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Cury cresce 10 pontos entre eleitores de 25 a 34 anos e chega a 14% no Datafolha

O cenário da eleição presidencial de 2026 ganhou um novo elemento com o avanço de Augusto Cury (Avante) em segmentos específicos do eleitorado. Terceiro colocado na pesquisa Datafolha divulgada em setembro, o escritor e psiquiatra passou a apresentar desempenho mais expressivo principalmente entre os eleitores mais jovens e aqueles com maior escolaridade. No cenário nacional […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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O cenário da eleição presidencial de 2026 ganhou um novo elemento com o avanço de Augusto Cury (Avante) em segmentos específicos do eleitorado. Terceiro colocado na pesquisa Datafolha divulgada em setembro, o escritor e psiquiatra passou a apresentar desempenho mais expressivo principalmente entre os eleitores mais jovens e aqueles com maior escolaridade.

No cenário nacional de primeiro turno, Cury chegou a 8% das intenções de voto, seis pontos acima da rodada anterior. O crescimento o consolidou na terceira posição, embora ainda distante de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 38%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.

A pesquisa foi realizada pelo Datafolha nos dias 1º e 2 de setembro, com 2.002 eleitores em 125 municípios. A margem de erro para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03669/2026.

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Jovens estão entre os grupos que mais impulsionaram Cury

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Crédito: Renato Pizzutto/Band

O recorte por idade é um dos principais destaques do levantamento. Entre eleitores de 16 a 24 anos, Cury alcançou 10% das intenções de voto, ante 0% na pesquisa anterior.

Já entre aqueles com 25 a 34 anos, o crescimento foi ainda mais significativo: o candidato passou de 4% para 14%.

A diferença entre os dois movimentos é importante. No grupo de 16 a 24 anos, a variação está dentro da margem de erro específica da amostra. Já entre os eleitores de 25 a 34 anos, o salto foi considerado mais expressivo e indica uma mudança relevante na preferência desse segmento.

O desempenho também ajuda a explicar por que Cury passou a chamar mais atenção na corrida eleitoral. A pesquisa nacional mostra que seu eleitorado não está distribuído de maneira uniforme, mas concentrado em determinados grupos.

Ensino superior também aparece como ponto forte

A escolaridade é outro recorte no qual Cury apresentou forte crescimento.

Entre os eleitores com ensino superior completo, o candidato avançou de 4% para 14% em duas semanas. No mesmo grupo, Lula recuou de 45% para 37%, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 42% para 51%.

Entre os eleitores que concluíram o ensino médio, Cury passou de 1% para 8%.

O candidato também avançou entre eleitores que se identificam como pardos, saindo de 1% para 8% nesse segmento.

Cury se distancia dos dois principais candidatos?

Apesar do crescimento, os números não indicam que Cury tenha se aproximado dos líderes em termos nacionais.

Lula aparece com 38%, Flávio Bolsonaro com 33% e Cury com 8%. A diferença entre o terceiro colocado e o segundo ainda é de 25 pontos percentuais.

O que mudou foi a dimensão do crescimento. Em poucas semanas, Cury deixou de aparecer com apenas 2% e passou a registrar uma pontuação suficiente para se consolidar como o principal nome alternativo aos dois líderes.

O resultado também precisa ser interpretado com cautela porque uma parcela importante dos eleitores ainda pode mudar de opinião até outubro. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Cury passou de 1% para 5%, enquanto os indecisos caíram de 32% para 26%.

Polarização abre espaço para uma terceira candidatura

Uma característica importante do eleitorado de Cury aparece entre aqueles que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.

Nesse grupo, o candidato chegou a 18%, segundo o recorte do Datafolha. A pesquisa anterior apontava 4%.

O resultado sugere que parte do crescimento pode estar relacionada à busca por uma alternativa à polarização entre os dois principais campos políticos. Analistas ouvidos pela imprensa também associaram a ascensão do candidato a esse movimento de insatisfação com os nomes que dominam a disputa.

A rejeição relativamente baixa também é um elemento relevante. Cury aparece com rejeição de 9% no levantamento, índice inferior ao registrado pelos dois principais concorrentes.

Isso, porém, não significa automaticamente que o candidato tenha condições de chegar ao segundo turno. Para isso, precisaria ampliar sua presença em outros grupos do eleitorado e transformar o crescimento recente em tendência consistente.

Redes sociais ajudam a explicar a ascensão

O crescimento de Cury também ocorre em paralelo a uma forte expansão de sua presença digital.

Segundo levantamento da Folha, o candidato ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em duas semanas, movimento considerado incomum no período. O fenômeno gerou questionamentos entre adversários, enquanto Cury afirma que o crescimento é espontâneo.

A presença nas redes pode ter importância especial para alcançar eleitores jovens, justamente um dos grupos em que o candidato apresenta desempenho mais forte.

Ainda assim, seguidores e intenções de voto não são indicadores equivalentes. O desafio para a campanha é transformar visibilidade digital em apoio eleitoral efetivo e sustentado.

Lula e Flávio Bolsonaro continuam na frente

Apesar da ascensão de Cury, a disputa principal permanece concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno do Datafolha, Lula tem 38%, contra 33% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o presidente aparece com 46%, enquanto o senador registra 44%, resultado dentro da margem de erro.

A fotografia da corrida eleitoral, portanto, mostra dois fenômenos simultâneos: a manutenção da polarização na liderança e o surgimento de uma candidatura alternativa com crescimento acelerado.

Pesquisas divulgadas posteriormente reforçam que a disputa segue aberta. Na pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro, Lula e Flávio aparecem empatados numericamente em 41% no segundo turno.

O que o crescimento de Cury significa para a eleição?

Eleições 2024
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock.com

O avanço de Augusto Cury altera principalmente a disputa pelo eleitor que ainda não está totalmente alinhado aos dois principais polos políticos.

Para chegar ao segundo turno, porém, o candidato precisaria manter o crescimento, ampliar sua votação fora dos grupos nos quais já apresenta desempenho acima da média e consolidar uma estrutura de campanha capaz de alcançar uma parcela maior do eleitorado.

O Datafolha mostra que existe espaço para uma terceira candidatura na eleição de 2026, mas ainda não permite afirmar que Cury esteja próximo de romper a polarização.

Com pouco mais de um mês até o primeiro turno, novas pesquisas serão importantes para determinar se o salto de 2% para 8% representa apenas uma onda momentânea ou o início de uma mudança mais profunda no comportamento do eleitorado.

Foto: MARINA UEZIMA / BRAZIL PHOTO PRESS /

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