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Brasil: Apple autoriza lojas de apps de terceiros para atender exigência do Cade

Apple permitirá lojas de apps e pagamentos alternativos no iOS no Brasil após acordo com o Cade, encerrando disputa antitruste iniciada em 2022.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Apple

A Apple permitirá a operação de lojas de aplicativos alternativas em dispositivos com sistema iOS no Brasil, além de liberar métodos de pagamento de terceiros para compras dentro de aplicativos. A mudança faz parte de um acordo firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para encerrar uma investigação antitruste que se arrasta há cerca de três anos.

A decisão representa uma das maiores mudanças no ecossistema do iOS no país e pode alterar de forma significativa a dinâmica entre desenvolvedores, consumidores e a própria Apple. Embora a empresa afirme que as alterações trazem riscos à privacidade e à segurança dos usuários, o Cade entende que as medidas são necessárias para ampliar a concorrência e reduzir barreiras de entrada no mercado de aplicativos digitais.

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Cade aceita acordo proposto pela Apple

O Cade informou que formou maioria entre seus conselheiros para aceitar a proposta de acordo apresentada pela Apple. Com isso, o processo administrativo que analisava possíveis práticas anticompetitivas da empresa norte-americana entra em fase de resolução negociada.

O que motivou a investigação

A investigação teve início em 2022, após uma reclamação formal apresentada pelo Mercado Livre. A empresa alegou que a Apple impunha restrições excessivas à distribuição de produtos digitais e às compras realizadas dentro de aplicativos no iOS, limitando a concorrência e prejudicando desenvolvedores e consumidores.

Segundo o entendimento do Cade, a Apple utilizava sua posição dominante no sistema operacional iOS para restringir a atuação de terceiros, obrigando o uso exclusivo da App Store e do sistema de pagamento próprio da companhia.

Medidas preventivas adotadas em 2024

Em 2024, o Cade decidiu adotar medidas preventivas contra a Apple enquanto a investigação avançava. Essas medidas tinham como objetivo evitar danos irreversíveis ao mercado e garantir condições mínimas de concorrência até a conclusão do processo.

No início de 2025, o órgão técnico do Cade recomendou uma decisão desfavorável à Apple, o que aumentou a pressão para que a empresa buscasse um acordo.

O que muda no iOS no Brasil

O acordo firmado entre a Apple e o Cade prevê mudanças estruturais relevantes no funcionamento do iOS no Brasil. As novas regras alteram práticas históricas da empresa em relação à distribuição de aplicativos e ao processamento de pagamentos.

Lojas de aplicativos alternativas

Pela primeira vez, usuários de iPhone e iPad no Brasil poderão instalar aplicativos a partir de lojas que não sejam a App Store oficial da Apple. Essa mudança abre espaço para plataformas independentes, marketplaces digitais e até lojas mantidas por grandes desenvolvedores.

Impacto para desenvolvedores

Para desenvolvedores, a abertura do sistema pode significar maior autonomia na distribuição de seus aplicativos, além de redução de custos. Hoje, a Apple cobra comissões que podem chegar a 30% sobre compras realizadas dentro de aplicativos.

Com lojas alternativas, desenvolvedores poderão negociar taxas diferentes ou até operar sem intermediários, dependendo do modelo adotado.

Pagamentos de terceiros dentro de aplicativos

Outro ponto central do acordo é a liberação de métodos de pagamento de terceiros para compras realizadas dentro de aplicativos. Além disso, os desenvolvedores poderão incluir links externos que direcionem o usuário para sites próprios, onde as transações poderão ser concluídas fora do ecossistema da Apple.

Fim da exclusividade do sistema da Apple

Até agora, a Apple exigia que todas as compras digitais feitas dentro de aplicativos utilizassem seu sistema de pagamento, sobre o qual incidem taxas e regras rígidas. Com o novo acordo, essa exclusividade deixa de existir no Brasil.

Duração e prazos do acordo

O acordo entre a Apple e o Cade terá validade de três anos, contados a partir do momento em que os novos termos passarem a ser obrigatórios para os desenvolvedores de aplicativos.

Prazo para implementação das mudanças

A Apple terá 105 dias para implementar todas as alterações previstas no acordo. Esse prazo começa a contar após a formalização dos compromissos assumidos perante o Cade.

Durante esse período, a empresa deverá adaptar seu sistema operacional, revisar políticas internas e comunicar oficialmente os desenvolvedores sobre as novas possibilidades.

Multa em caso de descumprimento

Caso a Apple descumpra o acordo, poderá ser multada em até R$ 150 milhões. O Cade destacou que a penalidade tem caráter dissuasório e busca garantir que as mudanças sejam efetivamente implementadas.

Além disso, a Apple concordou em encerrar uma ação judicial que havia movido contra as medidas preventivas impostas pelo Cade em 2024.

Reação da Apple ao acordo

Em comunicado oficial, a Apple afirmou que cumprirá as exigências estabelecidas pelo Cade, mas alertou para possíveis riscos decorrentes das mudanças.

Preocupações com privacidade e segurança

Segundo a empresa, a abertura do iOS para lojas alternativas e pagamentos de terceiros pode expor os usuários a maiores riscos de fraudes, golpes e violações de dados pessoais.

A Apple sustenta que seu modelo fechado sempre teve como foco principal a proteção do usuário, argumento frequentemente utilizado pela companhia em disputas regulatórias ao redor do mundo.

Debate sobre controle versus concorrência

Especialistas avaliam que o posicionamento da Apple reflete um embate mais amplo entre controle de plataforma e promoção da concorrência. Enquanto reguladores defendem mercados mais abertos, empresas de tecnologia argumentam que restrições são necessárias para garantir qualidade e segurança.

Posição do Mercado Livre

O Mercado Livre, responsável pela reclamação que deu origem à investigação, reconheceu os esforços do Cade, mas avaliou que o acordo atende apenas parcialmente às necessidades do mercado.

Críticas ao alcance das medidas

Em nota, a empresa afirmou que, embora as mudanças representem um avanço, ainda há espaço para regras mais equilibradas que promovam concorrência plena entre plataformas digitais.

O posicionamento indica que o debate sobre práticas concorrenciais no mercado de aplicativos deve continuar mesmo após a entrada em vigor do acordo.

Impactos para consumidores brasileiros

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A abertura do iOS pode trazer efeitos diretos para os consumidores brasileiros, tanto positivos quanto desafiadores.

Mais opções e preços potencialmente menores

Com mais lojas e métodos de pagamento disponíveis, os usuários podem ter acesso a aplicativos mais baratos, promoções exclusivas e maior diversidade de serviços digitais.

A concorrência tende a pressionar preços e reduzir taxas repassadas ao consumidor final.

Atenção redobrada à segurança

Por outro lado, especialistas recomendam cautela ao instalar aplicativos fora da App Store oficial. Será fundamental verificar a reputação das lojas alternativas e compreender os riscos envolvidos.

O Brasil no contexto global

A decisão do Cade coloca o Brasil em linha com movimentos regulatórios observados em outros mercados importantes.

Paralelo com a União Europeia

Na União Europeia, legislações como o Digital Markets Act obrigaram a Apple a permitir lojas alternativas e mudanças em seu sistema de pagamentos. O acordo brasileiro segue uma lógica semelhante, ainda que adaptada ao contexto local.

Tendência de maior regulação das big techs

O caso reforça uma tendência global de maior fiscalização sobre grandes empresas de tecnologia, especialmente no que diz respeito ao uso de poder de mercado e práticas potencialmente anticompetitivas.

O que esperar nos próximos meses

Nos próximos meses, desenvolvedores e consumidores acompanharão de perto a implementação das mudanças prometidas pela Apple.

Adaptação do mercado

Empresas de tecnologia, startups e grandes players devem se movimentar rapidamente para explorar as novas possibilidades abertas pelo acordo. Novas lojas de aplicativos podem surgir, e modelos de negócios alternativos devem ganhar espaço.

Monitoramento do Cade

O Cade continuará monitorando o cumprimento do acordo durante seus três anos de vigência. Caso identifique irregularidades, o órgão poderá aplicar sanções adicionais.

Conclusão

O acordo entre a Apple e o Cade marca um ponto de inflexão no mercado de aplicativos no Brasil. Ao permitir lojas alternativas e pagamentos de terceiros no iOS, a empresa dá um passo significativo em direção a um ambiente mais competitivo, ainda que sob críticas e ressalvas quanto à segurança.

A medida atende a uma demanda antiga de desenvolvedores e reguladores, ao mesmo tempo em que impõe novos desafios para consumidores e para a própria Apple. O desfecho do caso reforça o papel do Cade na regulação de mercados digitais e sinaliza que grandes plataformas não estão imunes à legislação concorrencial brasileira.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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