Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

BBAS3 em foco: dividendos podem voltar a impulsionar a ação em 2026

Após um 2025 difícil, o Banco do Brasil entra em 2026 cercado de dúvidas sobre lucro, ações BBAS3 e possível pagamento de dividendos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dividendos 059

O Banco do Brasil inicia 2026 em um dos momentos mais delicados de sua história recente. Depois de um 2025 marcado por queda acentuada no lucro, revisão de guidance e deterioração dos indicadores de rentabilidade, o mercado acompanha com atenção os próximos passos da instituição. Apesar do cenário adverso, o banco já realizou pagamentos ao longo do último ano, incluindo um repasse recente de cerca de R$ 410 milhões, o que reacendeu o debate sobre novos dividendos ou Juros sobre Capital Próprio (JCP).

O início do ano é tradicionalmente um período sensível para o BB, pois concentra expectativas sobre anúncios relacionados à remuneração dos acionistas. Mesmo com um payout reduzido para 30% em 2025, cresce a interpretação de que ainda pode haver algum valor residual a ser distribuído, ainda que em montantes mais modestos do que os observados em ciclos anteriores.

Leia mais:

XP indica compra do BB (BBAS3) mirando em dividendos

Retrospectiva de 2025: um ano duro para o Banco do Brasil

Um verdadeiro teste de estresse para o setor bancário

O ano de 2025 foi particularmente desafiador para os grandes bancos brasileiros, mas o impacto não foi homogêneo. Enquanto instituições privadas conseguiram navegar melhor o ambiente macroeconômico, o Banco do Brasil acabou sendo mais penalizado, sobretudo por sua forte exposição ao agronegócio.

Entre os principais fatores que pressionaram os resultados, destacam-se:

Inadimplência elevada no agronegócio

Eventos climáticos extremos afetaram safras importantes, elevando o nível de inadimplência entre produtores rurais e cooperativas.

Renegociação lenta de dívidas rurais

A demora nos processos de renegociação ampliou o impacto negativo sobre a carteira de crédito.

Queda expressiva do lucro e do ROE

Nos nove primeiros meses de 2025, o BB acumulou uma queda próxima de 47% no lucro líquido. O Retorno sobre Patrimônio (ROE) despencou para a faixa de 11% a 12%, bem abaixo dos níveis superiores a 20% registrados em anos anteriores.

Esse conjunto de fatores fez de 2025 um dos anos mais difíceis para o banco em décadas, abalando a confiança de parte do mercado e dos investidores pessoa física.

BBAS3 na bolsa: análise técnica e comportamento do papel

Correção forte e perda de força compradora

As ações BBAS3 refletiram rapidamente a deterioração dos fundamentos. No gráfico semanal, o papel sofreu uma forte correção a partir de maio, acumulando queda próxima de 37% no pior momento.

Mesmo com tentativas de reação, o ativo encontrou dificuldades para sustentar uma recuperação consistente, esbarrando em resistências técnicas relevantes.

Principais níveis técnicos observados

Suporte-chave: região próxima de R$ 21,00
Resistência relevante: faixa de R$ 23,28
Risco técnico: perda do suporte pode levar o papel a testar a região de R$ 19,47
Viés atual: lateralização com viés de recuperação, mas com volume fraco, o que exige cautela dos investidores

O comportamento do volume indica que o mercado ainda aguarda sinais mais claros de melhora operacional antes de assumir posições mais agressivas.

Múltiplos e valuation: oportunidade ou armadilha?

Apesar dos resultados fracos em 2025, o Banco do Brasil segue chamando atenção pelos múltiplos aparentemente descontados.

Indicadores de valuation em destaque

P/L em torno de 9,7, acima da média histórica do próprio banco, mas próximo ao setor bancário como um todo
P/VP próximo de 0,68, indicando que o mercado paga cerca de 68 centavos para cada R$ 1 de patrimônio líquido

Pela fórmula clássica de Benjamin Graham, algumas estimativas apontam um valor justo acima de R$ 40 por ação. Esse número sugere um potencial expressivo, mas condicionado a um fator crucial: a retomada da lucratividade.

A expectativa predominante é que uma recuperação mais consistente dos resultados só se torne visível a partir do segundo trimestre de 2026, o que reforça o caráter de investimento de médio e longo prazo do papel.

Dividendos do Banco do Brasil: quanto pode pagar?

Projeções de lucro e payout

Com um lucro projetado em torno de R$ 19,2 bilhões e payout mantido em 30%, o dividendo por ação estimado gira próximo de R$ 1,00.

A partir desse valor, analistas costumam calcular preços-teto com base no dividend yield desejado:

Preços estimados por yield

Yield de 4%: preço até cerca de R$ 25,13
Yield de 6%: aproximadamente R$ 16,75
Yield de 8%: em torno de R$ 12,56
Yield de 10%: próximo de R$ 10,50

Em 2025, o dividend yield efetivo ficou ao redor de 4,8%, bem abaixo dos dois dígitos que atraíram quase 1,3 milhão de acionistas ao longo dos últimos anos. Essa redução ajuda a explicar a frustração de parte do mercado com o papel.

Comparação com outros grandes bancos em 2025

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O desempenho relativo do Banco do Brasil fica ainda mais evidente quando comparado aos principais concorrentes:

Itaú Unibanco

Destaque absoluto do ano, com lucro recorde e ROE acima de 23%.

Bradesco

Ano de recuperação consistente, com crescimento de quase 19% no lucro.

Santander

Crescimento sólido e estável, ainda que com menor atenção do mercado.

Banco do Brasil

O grande perdedor de 2025, fortemente penalizado pela exposição ao agronegócio e pela alta inadimplência.

O que dizem os analistas sobre o BB em 2026

As casas de análise adotam, em sua maioria, uma postura cautelosa em relação ao Banco do Brasil.

A XP Investimentos reduziu o preço-alvo, refletindo maior prudência com o cenário de 2026. O Safra manteve recomendação neutra, com preço-alvo em torno de R$ 25, destacando a ausência de sinais claros de inflexão nos resultados. Já o Citi revisou recentemente sua recomendação, reacendendo o debate entre investidores institucionais.

O consenso atual é de neutralidade: quem já possui o papel tende a manter a posição, enquanto novos investidores evitam compras agressivas até que os números indiquem uma virada mais concreta.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados