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Arroz e feijão ficam mais baratos, mas perdem espaço na alimentação, diz estudo

Apesar da queda nos preços do arroz e feijão em 2025, estudo da Scanntech revela que a combinação tradicional perde espaço nas refeições.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Preço do feijão em joão pessoa registra a maior alta entre alimentos da cesta básica arroz

O tradicional arroz com feijão, base da alimentação brasileira, apresenta uma paradoxal situação no primeiro semestre de 2025: embora seus preços tenham registrado quedas significativas, o consumo desses alimentos está diminuindo. A análise é do levantamento realizado pela Scanntech, empresa especializada em estudos de mercado, que mostra uma mudança nos hábitos alimentares do brasileiro.

Queda no consumo de arroz e feijão apesar da redução de preço

arroz Notas de 100 e 50 reais ao lado de sacos de feijão e arroz
Imagem: Adao / shutterstock.com

Leia mais: Arroz e feijão em baixa: entenda por que os preços caem há tanto tempo

ProdutoVariação no consumoVariação no preço
Arroz-4,7%-14,2%
Feijão-4,2%-17,5%
Leite UHT+ aumento no consumo+8,5%
Massa alimentíciaRedução no consumo– (não detalhado)
CaféRedução no consumo– (não detalhado)
ÓleoRedução no consumo– (não detalhado)
SalRedução no consumo– (não detalhado)

Fonte: Scanntech (2025)

Análise do cenário econômico e social

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), reforça essa tendência ao mostrar que, em 12 meses até junho de 2025, o preço do arroz caiu 16,77%. Já o feijão apresentou variações mais heterogêneas: o feijão ‘mulatinho’ subiu 3,44%, enquanto o ‘preto’ aumentou 21,37%.

Principais fatores que influenciam a mudança nos hábitos alimentares

Alterações demográficas: famílias menores e urbanização

A transformação no perfil demográfico brasileiro tem impacto direto no padrão alimentar. O aumento da urbanização, aliado à redução do tamanho das famílias, tem levado à diminuição do preparo de alimentos que demandam maior tempo e quantidade, como o arroz e feijão. Em residências com poucas pessoas, a preparação de refeições tradicionais pode ser vista como mais trabalhosa, além do desafio do armazenamento.

Mudanças no estilo de vida e disponibilidade de tempo

O ritmo acelerado da vida urbana também contribui para a preferência por alimentos que demandam menos tempo de preparo, como refeições prontas ou semi-prontas. Isso afeta diretamente o consumo dos alimentos tradicionais que exigem preparo mais elaborado, reforçando o deslocamento gradual da base alimentar histórica.

Influência de dietas e tendências alimentares

O aumento de dietas específicas — como low carb, vegetarianismo e veganismo — e a busca por alimentos considerados mais práticos e rápidos também influenciam a redução do consumo de arroz e feijão. Essas mudanças refletem um movimento global e local em direção a diferentes escolhas nutricionais.

Impactos econômicos

Apesar da redução do preço do arroz e feijão, a renda disponível e o orçamento familiar seguem pressionados pela inflação em outros setores, reduzindo o poder de compra geral das famílias. A alta em produtos como o leite pode direcionar o consumo para alternativas que substituem parte das refeições tradicionais, alterando o padrão de compra e consumo.

Transformação da identidade alimentar brasileira

A combinação de fatores socioeconômicos, culturais e demográficos mostra que a identidade alimentar do brasileiro está em transformação. O arroz e feijão, que há décadas são símbolos da alimentação nacional, enfrentam uma perda gradual, mas consistente, de espaço nas refeições do cotidiano.

Considerações sobre a urbanização

Com a população cada vez mais concentrada em grandes centros urbanos, há uma maior exposição a estilos de vida que privilegiam a praticidade e o consumo fora do lar, incluindo a alimentação em restaurantes, delivery e alimentos industrializados.

Impacto no mercado de alimentos

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Para os produtores e comerciantes, essa mudança no perfil de consumo demanda ajustes na oferta e na comercialização. A redução no consumo de arroz e feijão pode influenciar desde a produção agrícola até a indústria de alimentos, abrindo espaço para novos produtos e formatos que atendam aos novos hábitos do consumidor.

Produtos que ganham destaque no consumo

Com o recuo do arroz e feijão, alguns produtos se destacam em aumento de consumo, como o leite UHT, cuja praticidade e valor nutricional o tornam um item constante na dieta das famílias, mesmo com aumento de preço. Outros itens, como massas alimentícias, café, óleo e sal, também apresentam variações que refletem as mudanças nos hábitos alimentares.

Perspectivas para o futuro do arroz e feijão na dieta brasileira

Anvisa retira lote de arroz contaminado das prateleiras.
Imagem: Suwan Wanawattanawong / shutterstock.com

Especialistas apontam que, apesar da perda de espaço, o arroz e feijão continuam presentes na mesa de grande parte da população, sobretudo em regiões fora dos grandes centros urbanos e em faixas etárias mais tradicionais. A mudança não deve ser vista como eliminação, mas sim como uma adaptação do consumo diante de novas realidades.

FAQ — Perguntas frequentes

Quais alimentos estão ganhando espaço?
Produtos como leite UHT, massas alimentícias, refeições rápidas e industrializadas têm ganhado maior participação na dieta dos brasileiros.

A queda no consumo é um fenômeno nacional?
Sim, mas com diferenças regionais. Regiões metropolitanas e centros urbanos apresentam maior queda, enquanto áreas rurais e com populações mais tradicionais mantêm consumo mais estável.

Considerações finais

O estudo realizado pela Scanntech e corroborado por dados do IBGE indica que o arroz e feijão, pilares da alimentação brasileira, estão mais acessíveis financeiramente, porém sofrem retração em consumo devido a mudanças demográficas, econômicas e culturais. Essa transição sinaliza uma transformação na identidade alimentar nacional, com a necessidade de acompanhar o mercado para entender e atender às novas demandas dos consumidores.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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