A preocupação com a renda na aposentadoria faz parte da realidade de grande parte da população brasileira. Uma pesquisa realizada pela Icatu Seguros em parceria com a agência Conversion revelou que 92% dos entrevistados acreditam que o benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não será suficiente para garantir estabilidade financeira no futuro.
O levantamento, intitulado “Conversão em Renda”, também identificou uma dificuldade importante: embora reconheçam a necessidade de se preparar, muitos brasileiros ainda não começaram a organizar as finanças para essa etapa da vida.
Segundo os resultados, 62% dos participantes não possuem plano de previdência privada, enquanto 95% afirmam não ter recursos suficientes para se aposentar com tranquilidade. Entre aqueles que ainda não estão preparados, 49% disseram que não começaram a se planejar ou estão apenas no início desse processo.
Os números mostram que a preocupação vai além do valor do benefício previdenciário. Manter o padrão de vida, pagar despesas essenciais e ter dinheiro disponível para imprevistos são questões que influenciam as decisões financeiras de quem se aproxima da aposentadoria.
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O benefício previdenciário representa uma fonte importante de renda para milhões de pessoas, mas o valor recebido pode não acompanhar todas as necessidades financeiras de cada família.
Despesas com moradia, alimentação, transporte, medicamentos e cuidados pessoais precisam ser consideradas no planejamento. Além disso, a renda necessária durante a aposentadoria varia conforme o estilo de vida, a existência de dependentes e a situação patrimonial do trabalhador.
O teto do INSS não é o valor recebido por todos os aposentados. O benefício depende das regras aplicáveis, do histórico contributivo e dos cálculos previdenciários. Por isso, é importante consultar as informações individuais antes de estimar quanto será recebido no futuro.
A pesquisa também identificou incerteza sobre o orçamento necessário nessa fase: 58% dos entrevistados têm apenas uma estimativa aproximada da renda mensal de que precisarão, e 14% não sabem calcular esse valor.
Sem essa referência, fica mais difícil estabelecer uma meta de poupança e avaliar se os recursos acumulados serão suficientes.
Como os brasileiros estão se preparando para a aposentadoria?
Investimentos conservadores lideram as escolhas
Entre os entrevistados que já começaram a poupar para o futuro, 61% apontaram investimentos de baixo risco, como CDBs e títulos do Tesouro Direto, como parte de suas estratégias. A caderneta de poupança foi mencionada por 40%, os imóveis por 34% e a previdência privada por 27%.
Os percentuais indicam que os participantes podem utilizar mais de uma alternativa para formar patrimônio. Cada modalidade tem características diferentes de rentabilidade, liquidez, tributação e risco.
O Tesouro Direto, por exemplo, oferece títulos públicos com diferentes prazos e formas de remuneração. O Tesouro RendA+, especificamente, foi desenvolvido para o planejamento de uma renda complementar durante 20 anos, a partir do período escolhido pelo investidor.
Já os CDBs são títulos emitidos por instituições financeiras e podem ter remuneração prefixada, pós-fixada ou híbrida. A poupança tem regras próprias de rendimento e liquidez, enquanto os imóveis podem gerar renda de aluguel, mas também envolvem custos de manutenção, impostos e períodos sem locatários.
A escolha deve considerar o prazo até a aposentadoria, a necessidade de acesso ao dinheiro e a capacidade de lidar com oscilações financeiras.
Previdência privada pode complementar o benefício
A previdência privada é uma alternativa para quem deseja acumular recursos ao longo dos anos e, posteriormente, utilizá-los como complemento da renda do INSS.
Existem modalidades como PGBL e VGBL, que possuem diferenças tributárias importantes. O PGBL pode permitir dedução das contribuições dentro dos limites legais para quem atende aos requisitos, enquanto o VGBL tem tratamento tributário diferente, especialmente em relação à base de cálculo do imposto no resgate.
Antes de contratar, é fundamental verificar taxas, regras de portabilidade, regime de tributação, condições de resgate e características dos fundos disponíveis. Previdência privada não significa rendimento garantido: o resultado depende do produto contratado e de suas condições.
Falta de reserva é um dos maiores medos
A pesquisa identificou que a principal preocupação financeira relacionada à aposentadoria é não ter dinheiro disponível para emergências, citada por 30% dos participantes.
Outros 24% temem que os recursos acabem antes do fim da vida, enquanto 23% receiam não acumular o suficiente para pagar as despesas cotidianas.
Esses resultados apontam para a importância de separar os objetivos financeiros. A reserva de emergência deve ser planejada para situações inesperadas, como gastos médicos, reparos na residência ou outras despesas urgentes. Já o dinheiro destinado à aposentadoria pode permanecer investido por períodos mais longos, conforme o produto escolhido.
Misturar os dois objetivos pode obrigar o trabalhador a vender investimentos de longo prazo em momentos desfavoráveis. Por isso, organizar o orçamento e formar uma reserva acessível são passos relevantes antes de assumir compromissos financeiros de longo prazo.
Mulheres e geração X enfrentam desafios maiores

O estudo também encontrou diferenças entre grupos da população. Entre as pessoas da geração X, com idades de 45 a 60 anos na classificação utilizada pela pesquisa, 70% afirmaram não se considerar financeiramente preparadas para a aposentadoria.
A proximidade do fim da vida profissional reduz o tempo disponível para acumular patrimônio, embora ainda seja possível organizar as finanças, rever despesas e definir estratégias compatíveis com a renda.
Entre as mulheres, 29% disseram que ainda não começaram a se preparar financeiramente, mais que o dobro dos 14% observados entre os homens. Diferenças de renda, interrupções na carreira e responsabilidades familiares podem influenciar a capacidade de poupança, embora o levantamento, isoladamente, não determine as causas dessa disparidade.
A pesquisa também identificou uma relação entre renda familiar e planejamento. Entre os participantes com renda de até R$ 1.000, 64,7% ainda não haviam começado a se preparar. Na faixa acima de R$ 28 mil, o percentual era de 3,2%.
O resultado evidencia que planejar a aposentadoria não depende apenas de informação: a capacidade de reservar dinheiro também está ligada às condições econômicas de cada família.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
