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Intestino fértil? Descoberta de bactéria abre nova esperança para quem quer engravidar

Descubra como bactérias intestinais podem combater toxinas e ajudar na fertilidade. Leia agora e entenda essa revolução!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Mãos segurando pequenos sapatinhos de bebê próximo de uma barriga de gestante

Pesquisadores do Reino Unido descobriram um novo e promissor papel das bactérias intestinais na luta contra a infertilidade.

Um estudo publicado na conceituada revista Nature Microbiology revelou que microrganismos do intestino são capazes de absorver e eliminar compostos tóxicos conhecidos como PFAS — sigla para substâncias per e polifluoroalquil, também chamadas de “químicos eternos” por sua alta resistência à degradação.

Esses compostos são amplamente utilizados em produtos de uso diário, como panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e embalagens, e vêm sendo associados a uma série de problemas de saúde, incluindo câncer, doenças cardíacas e, principalmente, a queda da fertilidade.

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O que são os PFAS e por que eles preocupam?

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Imagem: wirestock – freepik

Substâncias invisíveis, mas perigosas

Os PFAS são substâncias sintéticas desenvolvidas na década de 1940 e acumuladas no ambiente e no corpo humano ao longo das décadas. Eles não se decompõem facilmente e, por isso, continuam circulando no organismo por anos.

Estudos anteriores já haviam ligado os PFAS à diminuição da contagem de espermatozoides, irregularidades menstruais e redução das taxas de gravidez. Com presença confirmada até mesmo na água potável, esses compostos se tornaram um dos focos da comunidade científica global.

Como os PFAS afetam a fertilidade?

A exposição prolongada aos PFAS tem efeito direto sobre o sistema reprodutivo. Em mulheres, pode causar desequilíbrios hormonais, comprometendo a ovulação e o ciclo menstrual. Em homens, pode prejudicar a qualidade do sêmen.

Além disso, os PFAS interferem na produção de hormônios essenciais à reprodução e no desenvolvimento fetal, tornando-os uma ameaça não apenas à fertilidade, mas também à saúde de futuras gerações.

Descoberta: intestino como escudo contra os PFAS

Ação das bactérias no intestino

Os pesquisadores britânicos observaram, em testes com camundongos, que certas bactérias intestinais são capazes de absorver e eliminar de 25% a 74% dos PFAS ingeridos. Esse dado é relevante, já que indica que o microbioma intestinal pode ter um papel-chave na desintoxicação do organismo humano.

Ainda que os testes em humanos não tenham sido concluídos, os dados sugerem que o equilíbrio da flora intestinal pode ser decisivo para reduzir a carga tóxica desses compostos no corpo.

Microrganismos como detox natural

O conceito não é novo. Sabe-se há décadas que o microbioma intestinal — o conjunto de trilhões de bactérias que habitam o intestino — desempenha funções essenciais para a digestão, metabolismo, imunidade e até mesmo saúde mental.

Agora, com essa nova descoberta, abre-se mais uma frente de pesquisa: o uso de bactérias intestinais como uma forma de proteção natural contra poluentes ambientais que afetam a fertilidade.

Papel central do microbioma intestinal

Mais que digestão: um órgão invisível

Chamado por alguns cientistas de “órgão esquecido”, o microbioma é fundamental para a saúde global. Um microbioma equilibrado favorece a absorção de nutrientes, regula a inflamação e atua como uma barreira protetora contra agentes tóxicos e patógenos.

Desequilíbrios na microbiota, também conhecidos como disbiose, estão ligados a uma série de problemas: obesidade, diabetes, doenças autoimunes, depressão e, agora, possivelmente, à infertilidade.

Microbiota e reprodução: conexões evidentes

Pesquisas anteriores já indicavam que mulheres com microbiomas intestinais mais diversos e equilibrados apresentavam taxas maiores de sucesso em tratamentos de fertilidade, como a fertilização in vitro (FIV). O novo estudo fortalece essa correlação ao apontar uma função detox dessas bactérias sobre os PFAS.

Caminhos terapêuticos: como usar essa descoberta?

Probióticos como estratégia futura

Os cientistas envolvidos no estudo agora buscam desenvolver probióticos específicos com capacidade aumentada de sequestrar e eliminar PFAS.

Esses suplementos poderiam ser utilizados como complemento alimentar em pessoas expostas a altos níveis desses compostos ou em mulheres com dificuldade para engravidar.

Ainda que esses produtos estejam em fase inicial de desenvolvimento, o potencial terapêutico é considerado promissor.

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Alimentação rica em fibras como aliada

Outra abordagem investigada é o aumento da ingestão de fibras. As fibras alimentares podem formar um gel no intestino que impede a reabsorção dos PFAS, facilitando sua eliminação pelas fezes.

Estudos recentes mostram que dietas com alto teor de fibras estão associadas a concentrações mais baixas de PFAS no sangue. Assim, incluir frutas, vegetais, grãos integrais e leguminosas pode ser uma medida eficaz, acessível e preventiva.

Eliminação ambiental e política pública

Paralelamente às soluções individuais, especialistas alertam para a urgência de políticas públicas que restrinjam o uso de PFAS na indústria. Alguns países já começaram a banir certos compostos da família dos PFAS, mas sua presença continua disseminada no ambiente.

A ação do microbioma é promissora, mas não deve ser vista como substituta da regulação ambiental. A solução precisa ser ampla e coordenada entre ciência, saúde e políticas governamentais.

O que fazer agora: cuidados práticos

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Imagem: leh556 – freepik

Passos para reduzir os PFAS e melhorar a microbiota

Enquanto os avanços científicos não se consolidam em tratamentos prontos, é possível adotar medidas para proteger sua saúde intestinal e, por consequência, sua fertilidade:

  • Evite produtos com PFAS: confira rótulos de cosméticos, panelas e tecidos.
  • Prefira alimentos orgânicos: reduzem a exposição a agrotóxicos e contaminantes.
  • Consuma alimentos fermentados: iogurte, kefir, chucrute e kombucha promovem a diversidade da flora intestinal.
  • Aumente o consumo de fibras: aveia, feijão, brócolis e linhaça são boas opções.
  • Evite uso indiscriminado de antibióticos: eles desequilibram a microbiota.
  • Busque acompanhamento médico em casos de infertilidade: o diagnóstico precoce é essencial.

Considerações finais

A conexão entre saúde intestinal e fertilidade está se tornando cada vez mais evidente. A descoberta da capacidade das bactérias intestinais de absorver substâncias tóxicas como os PFAS representa um avanço significativo na compreensão dos fatores que impactam a fertilidade humana.

Embora sejam necessários mais estudos para validar esses resultados em humanos e desenvolver terapias específicas, a pesquisa com as bactérias oferece uma nova esperança para casais que enfrentam dificuldades para engravidar.

Fortalecer a saúde intestinal, seja por meio da alimentação ou do uso de probióticos, pode ser um passo essencial não apenas para a fertilidade, mas para uma saúde plena e sustentável.

Imagem: Alexey Fursov / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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