de fraude tem crescido e preocupa especialistas em segurança digital, autoridades reguladoras e consumidores.

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O que é spoofing e como funciona

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Imagem: Freepik

O termo “spoofing” vem do inglês spoof, que significa enganar. Na prática, os criminosos utilizam softwares para alterar o número que aparece no visor do telefone. Assim, o recebedor visualiza uma sequência numérica diferente da verdadeira, que pode simular tanto números de instituições bancárias quanto de contatos pessoais.

Segundo o professor Igor Monteiro Moraes, da Universidade Federal Fluminense (UFF), os golpistas usam essa técnica com dois objetivos principais: dificultar a identificação da origem da ligação e aumentar a probabilidade de a vítima atender o telefonema.

Exemplos comuns de falsificação

  • Uso de prefixos semelhantes a bancos, como números iniciados por 4004, 94004 ou 44004, que remetem ao Banco do Brasil.
  • Ligação com DDD da mesma cidade da vítima, criando uma falsa proximidade.
  • Alteração de números da agenda da vítima, quando há acesso a dados pessoais, em tentativas de fraude mais sofisticadas.

A engenharia social por trás do golpe

Uma vez que a ligação é atendida, os criminosos aplicam técnicas de engenharia social, ou seja, estratégias de manipulação psicológica para convencer a vítima a fornecer informações ou realizar transações.

Estratégias usadas pelos golpistas

  • Urgência forçada: criam cenários de emergência para que a pessoa aja rapidamente.
  • Conversas rápidas: ligações curtas e diretas, para evitar que a vítima perceba inconsistências.
  • Saudações genéricas: muitas vezes sem citar o nome completo do receptor.
  • Uso de dados vazados: em alguns casos, mencionam nomes ou situações financeiras para dar credibilidade à fraude.

A advogada criminalista Ana Beatriz Krasovic explica que idosos e pessoas com dificuldades financeiras ou pouca familiaridade com tecnologia são os principais alvos. Ela destaca que o tempo reduzido das conversas é proposital: “A vítima não tem espaço para refletir e, diante da urgência, acaba caindo no golpe”.

O objetivo: dinheiro e dados pessoais

Os golpes de spoofing podem ter diferentes finalidades, mas em geral envolvem:

  • Fraudes financeiras: transferências indevidas, pagamentos falsos e ofertas de quitação de dívidas inexistentes.
  • Roubo de informações pessoais: coleta de dados como CPF, número de cartão de crédito e senhas.

Em alguns casos, os criminosos simulam contato de instituições financeiras para oferecer falsas vantagens, como descontos em empréstimos ou cartões de crédito pré-aprovados.

Como se proteger de golpes por spoofing

Especialistas reforçam que a melhor forma de proteção é desconfiar de ligações inesperadas e adotar medidas de segurança digital.

Recomendações práticas

  • Nunca forneça senhas, códigos ou autorize transações por telefone.
  • Não divulgue seu número em redes sociais ou formulários abertos.
  • Em caso de urgência ou ameaças, desligue e entre em contato diretamente com a instituição.
  • Prefira sempre o aplicativo oficial ou atendimento presencial em agências bancárias.

Recursos tecnológicos

A advogada Antonielle Freitas destaca ainda algumas medidas adicionais:

  • Ativar bloqueio por senha ou biometria no celular.
  • Manter sistemas e aplicativos atualizados.
  • Utilizar identificadores de chamadas confiáveis.
  • Verificar se a operadora oferece serviços de bloqueio de chamadas suspeitas.

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O que fazer se cair no golpe

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Imagem: TippaPatt / shutterstock.com

Se a vítima for enganada, especialistas orientam reunir o máximo de provas, como prints, gravações e registros de chamadas. É importante registrar boletim de ocorrência, comunicar imediatamente ao banco e, em casos de uso indevido de dados, acionar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Segundo Marina Fernandes, pesquisadora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), qualquer cidadão pode enviar uma petição à ANPD se perceber que suas informações foram tratadas de forma ilícita.

A resposta das autoridades

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem intensificado medidas para combater o spoofing. Em 2024, o Despacho Decisório nº 262 determinou que as operadoras de telefonia impeçam a comercialização de serviços que permitam alterar números de origem e bloqueiem tráfego irregular.

Além disso, a Resolução nº 777 tornou obrigatória a autenticação de chamadas, processo técnico que verifica a legitimidade do número exibido no visor do telefone. As prestadoras terão até três anos para implementar totalmente esse mecanismo.

Cooperação com instituições financeiras

A Anatel também trabalha em conjunto com bancos para identificar e bloquear números suspeitos, criando um canal de comunicação setorial que busca reduzir a incidência dos golpes.

Conclusão

O spoofing é uma prática que combina tecnologia e manipulação psicológica para enganar vítimas, resultando em perdas financeiras e exposição de dados pessoais. Apesar de medidas regulatórias em andamento, a principal defesa continua sendo a cautela do usuário.

Adotar boas práticas digitais, desconfiar de ligações inesperadas e buscar informações diretamente com as instituições são passos fundamentais para evitar cair nesse tipo de golpe que, infelizmente, segue em crescimento no Brasil.

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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