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Pix terá novas medidas de segurança e regras mais rígidas contra fraudes bancárias

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
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A partir de 26 de outubro de 2026, uma atualização nas regras do Pix aprimora a comunicação entre bancos durante a investigação de transferências suspeitas. A mudança está relacionada ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite tentar recuperar valores enviados em situações de fraude, e busca tornar o rastreamento do dinheiro mais eficiente.

A medida não altera a forma de fazer pagamentos ou transferências. Para os clientes, o principal benefício esperado é o aperfeiçoamento dos procedimentos utilizados pelas instituições financeiras para identificar o caminho percorrido pelos recursos e avaliar a possibilidade de devolução.

A atualização também não significa que toda vítima de golpe receberá o dinheiro de volta. A recuperação depende da análise do caso e da existência de valores disponíveis nas contas envolvidas.

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O que muda nas regras do Pix a partir de 26 de outubro?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A alteração aprimora a identificação das transações suspeitas durante o processo de recuperação de valores. A partir da nova etapa, as notificações de infração enviadas entre as instituições financeiras passam a informar em qual nível do rastreamento está a movimentação analisada.

Na prática, essa informação ajuda os bancos a entender se o dinheiro investigado está na conta que recebeu a transferência original ou se já passou por outras contas. O detalhamento pode facilitar a análise de operações suspeitas e contribuir para decisões mais precisas sobre o bloqueio dos recursos.

A mudança faz parte dos procedimentos técnicos relacionados ao funcionamento do Pix. As alterações específicas previstas para 26 de outubro complementam medidas implementadas anteriormente pelo Banco Central.

Como funciona o Mecanismo Especial de Devolução do Pix?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um recurso criado pelo Banco Central para ajudar vítimas de golpes, fraudes e outros crimes envolvendo transferências pelo Pix a recuperar o dinheiro.

Quando o cliente comunica uma suspeita de fraude, o banco analisa o relato e, se a situação atender aos critérios do mecanismo, inicia os procedimentos para localizar e bloquear valores relacionados à ocorrência. As instituições envolvidas verificam os indícios apresentados e avaliam se a devolução é cabível.

Com o aprimoramento do MED 2.0, o sistema também permite rastrear transferências posteriores, ampliando a possibilidade de localizar recursos que foram movimentados entre diferentes contas. O modelo está em operação desde maio de 2026, enquanto a atualização de outubro aperfeiçoa a comunicação entre os participantes.

O dinheiro pode ser recuperado mesmo depois de passar por outras contas?

Sim. O rastreamento ampliado permite identificar possíveis caminhos percorridos pelo dinheiro após a transferência original, o que pode ajudar na localização de recursos em contas subsequentes.

Por exemplo, uma vítima pode transferir R$ 1.000 para uma conta utilizada em um golpe. Se o dinheiro for enviado depois para outras contas, o mecanismo poderá auxiliar na identificação dessas movimentações e na tentativa de bloquear os valores disponíveis.

Isso não significa que o sistema consiga recuperar automaticamente qualquer quantia desviada. Se o dinheiro tiver sido sacado, gasto ou transferido para contas sem saldo disponível, a recuperação poderá ser parcial ou inviável.

Quem será afetado pela atualização?

A mudança operacional envolve as instituições financeiras e os demais participantes responsáveis pelo processamento das informações relacionadas ao Pix. São esses agentes que precisam adequar seus procedimentos para utilizar os dados adicionais durante a análise das notificações de infração.

Para os consumidores, não há alteração na rotina de pagamentos. O Pix continua funcionando normalmente, sem necessidade de atualizar o aplicativo bancário, cadastrar novas informações ou habilitar uma função específica.

A novidade também não representa uma garantia adicional de ressarcimento. O benefício esperado está na melhoria do processo de investigação e rastreamento, que pode aumentar as possibilidades de localizar recursos relacionados a fraudes.

Como pedir a devolução de um Pix enviado em um golpe?

Quem identificar uma transferência relacionada a um golpe deve procurar a instituição financeira utilizada para realizar o pagamento o mais rapidamente possível. O pedido pode ser iniciado pelo aplicativo do banco, que deve disponibilizar um canal para contestação por meio do MED.

O prazo para solicitar a devolução em casos de fraude, golpe ou crime é de até 80 dias após a transação. Mesmo assim, não é recomendável esperar até o limite, pois a rapidez pode aumentar as chances de encontrar dinheiro disponível para bloqueio.

Para facilitar a análise, o consumidor deve reunir:

  • Comprovante da transferência realizada;
  • Data, horário e valor do Pix;
  • Dados disponíveis da conta que recebeu o dinheiro;
  • Conversas, mensagens, anúncios ou outros registros relacionados ao golpe;
  • Boletim de ocorrência, quando registrado.

Após a comunicação, as instituições avaliam a ocorrência e verificam a existência de indícios de fraude. Se o pedido for aceito, os recursos disponíveis poderão ser bloqueados e devolvidos conforme as regras do mecanismo.

Em quanto tempo o banco devolve o dinheiro?

O prazo depende da análise e da conclusão do procedimento. A análise da ocorrência pode levar até sete dias. Quando a fraude é confirmada, a devolução pode ocorrer em até 96 horas após o encerramento dessa análise, desde que existam recursos disponíveis.

Se houver saldo insuficiente, a devolução poderá ser parcial. No modelo de recuperação ampliada, podem ocorrer novos bloqueios e devoluções à medida que recursos forem identificados, respeitados os limites e os prazos aplicáveis ao procedimento.

Em quais situações o MED não pode ser utilizado?

O mecanismo é destinado a situações de fraude, golpe ou crime, além de determinadas falhas operacionais das instituições financeiras. Ele não funciona como uma ferramenta geral para cancelar qualquer transferência realizada pelo usuário.

Entre as situações em que o MED não se aplica estão:

  • Pix enviado por engano: quando o pagador digita uma chave incorreta ou transfere dinheiro para a pessoa errada por erro próprio;
  • Desacordo comercial: quando existe uma divergência legítima entre comprador e vendedor sobre um produto ou serviço;
  • Transferência para terceiro de boa-fé: quando o dinheiro chega a uma pessoa que não participou da fraude.

Nessas situações, o consumidor pode buscar outras formas de resolver o problema, conforme as circunstâncias. No caso de um Pix enviado por engano, por exemplo, o caminho é entrar em contato com o recebedor ou com o banco para tentar solucionar a ocorrência.

O que fazer para aumentar as chances de recuperar o dinheiro?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A principal orientação é comunicar a fraude imediatamente à instituição financeira e apresentar o máximo possível de informações que ajudem a identificar a transação e os envolvidos.

Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar os comprovantes e as conversas relacionadas ao caso. Se a solicitação não for resolvida, o consumidor poderá procurar o Procon, registrar uma reclamação no Banco Central ou avaliar outras medidas administrativas e judiciais.

A atualização de outubro reforça os procedimentos usados pelos bancos para investigar movimentações suspeitas, mas não elimina todos os riscos de fraude. Por isso, conferir os dados do destinatário antes de confirmar um Pix e desconfiar de pedidos urgentes de transferência continuam sendo medidas importantes de prevenção.

Conclusão

A atualização das regras do Pix reforça as medidas de combate a fraudes ao aprimorar a troca de informações entre as instituições financeiras durante o rastreamento de transferências suspeitas. Com o aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução, a expectativa é facilitar a localização de recursos desviados e ampliar as possibilidades de recuperação do dinheiro.

Para os usuários, o funcionamento do sistema permanece o mesmo, sem necessidade de realizar procedimentos adicionais. Em caso de golpe, a recomendação é entrar em contato com o banco imediatamente, solicitar a abertura do MED e reunir os comprovantes da transação. Embora a medida represente um avanço na segurança dos pagamentos, a devolução não é garantida, o que torna a prevenção e a rapidez na comunicação fundamentais.

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