O tradicional arroz com feijão, base da alimentação brasileira, apresenta uma paradoxal situação no primeiro semestre de 2025: embora seus preços tenham registrado quedas significativas, o consumo desses alimentos está diminuindo. A análise é do levantamento realizado pela Scanntech, empresa especializada em estudos de mercado, que mostra uma mudança nos hábitos alimentares do brasileiro.
Queda no consumo de arroz e feijão apesar da redução de preço

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| Produto | Variação no consumo | Variação no preço |
|---|---|---|
| Arroz | -4,7% | -14,2% |
| Feijão | -4,2% | -17,5% |
| Leite UHT | + aumento no consumo | +8,5% |
| Massa alimentícia | Redução no consumo | – (não detalhado) |
| Café | Redução no consumo | – (não detalhado) |
| Óleo | Redução no consumo | – (não detalhado) |
| Sal | Redução no consumo | – (não detalhado) |
Fonte: Scanntech (2025)
Análise do cenário econômico e social
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), reforça essa tendência ao mostrar que, em 12 meses até junho de 2025, o preço do arroz caiu 16,77%. Já o feijão apresentou variações mais heterogêneas: o feijão ‘mulatinho’ subiu 3,44%, enquanto o ‘preto’ aumentou 21,37%.
Principais fatores que influenciam a mudança nos hábitos alimentares
Alterações demográficas: famílias menores e urbanização
A transformação no perfil demográfico brasileiro tem impacto direto no padrão alimentar. O aumento da urbanização, aliado à redução do tamanho das famílias, tem levado à diminuição do preparo de alimentos que demandam maior tempo e quantidade, como o arroz e feijão. Em residências com poucas pessoas, a preparação de refeições tradicionais pode ser vista como mais trabalhosa, além do desafio do armazenamento.
Mudanças no estilo de vida e disponibilidade de tempo
O ritmo acelerado da vida urbana também contribui para a preferência por alimentos que demandam menos tempo de preparo, como refeições prontas ou semi-prontas. Isso afeta diretamente o consumo dos alimentos tradicionais que exigem preparo mais elaborado, reforçando o deslocamento gradual da base alimentar histórica.
Influência de dietas e tendências alimentares
O aumento de dietas específicas — como low carb, vegetarianismo e veganismo — e a busca por alimentos considerados mais práticos e rápidos também influenciam a redução do consumo de arroz e feijão. Essas mudanças refletem um movimento global e local em direção a diferentes escolhas nutricionais.
Impactos econômicos
Apesar da redução do preço do arroz e feijão, a renda disponível e o orçamento familiar seguem pressionados pela inflação em outros setores, reduzindo o poder de compra geral das famílias. A alta em produtos como o leite pode direcionar o consumo para alternativas que substituem parte das refeições tradicionais, alterando o padrão de compra e consumo.
Transformação da identidade alimentar brasileira
A combinação de fatores socioeconômicos, culturais e demográficos mostra que a identidade alimentar do brasileiro está em transformação. O arroz e feijão, que há décadas são símbolos da alimentação nacional, enfrentam uma perda gradual, mas consistente, de espaço nas refeições do cotidiano.
Considerações sobre a urbanização
Com a população cada vez mais concentrada em grandes centros urbanos, há uma maior exposição a estilos de vida que privilegiam a praticidade e o consumo fora do lar, incluindo a alimentação em restaurantes, delivery e alimentos industrializados.
Impacto no mercado de alimentos
Para os produtores e comerciantes, essa mudança no perfil de consumo demanda ajustes na oferta e na comercialização. A redução no consumo de arroz e feijão pode influenciar desde a produção agrícola até a indústria de alimentos, abrindo espaço para novos produtos e formatos que atendam aos novos hábitos do consumidor.
Produtos que ganham destaque no consumo
Com o recuo do arroz e feijão, alguns produtos se destacam em aumento de consumo, como o leite UHT, cuja praticidade e valor nutricional o tornam um item constante na dieta das famílias, mesmo com aumento de preço. Outros itens, como massas alimentícias, café, óleo e sal, também apresentam variações que refletem as mudanças nos hábitos alimentares.
Perspectivas para o futuro do arroz e feijão na dieta brasileira

Especialistas apontam que, apesar da perda de espaço, o arroz e feijão continuam presentes na mesa de grande parte da população, sobretudo em regiões fora dos grandes centros urbanos e em faixas etárias mais tradicionais. A mudança não deve ser vista como eliminação, mas sim como uma adaptação do consumo diante de novas realidades.
FAQ — Perguntas frequentes
Quais alimentos estão ganhando espaço?
Produtos como leite UHT, massas alimentícias, refeições rápidas e industrializadas têm ganhado maior participação na dieta dos brasileiros.
A queda no consumo é um fenômeno nacional?
Sim, mas com diferenças regionais. Regiões metropolitanas e centros urbanos apresentam maior queda, enquanto áreas rurais e com populações mais tradicionais mantêm consumo mais estável.
Considerações finais
O estudo realizado pela Scanntech e corroborado por dados do IBGE indica que o arroz e feijão, pilares da alimentação brasileira, estão mais acessíveis financeiramente, porém sofrem retração em consumo devido a mudanças demográficas, econômicas e culturais. Essa transição sinaliza uma transformação na identidade alimentar nacional, com a necessidade de acompanhar o mercado para entender e atender às novas demandas dos consumidores.

